terça-feira, 20 de julho de 2010

Encontro.

"Ei, Castro!! Você mesmo, não finja que não me ouviu!"

Virei pra trás e vi um primo perdido se aproximando. Olhei pro céu, fazendo uma cara de desaforo.

"Não me enche", eu disse.

Ele acelerou o passo e me alcançou rapidinho.

"Fala aí, Castro mais notável da família. Você é o orgulho desses que carregam esse sangue!", disse o cara.

"Eu não tenho 'Castro' no sobrenome. Não sei do que está falando", respondi de maneira bem ríspida.

Ele olhou pra mim com um risinho idiota.

"Ué, mas não precisa ter sobrenome dos Castro pra ser um autêntico Castro!", ele disse enquanto eu virava de costas pra ele.

"Não sei desse orgulho, e nem sei nada desse sangue. A única Castro da família é minha bisavó. Dela pra baixo ninguém herdou nem o sobrenome dela", eu concluí.

Mas o cara não parava de me encher, enquanto eu virava de costas e andava ele avançou e passou na minha frente, me acompanhando, uma vez que eu não parei.

"Ora, eu tenho o sobrenome dos Castro, mas não tenho o sangue forte de vocês. Você é o orgulho porque é esquentadinho exatamente como eles são, não é uma pessoa racional. Puxou todo o espírito da falecida velha", concluiu.

"Ela era esquentada?", perguntei, surpreso.

"Ô se era. Virou uma lenda o sangue dos Castro na geração de seu avô e seu pai. Era uma maldição e ao mesmo tempo uma grande benção. É sua maior herança, uma vez que o resto da família são todos uns bananas".

"Isso é besteira", falei.

"Não é não! Você parece calmo, mas quando alguém te provoca você vira um demônio pior que a velha. Eu já vi, você tem potencial! Um genuíno sangue dos Castro, calmo, calmo até demais. Até alguém te provocar e você trazer o inferno para a face da Terra!".

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