sexta-feira, 20 de abril de 2012

Tão perto. Tão longe.

Essa estória aconteceu há alguns verões comigo.

E então ali estava eu. Disse que acompanharia pro hospital, que aquilo não seria nada. E de fato, fomos. Ficamos aguardando você ser chamada lá, abraçados. Você havia comentado algo sobre como estava triste sobre algo que tinha acontecido naquela manhã, e eu disse que te ajudaria, sem problemas, iria dar tudo certo.

Médico te chama. Depois da consulta você me chamou pra eu ir com você. Levei minhas coisas e sentei no banco, te esperando. Não resisti e fui fazer uma graça enquanto você estava deitada lá, pra te animar. Segurei sua mão enquanto o procedimento estava começando.

Na primeira vez que peguei na sua mão, foi pra pedir desculpas. Na segunda vez que peguei na sua mão, foi pra dar risada. Dessa vez, foi pra te apoiar, pra te dar força.

E ficamos ali conversando. A hora passou voando. Não vou te dar broncas, somente tenho boas recordações de você. É algo um pouco difícil pra mim, espero que entenda minha situação.

Um tempo passou. Te acompanhei num lanche e depois para fora do hospital. Fomos caminhando até a estação. Estávamos de mãos dadas e sentia essa troca de energia. Não apenas isso, parecia que tinha um imã nas nossas mãos, sempre que elas se separavam lá estavam de volta, juntas. E éramos nós dois juntos naquela cidade, andando nas luzes da noite, como um casal que se conhecesse há muito tempo.

Acho que sentia que aquilo poderia ser o começo de algo grande. Todos os atores estavam no palco, só faltava a atuação.

Já na estação estávamos sentados aguardando. Foi naquele momento de silêncio, que nossos lábios iam se juntar que você virou o rosto bem na hora. E me abraçou sem jeito, e eu sem entender nada. Seja bonzinho..., você sussurrou. E eu lá, sem reação. Tão perto, tão longe. Mas, oras, eu sou "bonzinho".

E então a hora passou. O próximo trem era o meu. O destino era diferente do seu, mas eu queria continuar pelo menos agarrando aquela sua mão. Você dizia que você não prestava, que tinha problemas, mas eu disse que gosto de você exatamente do jeito que você é, sem tirar nem por mais nada. Foi por essa pessoa que meu coração bateu mais forte, logo não quero que mude nada pois eu gostava de você do jeito que você é.

Você sorriu meio sem jeito. Mas já era a hora. Você foi andando até a escada, mas eu ainda tentava segurar sua mão, que ia ficando longe, longe, longe, até as duas se separarem. Fiquei em pé vendo você subir as escadas e mesmo depois de um tempo que você foi ainda fiquei lá, em pé. Minha mente em branco. Meu coração em pedaços.

Tão perto. Tão longe.

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