domingo, 19 de dezembro de 2010

Aquele amor puro, bobinho mesmo.

Ontem, no meu templo, enquanto conversava com um rapaz japonês, percebi que uma menina ficou passando diversos recadinhos pro rapaz, dizendo que ele era bonito. Coisa ingênua, pensava. No começo não entendi muito bem, até que a menina chegou em mim. Tinha treze anos, apaixonada por um garoto de dezesseis anos - o mesmo que estava conversando comigo.


君と二人で歩いたあの頃の道は無くて
それでもずっと歩いた、何時か君と会えるのかな...

Mas não era uma paixãozinha bobinha. Era paixão mesmo. Menina mora em Uberlândia, não vem pra São Paulo direto (nove horas de viagem), mas me disse, quase num estado de lágrimas que até sonhava com o rapaz nipônico. Somente tinha o visto uma vez, conversado com ele apenas ontem, e achei isso incrível.

Digo, pra ela não importava se eles fossem crianças, ou morassem longe, provavelmente dariam um jeito nem que fosse apenas pra alguma vez sair de mãos dadas juntos na rua. Não havia barreira da língua, a menina apenas falava português e o rapaz apenas sabia japonês e inglês. O mais provável é que isso nem aconteça, mas eu ainda tenho uma pontinha lá no fundo de fé no ser humano. E gostaria de acreditar que essa paixão de crianças, quem sabe, se torne o grande amor da vida deles. Os dois estão interessados um no outro, são da mesma religião, e não se importam com raça, idade, dinheiro, nem nada.



É um amor puro.
Mas porque não podemos dizer que jovens como eles não conhecem o "amor"?
Sabe, pessoas crescem, e essa definição de amor muda. Mas eu gostaria, sinceramente, de saber como seria manter essa definição infantil, mesmo você sendo um adulto. A vida torna-se dura, você começa a levar foras inexplicáveis, pessoas não estão afim de manter relacionamentos e tampouco iniciá-los. Logo, pessoas se tornam descrentes no amor. Passam apenas algumas horas com uma pessoa, talvez para apenas trocar alguns beijos ou uma noite de sexo. Fazem isso porque a sociedade impõe que isso é o "correto", é o "bom". Sim, sou um cara idealizador, e quero mais é que essas imposições da sociedade vão pro inferno. Eu ando na maré contrária.



窓辺に一人きりで只雪を見つめてる君を思い出しながら
硝子越しに君を浮かべ最後の口付けして...

Quando a menina disse que somente o tinha visto uma vez, fiquei abismado. É chato ser adulto, eu sofria mais quando tinha esse tipo de paixão quando pirralho, mas sinto falta. Gostaria sim de ter um amor desses, uma coisa que a gente sonha com a pessoa, pensa trilhões de coisas, inventa outras tantas teorias...

Faz tempo que não escrevo sobre "amor" né? Quem é mais antigo no blog sabe.
Sei lá, acho que tou é ficando chato pra essas coisas. Tomando muitos foras, procurando amores, mas acima de tudo procurando "desculpas", acredito. Uma das desculpas é "porque não vou ficar com ela porque trabalha muito até mesmo nos finais de semana", ou a outra "porque não vou ficar com ela porque é rica demais" ou a terceira "porque não vou ficar com ela porque é uma vadia".

Vendo essa menina, pensei que eu poderia acreditar nisso. E deixar todas as desculpas de lado.
Meu julgamento é tão imparcial que nem acredito que os dois possam ficar juntos. Provavelmente você que está lendo isso também pensa a mesma coisa. Afinal a menina mora longe, sequer fala a língua dele e apenas o viu uma vez.

Mas amor talvez seja isso, né? Amor não vê limites. Não vê impossibilidades.
Não vê o "não". Apenas vê o "sim".
Apenas é isso que a gente quer acreditar.
Gostaria mesmo de acreditar nisso também.
Mas a realidade é mais amarga.





ねぇ 笑ってよ もう泣かないで
ここからずっと貴方を見ているわ

Ahhhhhh... Bonitinho, vai.
Preciso levar algumas flores à "ela". E pedir que continue lá do céu me vendo, e me abençoando.
Exatamente como ela fazia quando era viva.
Você faz muita falta, donzela.

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