domingo, 20 de setembro de 2009

Somos humanos, e somos os animais - Parte 1

Esses dias estava no ônibus ouvindo uma conversa de uma mulher que virou vegetariana. Lembrei de um cartaz que dizia algo como "Porque uns bichos você ama, como o cachorro ou gato, e outros você come, como vacas e galinhas?". Ao mesmo tempo este cartaz convidava as pessoas a serem vegetarianas, afinal as plantas não tem sentimentos.

Resolvi então procurar a definição em enciclopédia do que seja "animal". Achei algo como sobre animalia, o reino que nos encaixa na mesma categoria que tigres, medusas, bois entre outros. Achei então uma definição supimpa: "Animais em grande parte, se alimentam sendo predadores a outros organismos vivos, sejam eles animais ou plantas".

Quando vou pro interior, eu vejo meus priminhos, criados em um município com menos de 50 mil habitantes, vejo bem como eles encaram a diferença entre algo morto e algo vivo. Eles não são mais frios que nós, embora a molecada que cresceu na cidade tenha muito aquele sentimento de proteção, nas cidades grandes onde não costumam ver a morte, nem de pessoas, nem de cachorros, nem de míseras baratas. Normalmente quando vêem um frango sendo morto costumam atribuir um sentimento, toda uma coisa que embora seja objetiva - seja subjetiva para nós.

Afinal o frango quando a gente quebra o pescoço segue os instintos animais dele - de sobreviver, perpetuar a espécie, e morrer de velhice. Assim como nós humanos, quando nos envolvemos em um acidente, um incêndio por exemplo, onde pisamos em corpos, deixamos pessoas agonizando atrás para salvarmos exatamente quem realmente importa: nós mesmos.

Meus priminhos não ligam. Estão vendo isso há anos, e não são frios como muitos pensam ao verem um frango sendo morto e começarem a chorar. Simplesmente a hierarquia não existe, eles tem noção que são seres humanos, são seres superiores, são os que estão no topo da cadeia alimentar, podemos nos alimentar tanto da cabeça de alface como de um leão da savana africana. Agora na cidade, nós elevamos e quase damos direitos humanos a seres que são inferiores a nós na cadeia alimentar.

Mas ao mesmo tempo nos contradizemos amando nossos cães e comendo carne bovina. Não é nenhum discurso anti-carnívoro, muito pelo contrário. Amo meus cachorros, mas perceba que nem todos os bichos são iguais, o homem em si levou milhares de anos para domesticar vacas, e em países como a Índia, a vaca é mais querida do que cachorros - tanto que recebe o título de sagrado.

O sentimento potencializado é uma coisa humana. O instinto de sobrivência é algo dos animais.

Obviamente que a galinha sofre quando quebram o pescoço - é instinto, isso é animal e inclusive nós temos. Mas é a nossa face humana que diz que somos iguais, mas não somos. Pro leão os são-paulinos, ops... Bambis, são inferiores, são caça e acreditem, se não fosse a caça estaríamos ainda um bando de macacos comendo bananas por aí.

Portanto, deixa eu comer meu bife com feijão e arroz e ovo em paz!

1 comentários:

erica disse...

bom, vou tentar ajudar vc na sua reflexão...
talvez fique com raiva, talvez ache que nada disto o que vou dizer faça o menor sentido, mas vou deixar o meu ponto de vista.
O assunto não é simples e costuma gerar muitas controversias. Acredito q podemos comer carne, mas quando as pessoas optam em deixar de comê-la existe um contexto bem amplo por trás dessa decisão. Existe a questão do sentimento, a questão da saúde, e uma própria crítica em relação a este modelo de sociedade em que vivemos.
Hoje, como a maior parte das coisas, a carne está totalmente vinculada ao prazer do ser humano. Fomos criados numa sociedade de visão dita ocidental, que é antropocêntrica, e vê o homem como centro do mundo e superior a tudo. Mas no fundo, na minha visão, não somos superior a nada e a ninguém. Agente integra a natureza, e nela incluio os animais e as plantas. Deveríamos viver em forma harmonioza.
E a ingestão da carne e da necessidade de dominarmos tudo, está diretamente ligada a esta visão antropocentrica de mundo.

Os seus primos, quando comem carne, fazem de uma forma muito mais natural que o homem urbano. Já o processo existente hoje para produção de carne em larga escala, eu considero um problema. E venhamos e convenhamos, o brasileiro come muita carne, muito mais do que ele precisa.

Hoje, o gado, o frango e o porco são produzidos em larga escala e de forma acelarada pra satisfazer o prazer do homem, alterando ecossistemas, poluindo rios e desmatando florestas. Será que isto é justo? Agora olhe por um outro ângulo, não só pensando nos animais, mas no próprio homem. A quantidade de hormônio que é necessário colocar nesses animais pra acelar o seu desenvolvimento, o tanto de mata nativa que é desmatada para plantar soja que é usada para ração de animais, o tanto de água que é consumida e poluída para este processo... isto tudo não é natural, e é maléfico pra nós mesmo.
O hormônio que é usado nos animais, de uma forma indireta, chega até nós e modifica o corpo do homem; mudar a alimentação do gado, que é o pasto, por ração de soja, trás consequências pra gente também. Talvez não consigamos enxergar isto claramente hoje, mas gerações futuras sentiram o resultado de tudo isto que estamos plantamos.
Além de tudo, nós, seres humanos, temos um dom muito especial. Temos a capacidade de observar, refletir e tomar decisões. Se comer carne gera sofrimento, se gera problemas ambientais, e se gera consequências na nossa saúde, quem melhor que nós mesmos para respondermos isto? A informação esta ai,e as decisões são indivíduais..

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