segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Chicago 2013 - Dia 7 - Back to Brazil.

Desembarcamos pelas nove da manhã no GRU.

Sempre que eu saio por aquela área de desembarque do GRU, eu sinto como se um fardo saísse das minhas costas. Fui até a agência do câmbio pra trocar o dinheiro. Meu pai pediu para eu ir até Congonhas que ele me pegaria lá.

Fui comprar um ticket do Airport Bus Service para Congonhas então. Na espera do ônibus disse pra Denise o quanto estava feliz em estar de volta, e que pedia muitas desculpas por qualquer estresse que tenha rolado.

Não foi lá muita coisa, mas sempre nessas viagens eu sinto que cresço muito com cada pessoa que eu encontro. Acontece! Não acho que briguinhas entre amigos sejam ruins. O importante é estar lá para pedir desculpas, admitir que errou, e continuarem da onde pararam. Eu tenho muito a aprender, mas tenho ótimos professores como essa japonesa tampinha juntos de mim! =)

No ônibus, fiquei vendo a paisagem ali na rodovia de volta pra São Paulo e fiquei pensando. De fato, esse mundo é muito grande. Sabe, são pessoas que vivem em outros lugares, que até pouquíssimo tempo atrás jamais imaginaria que visitaria. Lugares que pisei, sensações que senti, paixões em cada país que pisei.

Mas além disso, comecei a refletir sobre tudo o que aconteceu até então. Recebi um convite pra participar de um fórum budista quando estava sem emprego, sem perspectiva de nada. Meus pais não gostaram da ideia, o futuro era uma incógnita. Aquilo tudo para qualquer pessoa seria uma grande oportunidade, mas pra mim naquele momento era um grande pesadelo.

Consegui um emprego inesperado. O visto americano, uma amiga disse que raramente eles dariam o visto pra mim com tão pouco tempo de serviço, mas ainda assim deram. A tristeza que passei em ver um grande amigo prestes a se matar um dia antes de eu embarcar, e toda a proteção e forças de ajuda que recebi lá. Não consigo ver tudo isso como a compaixão de todos os Budas para mim. Nada parece coincidência.

Eu via o céu de dentro do ônibus naquele momento. Fisicamente, eu estava sozinho. Mas eu nunca tinha me sentido tão abraçado por essa força dos Budas, que protegeram e guiaram toda a viagem. Pessoas de fora diriam "Nossa, mas você viajou de graça!", mas pelo menos pra mim, todas essas viagens com cunho religioso sempre significam mais. Ver os Budas, seja em cada céu de brigadeiro, cada flor, cada pessoa. Entender que talvez eu tenha uma missão, de transmitir um pouquinho disso tudo que aconteceu, e entender que tudo de ruim que passou me fortaleceu para que eu pudesse aconselhar mais e mais pessoas para que elas também superassem como eu.

Naquele momento, sentado no ônibus, eu chorei. Mas eram lágrimas de felicidade.

E pensar que há meses eu não via saída pra aquilo tudo. Por mais que dentro de mim dissesse "Calma, isso vai acabar!" o meu ego dizia que aquilo parecia algo eterno.

E esse meu amigo que me deu esse susto no dia da viagem? Mandei um e-mail pra ele. Ele me respondeu, e disse que tinha enfim conseguido um emprego, na segunda-feira que eu estava viajando! Muito bom, né? Não vou falar nomes, é claro, mas não consigo deixar de ver isso também como uma prova da imensa compaixão dos Budas.

Muitas pessoas vieram me dizendo "Nossa, mas você salvou uma vida! Impediu ele de se matar, e ele ainda conseguiu emprego!", mas não, eu fiz nada. No fundo, eu sou muito grato por ter ao meu lado uma força muito grande pra poder fazer exatamente isso: ajudar os outros mais e mais.

E agora? Pra onde eu vou agora?

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