quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

XIV - A Temperância.


A palavra "rivalidade" nos resume bem. Mas a verdade é que temos um vínculo tão grande, quase que um gato e um rato, que duvido que um viveria sem o outro.

"n" tem tudo o que não tenho. E eu, tenho tudo o que ele não tem.

Não consigo imaginar o que se passava em sua mente quando viu ela correndo, histérica, chorando pelo corredor. Ao abrir a porta ele me viu lá, sentado, com os cotovelos nos joelhos e cabisbaixo. Meus olhos lacrimejavam, mas nenhuma lágrima sequer caiu. As minhas palavras teriam ferido mais do que qualquer coisa no mundo.

Será que ela ainda sim sentia medo de mim? Porque não queria mais me ver? Não falava mais comigo? Não queria mais sequer sair comigo, negando todos os pedidos, me enrolando, me deixando esperando? Porque isso, se nos dávamos tão bem? De uma hora pra outra...

"n" e eu começamos uma corrida imensa para descobrir essa resposta. Porém eu não tinha a capacidade incrível de insight que ele tinha. Eu que tirava sempre notas boas na escola, somente perdia para ele. Enquanto eu passava noites a fio estudando, ele conseguia tirar uma nota melhor sempre com menos esforço.

Sua última ligação pra mim foi: "Eu já descobri tudo. Era exatamente o que você imaginava. Vou abrir o jogo com ela". Naquele momento, no telefone, a única coisa que eu disse foi: "Entendo. Mas acho que eu sou a única pessoa que pode fazer isso".

Porque onde me faltava paciência, nele faltava atitude. Separados éramos iguais aos melhores, mas juntos, nós éramos os melhores. E ninguém jamais poderia nos superar.



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Era medo.
Talvez dentro de nosso casamento forçado ela nunca imaginara que um dia poderíamos realmente nos amar. Como um casal comum. Foi uma das piores declarações de amor, que resultou no que resultou.

Quem sabe poderíamos ser felizes. Mas esse tipo de felicidade, somente eu via como possível. E uma das minhas últimas palavras pra ela foi: "Eu... te amo, *********".
E nesse momento ela correu. E nunca mais voltou.

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