terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O pobre garoto romântico.

E lá estava eu. Numa mesinha do saguão do GRU. Comendo um croissant e um café expresso - que custou um olho da cara - vi ele olhando pro celular, triste, e levantando. Disse que já vinha e ia fazer uma ligação.

E ele volta, meio triste. Mas uma tristeza com um pouco de esperança. Ele sentou-se na minha frente, e como quem quisesse um conselho fraternal e comentou:

"É difícil se despedir de alguém que você gosta, né?", ele comentou, olhando pro chão, cabisbaixo.

Eu olhei, fiz uma cara de bunda e respondi na lata:

"Você por acaso COMEU ela?", eu perguntei.

"Não", ele respondeu, balançando a cabeça.

"Nem mesmo uns BEIJINHOS?", de novo perguntei.

"...Não.", ele respondeu, dessa vez dando um sorrisinho.

"Então não perdeu nada. Se pelo menos tivesse comido isso mostraria que existe alguma coisa entre vocês. Como você não comeu então não tem que ficar triste em se despedir. Mulher é assim, elas tão nem aí pra você, vê se acorda!", eu disse, sendo bem duro.

Ficamos em silêncio por um momento. Vi que ele tava realmente triste. Achei que fui meio duro com ele. Digo, não é porque eu tenho uma outra visão das mulheres que ele era obrigado a compartilhar a mesma. Eu via nele como eu era antes, um garoto criado pela mamãe pisciana romântica e sonhadora, que via filmes românticos e se emocionava. O garoto que se declarava de amores para várias garotas e sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre levava aquela bela duma bota. 

Não é que eu desisti do "amor", mas eu o guardo para alguém que realmente valha a pena. Alguém que eu realmente tenha um enlace. Alguém que eu realmente leve pra cama. Alguém que eu realmente consiga dividir um pôr-do-sol abraçado. Não tenho motivos pra ficar sofrendo por alguma garota que sequer beijei na boca e ficar sonhando com quem nem transei. Tenho que continuar confiante, continuar investindo e... uma hora chega. Simples. Esse papo de "amor" deve-se guardar para quem quiser algo sério mesmo. Até lá, a gente se diverte com as erradas. Esse é o espírito da coisa que eu demorei anos a entender.

"Escuta... Você só vai ficar um mês fora. Vai passar voando e logo logo você volta. Aproveita lá, tem muita menina bonita na Inglaterra. E as européias dizem que elas dão o rabo em qualquer canto pra você! hahaha!", respondi, descontraindo.

Ele deu uma risadinha. Me senti melhor.

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