sábado, 21 de março de 2009

História da arte não é bem assim.

Não tenho estofo de pesquisa como povo que é mestre, nem sou dotô. Mas não quer dizer que não tenha opinião.

Hoje quero falar de História da Arte. Sei que vai ter muito estudante de história/historiador que vai vir falando uns montes, mas peço que relevem um pouco. Vou falar igual ao Marcelo Tas: "Quem se importar com isso, não precisa me seguir, afinal não sou novela, ok?". Como eu me sinto mais seguro a falar sobre os movimentos não-vanguardistas exatamente por eu achar que sei mais, vou me ater a eles.

Um assunto que eu gosto bastante é o movimento artístico que uma determinada arte é produzida. Existem teóricos que dizem que isso é uma bosta, que não deveria ser uma coisa seguida, sabe porquê? Concordo bastante com esses teóricos nesse quesito. Na escola/faculdade somos ensinados que as artes até o período antes da ascensão da Arte Moderna eram muito restritivas, que a pessoa não tinha o direito de exercer criatividade e nada disso. Sinto lhes informar, mas o que os professores lhes ensinaram é a maior patifaria que é sempre repetida por muitos e muitos. Muitas vezes eles conhecem, mas é verdade que essa é baseado em nuances artísticas que são percebidas. E pra não causar confusão nos alunos principiantes, esse papo fica mais mesmo entre os mais doutores.

Por isso eu por mim não classificaria nunca arte em movimentos de um certo decorrer de tempo. Quer um exemplo? Renascimento (do Quattrocento, até começo do século XVII) existem apenas pouquíssimas obras que são de fato renascentistas, e diria mais, pouquíssimas são as conceituais mesmo que contém todas as características. Um exemplo é o Tempietto, uma capela da Igreja de S. Pietro in Montoria (vide figura do post), em Roma é o exemplo dos únicos de uma obra renascentista que contém exatamente todas as características e nenhuma influência além disso. É o "puramente renascentista e apenas ele".

Engraçado que os maiores símbolos, como David de Michelangelo Buonarotti, Escola de Athenas, de Rafaello ou até a Gioconda do Da Vinci são obras que embora sejam renascentistas, o artista teve uma liberdade grande de criação, acredito que apenas faltavam-lhe criatividade e nem tanto liberdade. Afinal a época era outra, as influências eram outras.

O que é acontece é que na nossa época existe uma grande exaltação do moderno e logo todos olham torto para as artes antigas como uma coisa feia, presa a conceitos e paradigmas, porém não é bem assim. Gosto de dar o exemplo que eu adoro de Fillipo Brunelleschi, e sua obra ícone, o Duomo, o domo da Catedral de Santa-Maria Del Fiore, em Florença. A catedral foi feita no estilo gótico (eca! Franceses... Odeio franceses tanto pela minha parte inglesa como italiana... Italianos também odeiam franceses! ;D), porém a solução foi dada por um pensador e engenheiro renascentista e houve sim uma inovação, uma criatividade e um repertório. A catedral de tão grande que era ninguém conseguia fechar o domo, fizeram até concurso público pra ver quem conseguia a façanha, logo Brunelleschi vendo a solução do Panteão de Roma e a Hagia Sophia em Constantinopla (atual Istanbul, mas ninguém sabe que antes desse nome ela era Byzantium!) resolveu tentar e... Tcharam! Deu certo.

Poderia encher de exemplos aqui, mas vai ser duas bíblias de post. Mas em suma é: Não tenham medo ou preconceito com os artistas clássicos como muitos têm, principalmente na questão de eles seguirem um estilo fielmente sem nunca colocar um pouco deles na obra que é uma grande mentira. Verdade que existiam algumas noções estéticas e tudo mais, mas a coisa não era não presa como muitos ensinam, artistas tinham a liberdade para criar e estudar e fazer diferente - dentro de alguns preceitos, obviamente, mas poderiam sim. Principalmente se você era considerado gênio. Muitos historiadores por exemplo consideram o apogeu artístico com Michelangelo, muitos dizem isso por causa de seu "dom" pra coisa, mas se pesquisarem e manterem os pés no chão e nos livros, verão que a coisa não era bem assim. ;D

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