segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Como se fosse uma gota d'água, descobrindo o que é o mar azul. (1)

Mal terminou um, começou outro.

A primeira coisa me falaram foi tenha gratidão quando acontecer coisas ruins. Só não me explicaram bem quando nutrir essa gratidão.

Quando voltei de viagem, em dezembro do ano passado, havia experimentado uma imensa felicidade. Viajar para o Japão e depois para a Inglaterra tornaram meu ano de 2012 único e inesquecível. Na minha vida, pelo menos até hoje, tive alguns momentos de grande êxtase de felicidade - mas sempre reparava que depois desse imenso êxtase, vinha também muitas dificuldades.

E foi assim. O começo desse ano foi dificílimo. De fato, havia gastado o dinheiro quase que todo na viagem para a Europa e Japão, aquele emprego antigo não me animava mais, mas o que mais dificultava era que ele era longe, e um lugar cansativo de se chegar todos os dias. Gostava mesmo era de passear pela Paulista, descer a Alameda Casablanca ou tomar um Starbucks ali na Alameda Santos com a Campinas.

Mas estava sem emprego, dinheiro contado que mal dava para sustentar até então as minhas maiores dívidas: pagar trinta reais mensais no meu portfólio online, taxa de manutenção do servidor e mais sessenta reais que gastei todos os meses na Catho, que não conseguiu me arranjar emprego no final das contas. Ainda assim eu pedia a compreensão da minha mãe: "Mãe, eu só queria dinheiro da condução pra eu ir pro templo".

Sabe, muitas vezes eu passei fome. Saía de casa com pouco dinheiro, comia umas bolachinhas que tinham no meu templo budista e voltava no ônibus com o estômago roncando faminto. O jeito era ver o lado bom da coisa, aprendi a dar mais valor ao dinheiro. Eu tinha um teto, comida em casa e banho quente, mas fora dela eu tinha que me virar.

Lembro também que era péssimo quando as pessoas vinham me perguntar: "E aí, conseguiu emprego?". Eu não sabia o que acontecia, ia para entrevistas, mas nada. Claro, o país, o mundo estava passando por muitas dificuldades desde a crise que começou lá em 2008 com o Lehmann Brothers.

Quando o telefone tocava, torcia para ser entrevista. E todo dia, eu mandava pra pelo menos dez empresas boas. Nada.

Eu sabia que eu estava em dificuldades, mas eu olhava ao meu redor. Tinha uma amiga que tinha sido demitida de uma firma anterior por ter problemas de epilepsia, e um outro que também tinha trabalhado comigo e não tinha conseguido trabalho ainda. Mesmo assim, eu orava por eles conseguirem trabalho, e que eles conseguissem antes de mim. Quando eles vinham me perguntar se eu estava bem, eu os confortava, dizendo que aquela situação logo ia acabar, e eles iam enfim conseguir emprego em breve, e pra não se preocuparem comigo.

Uma reforma acontecia em casa, tinham dias muito complicados, um deles inclusive enquanto trocavam o telhado acabou chovendo, e molhou muitas coisas em casa, me causando um imenso desespero. Ficava no Facebook e via que muitas pessoas sofriam, e eu, já que tinha disponibilidade de tempo, ajudava todos. Seja ouvindo, seja aconselhando, diversas pessoas.

Ficava feliz em fazer as pessoas felizes. E vi que pra isso não precisava de muita coisa, exceto tempo. E estando sem emprego, tempo era o que mais tinha. Logo, usava meu tempo quase que exclusivamente para conversar com as pessoas. Muitas conheceram o budismo graças a esses esforços, e alguns continuam firmes praticando até hoje os ensinamentos do Buda Shakyamuni.

Foi num e-mail que recebi que apareceu uma vaga de emprego, e aí essa estória se complementa com a de Chicago.

Nossa vida não é linear, então vamos juntar as peças.

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