terça-feira, 24 de abril de 2012

Pensando em religião fora do escopo da crença.

Eu estava pensando em escrever esse post há muito tempo. Quero ver se consigo botar "no papel" as reflexões que cheguei.

Já encontrei muita gente que era contra religião. Eram daquelas que afirmavam que era nada menos que o ópio do povo, que a crença em algo superior as faziam inferiores, especialmente num mundo hoje onde a lógica grega reina.

Sim! No ocidente, e praticamente no mundo inteiro, reina-se a ciência da lógica. É uma herança dos gregos, com seus cálculos. Mesmo que eles tenham um grande Panteão de deuses e semi-deuses essa influência veio principalmente de um movimento artístico-cultural chamado Neoclassicismo, em meados do século XVIII.

Não é ruim! Graças a isso conseguimos avançar na ciência. Hoje temos a tecnologia ao nosso dispor. Junto do classicismo veio a diminuição do poder do Clero, que tinha criado coisas sanguinárias como a Inquisição no período barroco (séculos XVI e XVII).

Mas talvez bem antes disso as religiões tenham perdido um pouco de seu misticismo. Pessoas começaram a entender literalmente as coisas, esqueceram de refletir, de questionar. Passaram a apenas aceitar. Afinal vivíamos num mundo ocidental com seu poder do Clero. E depois, com a chegada do Neoclássico seus poderes caíram mais, e dificilmente a religião voltou a ser algo profundo. Pois exatamente as pessoas ficaram preguiçosas. Os sacerdotes também.

Talvez hoje com a crescente popularização da Ciência Noética a coisa comece a mudar um pouco. Curiosamente ou não, a ciência noética, que busca a ciência dentro de coisas antes consideradas místicas tem sua origem etimológica exatamente no nous, que eu já expliquei no post anterior.

Qual minha posição sobre essa rolada toda?

Vamos pensar religião fora do escopo da crença. Cada vez mais pessoas dizem que as pessoas não precisam mais de religião. Um grande movimento ateísta está surgindo. Uns tem embasamentos teóricos fortes, outros apenas querem o fim da religião pois eram obrigados pelo papai e mamãe a ficarem sentados no banco durante as missas de domingo.

Muita gente tem o grau de "Doutor da Filosofia". Que é o nível em que você entende tanto algo, todos seus mecanismos que você entende a coisa por ela mesma. Difícil de entender, né? Imagina que você tem um carro. Para as pessoas comuns o carro não passa de uma lataria. Mas os doutores da filosofia de um carro, por exemplo, entendem que existe um conjunto de coisas dentro daquilo que fazem aquele treco andar pela rua. Um conjunto de motores, câmbio, rodas, etc.

Somos nada sem a filosofia. Nosso pensamento se torna vago, e não conseguimos ver nada além do que nosso próprio rabo.

Algumas dessas pessoas que dizem querer o extermínio de religiões apenas entendem o superficial delas. E não estou falando de fé. Estou falando que religiões são verdadeiros tratados filosóficos, análises do ser humano dentro de um todo e também "dicas" para que o ser humano evolua dentro da sua comunidade como indivíduo.

Resumindo: religiões no fundo fazem as pessoas crescer como indivíduos desejando o bem das pessoas ao seu redor, e não necessariamente apenas a submissão a uma vontade maior. Por isso são mais do que necessárias para uma comunidade humana evoluir.

Vamos lá! Não vou dar exemplo de cristianismo, nem de budismo. Vou dar um exemplo dentro do Islã, afinal, existe uma grande colônia árabe nesse país, e devemos cultivar essa harmonia! Eles também são legais (e as árabes são bonitas com aqueles olhões expressivos e lábios generosos! Especialmente as persas, nossa... Casava com vinte!).

O Islã tem cinco pilares. E logo o primeiro pilar diz a respeito de que "Não existe nenhum deus a não ser Alá, e reconheço Maomé como o seu profeta". Parece total alienação para alguns, mas não é. Existe uma filosofia nisso.

Maomé é considerado o último profeta do Islã. Ele é mais ou menos como Jesus, pegou uma religião e fez uma releitura dela, juntando aspectos tanto do judaísmo como cristianismo (Jesus é venerado também no Islã) e criou o Islã.

Islã é machista? Nops! Maomé nunca disse nada do gênero no alcorão. Eles são até bem mais flexíveis. Isso veio da sociedade. Jesus mesmo, já naquele tempo, dizia algo que quando não tiver um homem para sustentar a família, a mulher deve trabalhar pra trazer o pão.

Quando se aceita Alá como único e dominante deus, você dá um título a Maomé como seu profeta. E Maomé escreveu o Alcorão, logo o livro sagrado é a lei. Não focaremos na parte sobre sermos servos de Deus, mas na verdade ajudarmos o nosso próximo, nos desprender do nosso ego e ajudarmos nossa comunidade. Nas religiões pregam isso como pecado, mas isso na verdade são coisas essenciais para que o ser humano exista e seja agente de melhoramento da sua comunidade.

Os outros pilares do islã é, fazer as orações diárias, que permitem, por exemplo, o ser humano ter uma noção de compromisso. Ter um compromisso ajuda o ser humano a crescer, pois o torna responsável. Pode ver, muitos pais exigem bastante responsabilidade dos seus filhos, e eles cresciam rápido e ficavam fortes rápido.

Outro pilar é a doação de dinheiro. O dinheiro em si é algo que fode a vida. Ter dinheiro nos faz sermos egoístas e querermos fuder o outro. Isso é danoso para o crescimento da sociedade, especialmente quando muitos têm muito e outros têm pouco. De acordo com as leis do Islã o dinheiro de quem tem muito é aplicado na própria comunidade para seu crescimento. Por motivos óbvios, acho desnecessário justificar. Tá na cara seu significado!

Outro pilar é o ramadã, onde existe o jejum e as festividades. As pessoas só focam na parte que diz sobre "deve-se ter total obediência a Alá", quando esse período eles são obrigados a refletir e levar suas vidas com menos raiva, maior bondade ao próximo e benfeitorias. É o período que eles dizem estar mais próximos de Deus, mas estão na verdade refletindo seu comportamento por meio do jejum, tentando levar suas vidas de modo mais generoso.

E por fim, a peregrinação pra Meca, o último dos pilares. Isso é essencial para a questão de "dividir a filosofia". Uma religião não é formada por uma pessoa, e sim por várias. E dentro das práticas, as pessoas refletem. E dentro dessa reflexão, elas dividem suas experiências com os próximos e essa troca de ideias e testemunhos é um trabalho voluntário de se doar ao próximo, sugerindo, ouvindo e ajudando. E além de tudo isso, criam um espírito de união, o que o faz sentir-se dentro de um corpo ainda maior, firma-os dentro do ensinamento de seus líderes, e os fazem levar vidas melhores.

Vendo sem a questão da fé, as religiões fazem muito mais lógica, não acha?
(que post grande do caraio!)

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