Persona 5 (2016)
Criei vergonha e enfim terminei Persona 5. Jogo que eu abandonei duas vezes. Mas ainda assim eu recomendaria, embora seja um jogo um bocado arrastado. Acho que se cortasse pelo menos metade daqueles diálogos intermináveis, não seria um jogo muito cansativo, pois a mecânica de você conciliar sua vida de estudante e social, com à noite você sendo um Phantom Thief, é genial e divertida demais.
Acho que comprei Persona 5 há mais de dois anos atrás. O que mais me impressionou é a quantidade de cutscenes e diálogos até que o jogo comece — reserve pelo menos uma meia hora, e ainda assim você não vai conseguir entender muita coisa logo de cara.
Mas conforme o game vai avançando, e as dungeons vão aparecendo, a gente percebe que é um J-RPG muito bem bolado, com um sistema de elementos até simples, e uma quantidade grande de Personas — que são uns seres que você invoca durante as batalhas, e permitem dar golpes especiais, etc. Personas esses que muitos associam aos Pokémon, mas alguns deles são mais sexy, e mais para o público adulto, por assim dizer (não procure "Mara Persona 5" no google na frente da sua avó na sala depois do almoço de domingo).
Terminei o jogo hoje, no dia que escrevo isso (11 de agosto). Abandonei o jogo por duas vezes: primeiro acho que foi antes do penúltimo palácio, e depois foi agora, depois do chefe final e os intermináveis labirintos dos Mementos, em busca do final e créditos do jogo (pois sim, o jogo não termina depois do chefe final, pois existe um outro chefe final depois dele).
Além de desenvolver seus Personas, por meio da fusão e captura de novos, o jogo tem uma mecânica de interações sociais que eu não tinha ideia de como fazer no começo — foi só ali perto do meu segundo retorno que descobri que era possível.
Você controla um aluno que acaba testemunhando um crime, mas por você estar ali na cena acabam acusando você de ter cometido aquilo, e você acaba sendo liberado para viver na condicional com um parente seu distante que possui um café, e ele te manda viver no sótão todo empoeirado e sujo. Seu objetivo inicial é provar sua inocência e limpar sua reputação. Mas de volta à escola nova você deve se enturmar, conhecer novos amigos, e cada um naquele estereótipo bem japonês (o briguento, a patricinha, a responsável, o esquisitão meio viado, a menina dos computadores, e a pobre menina rica).
Os temas que o jogo aborda também são interessantes. A começar por um professor da escola que comete abusos sexuais contra alunas — uma das vítimas inclusive tenta suicídio, o que é muito doido e só de ouvir a fama que o Japão tem, a gente consegue imaginar que aquilo é bem baseado na realidade mesmo. Outros temas são abordados, como um professor que inveja o aluno que é melhor que ele, alunos envolvidos com máfia japonesa, uma menina com problemas de socialização e traumas, e até uma promotora de justiça que tenta te prender.
Basicamente cada pessoa problemática na sociedade tem em sua mente um palácio. Seu grupo, os Phantom Thieves, entram na mente desses caras, e ao finalizar a dungeon lá, acontece uma mudança no coração da pessoa — seja confessando os crimes, pedindo desculpas, ou mudando seus comportamentos.
E como falei o jogo tem uma mecânica da vida social muito divertida. Você consegue aumentar a intimidade com seus amigos, a ponto de chegar ao nível máximo e até ter uma namorada. Quando descobri que isso era possível foquei minha energia na menina mais inteligente e bonita da sala, a Makoto Niijima, e cheguei a namorar ela no game! Muito divertido o processo da conquista inclusive, haha!
Mas como nem tudo são flores, achei o game muito arrastado em alguns momentos. Como disse, depois de derrotar o último palácio, o jogo nos sugere ir pelo mundo dos Mementos — uma espécie de submundo de labirintos intermináveis e cheio de bichos que vão ficando sempre mais fortes — até o ponto mais fundo para conseguir terminar o game.
Nessa última dungeon eu lembro que morri umas três vezes e larguei o jogo de lado. Fiquei meses assim. Mas ontem eu decidi tentar finalizar, e consegui passar por essa dungeon, mas o game pra finalizar é um saco. Sempre aparece um "chefe final novo", e parece não ter fim os clímaxes. Chegou uma hora que eu só queria terminar o jogo em paz, pois nem nos guias eu tava achando o que fazer (como se fosse meio tabu falar do final de Persona 5, sendo que não é nada demais, só é trabalhoso).
Ontem mesmo fiquei horas indo contra os DOIS chefes finais. Quando cheguei enfim no último, o Yaldabaoth, depois de ficar lá quase uma hora tentando me manter em pé e atacando o bicho infernal, ele lança um poder mega forte que me matou com um hit só.
Cara, que vontade de jogar o controle na tevê!!
Mas hoje eu peguei e upei mais de dez níveis derrotando os bichos antes da batalha final. Tem até um bicho enorme em formato de pinto (o tal Mara. Eu disse pra você não pesquisar no google!). E ao encarar o Yaldabaoth, com mais vida e força, ao receber o poder dele lá super forte, consegui tankar e finalizá-lo finalmente.
Acho que nunca fiquei tão aliviado em ver uma tela de créditos na minha vida.
Primeira coisa que fiz depois de dar o último save? Fui nas configurações e desinstalei o jogo. Valeu a experiência, mas é um game muuuuuuuito cansativo.

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