quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Somente o povo ajuda o povo.

Um dia desses estava indo pra psicóloga e um cego pedinte entrou no ônibus. Não vou dizer se dei algum trocado pra ele ou não, pois de uma maneira ou de outra vão ficar com raiva de mim, hehe. Entrou no ônibus com o mesmo discurso de todos, que estava desempregado e para tanto teve que recorrer a pedir dinheiro nos ônibus. No final disse uma coisa que é bem verdade: "Aos que me quiserem ajudar muito obrigado, pois no Brasil só o povo para ajudar o povo."

Não sei se as pessoas conhecem o Impostômetro. Existe um contador desse em São Paulo, não lembro exatamente onde no centro, mas tem. É um counter que serve pra exatamente isso: contar a quantidade de impostos que o povo brasileiro paga. Mal começamos janeiro e já temos bilhões na conta. Bilhões usados desde para pagamento dos salários milionários dos políticos e até para investimentos públicos - e um pouquinho para os bolsos por meio de desvios e paraísos fiscais também.

Digo nada pelo cego, pois como ali seria possível ver se ele tinha problemas de visão de facto? Mas a última palavra dele sôou como uma indignação incrível tingida por tristeza. Indignação dos mesmos brasileiros que vaiam o presidente na abertura dos jogos Panamericanos, totalmente ao contrário daqueles que adoram dizer que são patriotas e incriminam os que não são. Pra ser sincero isso cansa bastante, o brasileiro já cansou de ser brasileiro há muito tempo, e entre a classe pobre de Josés e Marias apenas uma pequena fatia diz que é patriota, enquanto entre os mais ricos, bem de vida claro, em seus bons carros indo embora do serviço para a casa adoram se dizer brasileiros com orgulho. Enquanto isso uma grande maioria mora em favelas, tem uma renda minúscula e vivem em condições sub-humana. Leu bem: grande maioria. Saia um pouco da internet e olhe nas ruas.

São coisas que dificilmente as pessoas engolem, certo? Uma vez um amigo meu perguntou: "Ah, mas se o Brasil no futuro virar um país rico, você vai dizer que é 'patriota'?". Primeiro eu odeio patriotismo. Pessoas se escondem por detrás de uma nação é uma coisa, e pessoas que valorizam sua cultura é outra diferente, principalmente num mundo globalizado de hoje. Ainda mais é questionável você perguntar o quão original é sua cultura também. Outra eu não gosto de países ricos, pois mesmo ricos ainda tem pessoas em nível grande de pobreza. Queria um país igual, podem até continuar com um Silvio Santos ou Roberto Marinho da vida, mas queria mesmo era que desde pessoas como o cego do 609C-10 ou mesmo os favelados aqui perto de casa tivessem uma vida digna, com um salário digno e uma chance de futuro.

E não adianta dizer que o futuro chega pra todos se trabalhar porque não é assim que a coisa funciona. Quem tem garra é o pobre que pega ônibus às 5h00 para trabalhar de caixa de supermercado pra conseguir dinheiro pra família e quem sabe conseguir ir na reunião de pais e mestres do filho. Isso é um bom exemplo de garra a ser seguida, e pessoas assim deveriam ter uma mínima chance de subir na vida, mas infelizmente não sobem. E não é por não quererem, óbvio. É por não terem chance.

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