domingo, 6 de novembro de 2011

"Você vive bem sozinho".

"Consigo ver a sua aura. Ela é grande, brilhante.
Dá pra ver que você tem luz".

Ela apareceu. Assim, do nada.

E ficamos juntos. Que sensação era essa? Acho que quando amamos temos medo. Eu a todo momento imaginava que tudo poderia acabar. Deve ser neura de outras garotas. Vivemos numa sociedade líquida, trocamos pessoas com a mesma facilidade que trocamos de calças. Tudo depende do "momento".

Todos os momentos em que estávamos longe eu ficava nessa pequena paranóia. Porém a mesma sumia quando a encontrava, quando segurava na sua mão, ou quando via nosso reflexo, juntos, abraçados, de mãos dadas. Aquela sensação boa de sentir o seu cheiro doce, de quando nossos lábios se tocavam, nossos braços ficavam juntos.

Uma felicidade. Eu estava provando novamente aquilo que já fazia tanto tempo que não provava.

Pathos vem do grego. Para muitos significa "doença", mas existe outro significado. Significa "algo que não pode ser controlado" também. Era aquela saudade, aquela vontade de estar ao lado de alguém, ter uma boa pessoa pra estar do seu lado, desabafar, aconselhar e ajudar juntos a crescer.

Pathos é paixão.

Sem controle. Era assim, um sentimento puro e ingênuo. Todas as vezes que olhava em seus olhos dourados sentia que poderia ajudar, que não queria ser apenas mais um. Que queria ser especial. E que ajudando-a, eventualmente ela poderia me ajudar. E que ficaríamos juntos. E a sua felicidade seria a minha felicidade.

De alguma forma, embora seja totalmente diferente sua personalidade, ela me lembrava "ela".



E como era esperado, ela terminou tudo.

Nós não daríamos certo. E ela dizia propor esses desafios pois ela não é uma pessoa para qualquer homem. Fiquei triste, claro. Gostava dela. Sério. Achava uma boa pessoa. Amável, amiga, companheira. Era aquilo que buscava numa mulher.

Mas algo que ela disse me deixou marcado.

"Você vive bem sozinho".

Não no sentido de que sou muito sozinho. Mas que sou uma pessoa que vive bem sozinha.

Será que sou mesmo? Eu a vida inteira fui sozinho. Tive que ser assim. As pessoas não queriam me ajudar, diziam desde criança: "Se vira moleque, você não é quadrado!".

E foi assim quando eu queria crescer pra alcançar o interruptor do banheiro.
E foi assim quando eu tirava notas ruins na escola e depois tinha que me virar.
E foi assim quando eu disse que queria tomar minhas decisões da vida sozinho, pois não queria que ninguém se metesse nas minhas escolhas.
E foi assim quando no TCC, nos trabalhos onde tinha que carregar tudo sozinho, .

Mas e esse desespero?
O tempo vai passando e vou vendo que a única pessoa que sempre pude contar era eu mesmo. Era somente eu e eu mesmo. A vida inteira. Mas... Até quando serei forte desse jeito?

Todos tem um companheiro. Mas a minha companheira sempre foi "eu". Porque tinha que ser assim. Não fui criado pra ser dependente. Para ser assim tem que ser forte. E arrancar forças da onde?

Fiquei refletindo.
Existem males que vem para o bem. Mas será que as coisas tem que ser tão duras?

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