domingo, 10 de abril de 2011

É terrorismo ou não? É louco ou não?

Lembro até hoje quando acordei naquele 11 de setembro de 2001. Liguei a televisão e vi um avião se chocando contra um prédio. Eu no começo pensei que fosse aqui. Na minha mente modesta de jovem imaginei que era no Centro Empresarial São Paulo, ali perto do Terminal João Dias. Mais tarde falaram de um tal de Osama Bin Laden, Al Qaeda e que aquilo era um tal de terrorismo.

Fazendo um salto de pouco mais de nove anos, cá estou eu. E vendo o que a galera anda falando sobre o homicídio em massa no colégio do Realengo, no "Rîdijanero". Não achei interessante o acontecimento, achei interessante os comentários que foram tecidos e ver a reação das pessoas. Quatro pessoas me falavam de "terrorismo".

A três dessas eu respondi. Disse que isso não foi terrorismo, pois embora tenha vitimado muitas pessoas, não tinha um caráter ideológico, governamental ou religioso por detrás. Talvez até tenha um caráter religioso, mas em um país como o Brasil, com grande maioria cristã, você acha que alguém teria coragem o suficiente de dizer que um "terrorista cristão" teria chacinado "vítimas cristãs"? Acho difícil, embora que dê pra se levantar essa hipótese por meio da carta do tal assassino que nunca comeu ninguém.

Mas não será levantada essa hipótese. Sabe porquê? Porque as pessoas têm medo disso. Começarão a dizer que aqueles crentes que derrubam pessoas no meio dos cultos podem vir a se tornar eventuais terroristas por acreditarem que o mundo está perdido porque todos estão se comendo uns aos outros antes do casamento, praticando a famosa "fornicação". Igual ao que o Wellington Menezes de Oliveira disse em sua carta.

Imagina se eclode uma espécie de "Contra-Reforma do século XXI" em pleno território tupiniquim? Por isso ninguém cogita. Mesmo que tenham falado por aí que ele era Testemunha de Jeová. Afinal estamos no Brasil, onde (na teoria) não temos preconceito com a religião nem etnia de ninguém.

Mas, tomando como fatos que são publicados, e a maneira com que são publicados, foi terrorismo, tio Alain? A resposta é... NÃO! O maluco não queria derrubar governo, nem explodir Mecca, nem tampouco defender os direitos dos negros matando gente. Ele apenas tinha uma arma, vontade de matar e fez.

Foi horrível? Foi, oras, isso não estou negando. Matar pessoas nunca é o correto, e crianças menos ainda.

Ponto.

Próximo assunto: o cara era maluco? Pelo visto, era. Fazia até tratamento psicológico. Começaram a aparecer assuntos sobre bullying nos jornais. Eu não sei, muita gente fala que bullying é besteira. Mas a todos que me falavam isso tenho certeza que eram os mauricinhos ou patricinhas da época da escola. Eu sofri bullying, eu era o típico gordinho da sala, poucos amigos, que ninguém achava engraçado.

Sou meio desiquilibrado? Sem dúvida nenhuma que sim! E sou feliz do jeito que sou. Saio matando pessoas por aí? Isso jamais.

Mas tio Alain, se você é foi vítima de bullying, porque não mata pessoas em escolas igual o Wellington?

Primeiramente, eu tenho princípios. Não acredito nem que se deve punir pessoas para ensinar coisas, muito menos matar. Durante a vida profissional tive que ouvir de inúmeras (muitas mesmo!) pessoas coisas do gênero: "o mundo coorporativo não está nem aí pra você e seus problemas". E isso foi muito contra os meus princípios, pois sempre estive disposto a ajudar e dar uma mão a todos - sem exceção. É correto? O mundo diz que é. O que Wellington Meneses de Oliveira fez é correto? Óbvio que sim. Na visão de mundo dele.

Viram só a diferença? São os valores de cada um. O cara entrou pra matar, achava que matar crianças era o que tinha que ser feito e o fez. Eu acho que isso é errado, você acha que isso é errado (provavelmente) e muitos acham que isso é errado. A única coisa que não concordo é o cara virar um mártir. Se for pra virar mártir, prefiro que vire um terrorista.

Aí fico vendo mó galera nas ruas com medo de qualquer pessoa que pareça meio desmiolada. Ficam pensando que a qualquer momento uma pessoa bizarra pode chegar e matar uns quarenta. Esquecem que existem algo chamado bandido, ou você acha que uma pessoa que ameaça sua vida, ou até a tira de você, seja uma pessoa de valores "comuns"? Assim como Wellington, que praticou esse crime, os bandidos vivem na perspectiva de que não tem nada a perder, afinal eles pensam que não tem nada. Porque a tevê diz que eles não têm nada. Porque a sociedade diz que eles não têm nada. Porque o mundo coorporativo diz que eles não têm nada.

E assim caminha a humanidade. Permanecessemos reféns de um sistema podre de sociedade, que acaba com os sonhos, com nossas vidas e tudo mais. Somos uns covardes que abaixamos a cabeça pra tudo. Até que chega um Wellington, um Lindenberg, um Nardoni (tantos nomes chiques que até me sinto em Miami!) e nos tira desse hipnotismo diário.

Depois eles saem, pessoas esquecem, e voltamos a nossas vidinhas medíocres esperando chegar uns filhos, um emprego novo, filhos, o chefe chato, e assim caminha a humanidade para o seu fim. Simples assim. E não podemos fazer nada porque você acredita que nada pode ser feito, mesmo tempo o poder para tal.

Ponto final.

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