sexta-feira, 13 de março de 2009

Empresas de propaganda ou de computação?

Cada vez mais propaganda mostra-se não apenas a alma do negócio, mas muitas vezes o negócio em si. E isso não se reduz a empresas de propaganda, mas as das mais diversas áreas. Se você tem uma boa propaganda, você transforma qualquer coisa em objeto de desejo ou de procura. Portanto a questão da inovação ou da procura de novas tecnologias acredito que acaba ficando em segundo plano perante uma boa propaganda.

Estive lendo um artigo na Exame já meio antiga, que consegui por 1,50 de uma jornalista (12 paus nela? Errr...) que fala muito do Steve Jobs, muito conhecido do nosso meio de designers, e pros que estão fora os conhecem como o dono da empresa que criou o iPod e o iPhone. Como disse um professor meu, iPhone não é um celular, é um brinquedo de gente grande, e o iPod não deixa de ser um mero tocador de mp3.

A questão maior é: tem design? Obviamente existe um projeto, existe uma noção de suprimir e ajudar a resolver um problema. É uma solução, óbvio. Para ouvir música tenho ainda meu celular ou ainda meu walkman toca-fitas jurássico. Compacto até pode ser, bonitinho é obvio, embora eu seja uma pessoa que ao contrário de 99% do mundo caminha para o minimalismo, influenciado muito pela Apple, eu caminho exatamente contra essa tendência exatamente por odiar minimalismo...

Mas a Apple pra mim não é inovadora o escambal. Por detrás de tudo o que ela inventa existe uma ferramenta que faz as pessoas conhecerem os produtos, e depois disso ao observar a diferença com os já existentes no mercado a chamam de inovador. Porém, existem uma infinidade de coisas inventadas que não tem a marca, ou slogan da maçã, são tão boas quanto, mas ninguém olha. Muito engraçado, certo?

Apple é uma empresa que mira na propaganda, pois de nada adianta um produto diferente se ninguém conhecê-lo, e ao conhecê-lo muitos o elegem como o melhor. Mas afinal, um questionamento dos mais remotos da história é "até quando alguma coisa é a melhor pra uma determinada tarefa?". Será que de fato a boa-ventura de um bom comercial é um fato mais que determinante para a compra de um produto?

Fui numa palestra de um ex-jornalista da folha, que atualmente é um dos cabeças da UOL. Nela, ele dizia que um dos colaboradores da Google respondeu de uma forma nunca antes vista a seguinte pergunta: "O Google na verdade é uma empresa do que? Tecnologia? Inovação? Buscas?". Nenhuma delas, de acordo com esse representante de uma das maiores empresas do mundo, o Google não passa de uma empresa de propaganda. Onde eles fazem a propaganda de seus produtos, divulgam, muitos nem sabem o "mais" da página inicial do Google, e com essa propaganda toda vendem seu peixe, divulgam seu produto e pessoas carregam a bandeira da Google ou da Apple os elegendo os melhores, e seus líderes como verdadeiros deuses e pessoas que mudaram o século.

A questão é, até onde vai a propaganda bem-feita, a "criação de uma necessidade" e onde esses diferem de um real bom design? E o que diabos é "bom design" se alternativas temos várias das mais diversas maneiras? Um Sony Walkman desempenha a função de tocar música de outra maneira da Apple, mas é exatamente o iPod que todos desejam, todos acham melhor e todos acham inovador.

Pergunta com muitas respostas, mas nenhuma ainda cem porcento confiável.

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