terça-feira, 8 de março de 2011

do Destino.


Fui fazer um "retiro espiritual" em prol do TCC nesse carnaval. Peguei meu Mac, me isolei em Gavião Peixoto, na casa do meu avô, e por lá fiquei para escrever meu TCC. E descansar um pouco, claro.

Minha rotina nos três dias foi acordar, abrir o Mac, escrever, tomar café, escrever um pouco, almoçar, tirar uma sesta (como isso me faz falta no meu trabalho! Ia me dar um gás tremendo pra trabalhar à tarde...) escrever, jantar, escrever um pouquinho e dormir.

Você pode pensar que isso é ruim, afinal na teoria seria um feriado inteiro trabalhando tanto quanto se estivesse de folga. Também pensei nisso. Mas estou disposto a dar tripas coração igual eu fiz no semestre anterior. Afinal estou sozinho nessa, apenas posso contar comigo mesmo.

Quando entrei naquele ônibus fiquei pensando na vida, enquanto passava por todas aquelas plantações. E acho que vislumbrei um pouquinho do que meu avô viu muito durante sua vida: o tempo passar.

Lembrei das fotos do casamento dele que tenho aqui em casa em algum lugar, acredito que ele nunca imaginara que talvez passaria pelas coisas que passou, todas as felicidades, infelicidades e acima de tudo vendo o tempo passar desse jeito.

Porque antes ele era apenas um cara de meia idade que pegou a aposentadoria e foi viver na chácara da mãe dele. Viu seus filhos lhe dando netos, e dessa última vez, seu neto mais velho indo sozinho visitá-lo, já adulto.

Tudo na nossa vida é tão fulgaz. No budismo eu aprendo muito isso, mas isso era algo que eu trago desde criança. Talvez aqueles amigos que uma vez estudaram com você num prézinho, num ginásio, no ensino médio, na faculdade, trabalharam com você, hoje estão tão longes, com suas vidas, seus maridos, seus filhos... Mas sinceramente não sinto "sozinho".

Acho legal manter essas lembranças felizes. Elas vivem! Não existe esse papo de ninguém é insubstituível, afinal você troca de amigos trilhões de vezes, são amigos do "momento". Do "aqui e agora" daquele momento. Provavelmente daqui uns 10 anos meu avô não estará mais lá, daqui uns 30 meus pais não, estarei com meus filhos, e todos aqueles amigos, as pessoas com que conversei estarão num passado distante. No então longíquo ano de 2010, daqui a trinta anos.

Estarei com meus netinhos (que fofo!) e provavelmente me olharei no espelho e farei igual hoje em dia. Darei uma risadinha lembrando de todos que fizeram um bom momento feliz comigo em algum momento na minha vida.

Meu avô adora contar as lembranças dele. São de pessoas que provavelmente nem mais vivas estão. Ou perdeu contato. Mas aquelas lembranças ficarão de alguma forma gravadas em sua mente. Assim como espero que na minha fiquem.

Quando pensei isso no ônibus eu chorei.
Tinha entrado no ônibus e sentado no meu banco.
No meu ouvido a canção da Ayumi Hamasaki, Love Song

E naquele momento fiquei pensando...
Pra onde essas estradas da vida me levarão?



[A foto é a vista que tenho lá da casa do meu avô. Espero que eu veja essa paisagem muitas e muitas vezes na minha vida. Já estou morrendo de saudades, vô!] 

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