quinta-feira, 20 de junho de 2013

A revolta pelos vinte centavos.

Subiram a tarifa dos transportes públicos em quase todo o país. Em São Paulo foi um reajuste de vinte centavos. A manifestação é claro, foi "demonizada" de início, mas como eu disse em outro post, as mídias sociais mudaram tudo.

Foi errado o vandalismo, mas vandalismo ocorre em diversos países. Ou você acha que aqueles levantes populares na Europa por causa do emprego são totalmente pacíficos? Ou mesmo as revoltas árabes para tentar colocar alguma democracia por lá? Sempre tem, querendo ou não.

Mas eu queria levantar outra questão. Uma questão que eu ouvi das muitas conversas que eu tinha com motoristas de ônibus. Esse é o ponto de vista deles, especialmente na questão da tarifa. E que depois, graças a alguns dados que saíram por aí, me confirmaram outras coisas.

A primeira é que existe de fato uma diferença entre antes da Marta Suplicy e depois dela. Mas não quer dizer que melhorou. Antes dela as empresas eram controladas por uma grande máfia (e continua sendo, qualquer motorista fala), e isso inclusive era um dos carros-chefe da propaganda dela: depois dela o transporte deu um salto de qualidade.

Vendo esse gráfico dá pra ter uma noção. Marta governou São Paulo de 2001 até 2004. Em 2001 era R$ 1,25, terminou em R$ 1,70.

O que os motoristas me contavam era que o que a Marta fez foi simples: primeiro deixou a máfia nas mãos de apenas quatro pessoas. Que são os líderes de empresas e consórcios como Consórcio 7, Transkuba, VIP, UniSul e todos aqueles adesivos que a gente vê grudado nos ônibus. Não sei se isso é verdade, mas é um ponto de vista do motorista. E, concentrando a liderança das empresas nessas quatro pessoas o lucro não seria tão grande e teria mais controle.

Mas aí aparentemente uma segunda coisa aconteceu: com exceção daquela empresa dos ônibus laranjinhas, a Cooperpam, as empresas diminuíram muito o salário dos motoristas de ônibus, o que transformou hoje em uma carreira muito similar de professores, salários baixos, jornadas inesgotáveis e estressante, afinal se um carro já é difícil de andar, imagina num ônibus carregando sempre mais um?

Resultado: existem até ônibus parados que não conseguem ir pras ruas por falta de motoristas. Muitos motoristas que conversei delatavam isso.

Logo, de acordo com esses motoristas, é um sistema que cada vez mais caminha pro seu fim. Dizem que o número de motoristas é cada vez menor. Tudo para pagar menos e sobrar dinheiro para esses quatro grandes chefões das empresas de ônibus em São Paulo.

Porém, eu sempre me perguntei: Tá, se a tarifa acompanhasse a inflação, ela seria de R$ 2,16, não de R$3,20. Pra onde estão indo esses R$1,04?

Usando meio a filosofia do Zeitgeist Addendum, a resposta que tenho é como no filme "Money is debt, debt is money" (Dinheiro é dívida, dívida é dinheiro).

Uma vez tive acesso a um interrogatório de um grupo de malucos que ajudaram a criar essa Crise Econômica Mundial, e eles, debochando, diziam: "O problema não somos nós agindo de maneira anti-ética lucrando rios de dinheiro em cima da economia, e sim o seu governo que não cria limites para que nossa atuação seja menor".

E devo dizer que a coisa toda não é muito diferente daqui, em diversas áreas. O governo hoje disse que teria que tirar de outras áreas o dinheiro pra custear. Porém o lucro dos empresários continua exorbitante, como eu vi nessa matéria que confirma o que os motoristas me falavam. E uma vez que é setor privado, e levando em conta o "lucro Brasil" por meio da ganância de tantos, eu fico pensando onde está dito que o transporte público é considerado público mesmo.

É uma máquina de fazer dinheiro cujo destino é incerto. Campanhas políticas? Lobby? O Kassab no final do governo comentou isso. E a vida caminha nessa. Políticos seriam perfeitos se defendessem mais os interesses do povo do que os de meia dúzia de empresários. Mas infelizmente aqui, nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia, esses mesmos grupinhos andam muito próximos, e tem hora que ainda pergunto: haverá esperança?

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