quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Tá. Por você, eu aceito! Mas só por você, hein!


Isso não faz muito tempo. Recente em um dos últimos aniversários, já bem próximo da data, sabia que o aniversário daquela amiga que tanto valorizo estava chegando. Sei que mulheres em si se odeiam, umas sempre tentam puxar o tapete da outra, mas entre homens e mulheres nunca vi coisas do gênero. Óbvio que eu como um homem preciso de amigos masculinos - 99% são bem companheiros, fiéis e parceiros - mas mulheres amigas, quando não tem aquelas picuinhas do universo feminino, são tão parceiros quanto os bons amigos machos que todo homem tem como amigo-de-bar.

E estava quase lá, chegando a data! Tinha que dar alguma coisa. Obviamente sabem o quanto de inimizade que nutro pelos namorados dessas amigas, não entendem que o que sinto do fundo do coração é uma fraternidade sem igual pela amiga. Apenas isso. Já estávamos sem tempo, e até hoje acho que devo muito a ela.

Pela presença nos momentos mais difíceis, pelo apoio quando passei pelos piores momentos, pelas longas conversas que de alguma forma eu encontrava eu mesmo todas as vezes. Mas ela, não sei.

Não sei se foi pela imensa bondade em seu coração, ou ainda se foi apenas por pena em me ver naquele estado deplorável. Talvez lá no fundo fôssemos iguais mesmo, temos o mesmo impulso para se jogar do último andar e não morrer - apenas sair voando.

Éramos mesmo grandes amigos, mas coincidentemente ela aparecia sempre na hora que mais precisava, nem que seja de um mero abraço carinhoso.

Dei um par de pantufas. Sei que é uma coisa que ela adora. Porém eu, não queria nada, na minha mente acredito que já tinha recebido uma coisa que nenhum dinheiro me daria que era exatamente a amizade dela, algo incalculável - o que obviamente deixava eu devendo, pois sei que ás vezes sou um amigo desnaturado que some nas férias ou simplesmente não dá notícias pois está ocupado com alguma pendência ou depositando flores em túmulos. Dei o presente sem esperar nada, até porque mesmo se tivesse não teria a coragem de aceitar.
Aí ela me deu isso! Um chaveiro. Da Torre Eiffel. QUE BOSTA...!

Sorrindo então ela disse, ao ver minha cara de desdém: "Ei, não fala assim! Busquei lá mesmo dois, um pra mim e um pra você. Sei que é pouca coisa, mas é de coração". Na hora fiquei meio passado, mas depois até que aceitei bem. "Relativamente" bem. =P

Mutos meses depois, ou poucos anos acredito, depois de uma festa de gala onde ela me convidou, voltávamos pra casa dela quando ela tirou a chave pra abrir a porta pra sua mãe entrar na casa primeiro. Mesmo naquele escuro, a bolsa pequena, vi algo cintilar no formato tosco daquela torre do país maldito. Era o chaveiro idêntico que estava comigo.

"Olha só! Você tá aí com o seu, haha. Olha o meu aqui!", eu disse sorrindo com surpresa e mostrei-lhe o igual que tinha no bolso. Ela ficou muda fitando o chaveiro. Depois concluí "Eu disse que andaria com ele, certo? Acho que enquanto tivermos, mesmo pelo tempo e a distância, a amizade nossa não morrerá.", fiquei mais descontraído e terminei: "Toda vez que vejo, lembro da cara que você fez quando quase não aceitei, haha!"

E aí ela sorriu, daquele jeito que só ela sabe fazer... Ainda competimos seriamente pra saber de quem é o sorriso mais bonito, mas ela dá de dez a zero em mim. Mesmo sendo um toquinho de altura, ter aquela voz fina, o cabelão que vai quase na cintura, enfim.

Tá, por você, só porque é minha melhor amiga, eu aceito carregar o símbolo desse país de merda. Com muito, muito desprazer, obviamente, hehe!

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