sexta-feira, 24 de abril de 2009

Da Inteligência


Quando fui para Bienal do Ibirapuera finalzinho do ano passado (e inclusive quase morri naquele tobogã, depois de ter ido a mais uma consulta semanal no médico) uma das obras era um objeto reflexivo sobre a inteligência humana. Sim, era pra eu ficar zanzando, mas não resisti no terceiro andar estar uma obra de Erick Beltrán, chamado El mundo explicado, impressões em Off-set de tamanhos variáveis espalhadas em um setor do andar.

Óbvio, existia sim uma questão do artista em fazer uma relação com a cultura atual onde todos nós temos uma explicação pra tudo. E de fato, existia explicação pra um monte de coisas, saí até meio tonto de lá. É como passear por uma biblioteca com uma síntese de um monte de coisas do mundo. Perdi até a noção do tempo lendo todo aquele imenso conteúdo, e quanto mais eu lia, obviamente mais queria saber.

Gastei mais de uma hora lendo tudo aquilo, e nem passei da metade. O resto da Bienal acabei nem lembrando direito, exceto o tobogã que quase me fez ir dessa pra uma melhor. Sim, eu sou anti-social mesmo e gosto de ir sozinho a esses lugares. Todo mundo fala um monte, haha... Não tenho companhia pra ir a cinema, exposições ou o escambal então como tenho duas pernas e (por enquanto) um pouco de saúde, eu vou à luta.

Tinha uma parte que ele falava como funciona o conhecimento humano. Como aprendemos, da onde vem e tal inteligência que todos dizem que nós temos. Aquilo de fato é uma coisa que me faz refletir até hoje. Vou tentar dar uma síntese daquilo que li adicionando algumas coisas que andei pensando.

Inteligência não é uma exclusividade humana. Adoramos dizer que somos os seres do topo da cadeia alimentar exatamente por pensarmos. Obviamente pensamos muito mais que os outros seres da fauna, mas não acredito que somos os únicos que pensam não. Animais têm inteligência sim, e vou discutir isso aqui.

Esses dias estava ensinando o Betão a deitar no chão. Peguei um doguitos, coloquei na mão fechada e fui apontando pra baixo dizendo pra ele “Betão! Deita, vem, deita!”. Vi isso com o Doutor Pet no blog dele e a participação que ele faz em programas de TV, e resolvi tentar. De primeira, obviamente não foi. Mas devagarzinho o Betão foi associando, entendo que quando eu falo “Betão” eu o chamo, e quando digo “Deita” é pra ele ficar naquela posição.

Inteligência é associação. Se eu entendo que um fósforo ao ser riscado naquela lixa ele pega fogo é porque me ensinaram isso e eu associei isso que atrito causa uma faísca e essa faísca entra em combustão com o material vermelho da ponta do palito. E isso é com todos, mesmo se eu chegar a você e perguntar o que é concreto armado, você associará ou que o concreto tem pistolas ou revólveres, ou associará que é concreto junto de uma armação, em geral aço, onde é usado para sustentar coisas pesadas.

A mesma coisa é o Betão. Ao dizer “deita” ele associa que ele deve abaixar e ficar naquela posição. A mesma coisa é quando alguém fala algo que você desconhece e você não sabe nada, não tem o que associar e se perde. Inteligência, e reflexão é a capacidade de juntar as pecinhas do quebra-cabeça e entender.

Lembro uma vez de ter lido que o ser humano tem tanto conhecimento dentro dele que quando está em um momento de perigo consegue achar uma escapatória, a mesma coisa que associamos ao Buddha antes de alcançar o Nirvana. O conhecimento já estava lá, só precisava ser associado, ligado, unido. De alguma coisa descoberto, mesmo que essa coisa já esteja dentro de você.

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