terça-feira, 18 de junho de 2013

Protestos e mais protestos.

Revolução!

Não achava uma hora melhor apropriada para toda essa onda de protestos como agora. E existem dois argumentos contra que são muito usados. Primeiro que é movido por algum partido político, provavelmente em oposição ao governo. Bom, sinceramente, todos são contra o governo, seja PSDB, seja PT ou seja PQP. E apoio ele não ter nenhum partido.

Grande parte desses jovens são apartidários e acho que essa é uma das maiores tendências de hoje. Não adianta, se os dois maiores partidos são ladrões, não existe crença em algum que seja ético. E tem ainda aqueles aproveitadores, que carregam bandeira do PSTU no meio das passeatas e querem transformar naquele festival de bandeiras igual é coisa da CUT. Nesse momento que as pessoas deviam mostrar unidade não de partido contra partido, mas do povo inteiro contra o governo, pois os dois maiores partidos são os maiores exemplos de lobby e corrupção.

E o segundo maior argumento é que é apenas contra a tarifa dos transportes. Não! Talvez no começo sim, mas hoje não mais. Você vê mesmo pessoas com diversos cartazes diferentes, reclamando da Copa, violência e tudo mais. Só que a própria pluralidade do protesto que acaba dando um tiro no pé, e os jornalistas pra facilitar divulgam como se fosse protesto de apenas aumento na tarifa quando não é.

Uma coisa engraçada que estou vendo é que estamos vendo uma nova mídia surgindo. Jornalistas nasceram com aquele ideário libertário, de ajudar o povo divulgando notícias. Mas jornalismo são atrelados a empresas, e empresas sempre são podres, muito podres. Divulgam o que querem e do jeito que querem. Aquela ideia de liberdade é bullshit hoje em dia, e a maior prova é o grande número de opiniões divergentes do que a imprensa divulga que as pessoas compartilham por aí via ustream, instagram, twitter e afins.

Outra nova discussão é se em pleno século XXI e em uma sociedade democrática devemos ter uma instituição de policia militar. A Polícia em caráter militar é uma polícia meramente política, que defende os interesses do estado em países não democráticos. Aqui no Brasil usamos o mesmo termo, uma vez que ela foi herdada dos tempos de ditadura. Porém, o modelo internacional de polícia militar seria algo similar à Polícia Estadual (PE).

A diferença é não ter uma estrutura militar, e empregar outros meios, especialmente na questão de manter a ordem. Tem tantos criminosos em Nova Iorque como em São Paulo, e lá policiais usam arminha de choque pra parar os vagabundos e aqui usam rifles. Basicamente ao invés de chegar na base das balas de borracha, chegar organizando a rolada toda de uma maneira mais pacífica, e deixar a parte mais radical pros pelotões fortes, como a SWAT lá e o GARRA aqui em São Paulo. A maior prova tá aí: depois que eles decidiram não usar meios de repreensão as manifestações foram relativamente pacíficas. Alguma dúvida?

Mas uma coisa ainda me deixa encucado: Vai funcionar essas manifestações todas?

Aí que eu acho que o papel da imprensa internacional é mais que necessária pra ajudar a acelerar as coisas. A anistia internacional e a ONU caíram em cima pedindo que os protestos machucassem menos e prendessem menos. Acha que isso não está queimando a imagem do Brasil lá fora justo agora que o mundo inteiro olha pra gente?

Algumas coisas estão começando a me dar nojo. Primeiro é abrir o Facebook e ver essas menininhas que estudaram em UniNada da vida posando sorrindo pra fotos. Eu posso estar sendo chato, mas pra quê posar de gatinha com cartaz enquanto o mundo tá quebrando lá fora? Acho que as redes sociais podem (e devem) cumprir um papel muito mais importante: ser uma mídia independente, especialmente agora que está pressionando de tal maneira deixando em dúvida o poder de grandes conglomerados.

O segundo é que eu acho difícil ter uma mudança realmente forte. Não estou querendo tirar as esperanças dos manifestantes, eu apoio completamente o povo ir às ruas e apoio inclusive que quebrem tudo. Os reais engravatados cheios da grana (e nem tanto os políticos, mas os empresários responsáveis por tantos lobbies nesse país) estão ainda dentro de suas BMW observando de longe a situação toda. Talvez se o modelo empregado fosse igual de países desenvolvidos, limitando o lucro dos empresários, e por lei obrigando a distribuírem melhor e renda e diminuir os impostos. Viu? Não precisamos de levantes comunistas, precisamos de um capitalismo justo.

Porque esse levante não ocorreu antes? Simples. Hoje temos uma elite bem mais forte do que há anos atrás. Quando uso o termo "elite" não estou falando de pessoas endinheiradas - continuamos um bando de pé rapados que vivemos na casa da mãe - mas pelo menos temos estudo. E com as redes sociais, temos chance a uma opinião. E opinião cada um segue a sua, mesmo que aja um "bem comum".

Resumindo: mesmo que você more no meio do Grajaú, tenha ido lá na sua UniNada e "aberto os olhos", você já pode ser considerado de elite, mesmo que more no meio da favela do Horizonte Azul. Mesmo até que você não tenha feito faculdade e saiba fazer outra coisa na internet do que ficar mandando aqueles recadinhos cheios de memes ou indireta "prazamiga" que estão dando em cima do seu namoradinho no "Feice". E isso foi graças ao acesso de conhecimento e informação. E essas mesmas pessoas se organizam em número cada vez maior pra fazer algo acontecer.

Quem é pobre mesmo está pouco se lixando pois infelizmente a cabeça deles está muito fechada em chegar em casa cedo e assistir a novela das oito. Mesmo gente de classe média é assim. Gente velha é assim também. Mas como eu disse, estar dentro do grupo "elite" não tem nada a ver com poder econômico, tem a ver com pura e simples capacidade mental e opinião própria. E ainda bem que essa elite cresceu.

Espero que continuem tudo. Infelizmente o buraco é bem mais embaixo. Mas o objetivo maior é fazer com que a palavra "político" realmente faça por merecer e defenda os interesses do coletivo. É pedir demais?

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