quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Doppelgänger - #5 - Pétalas de laranjeira.

10 de novembro

Victoire não conseguia ver nada. Seus olhos estavam inchados de tantas lágrimas. Ela ficava abraçada ao caixão daquele homem que ela amou tanto. Amaldiçoava tudo e todos, e dizia pra si mesma que isso era a última coisa que ela queria que acontecesse.

Pouco depois Rockefeller chegou. Ainda amparado por muletas foi caminhando tristemente até o caixão de Al. Ele sabia que ele jamais era o alvo, o alvo era Al. Foi por isso que tudo aquilo tinha sido feito, uma vingança pessoal há muito tempo planejada por uma pessoa que - ironicamente ou não - era como se fosse um irmão gêmeo.

Muitas interrogações ainda estavam na cabeça de todos. Quem é Arthur, conhecido pelo codinome Ar? E porque ele, mesmo sendo muito parecido com Al, o chamava de "irmão"? Será que o próprio Arch voltou do mundo dos mortos? E se veio, veio justamente para matar seu querido irmão mais novo? Nada parecia fazer sentido.

Ar estava preso. Estava numa cela sozinha em alguma cadeia de segurança máxima da Inglaterra. Poucas pessoas vieram ao funeral de Al. Poucas flores. Poucos sorrisos. Muitas lágrimas.

Rockefeller se aproximou do caixão, mas não foi próximo da pequena janelinha que mostrava o rosto de Al. Ele não suportaria ver isso. Um homem de terno e óculos escuros se aproximou e entregou a ele uma pasta, com muitos papéis. Mal ele teria tempo de descansar, mas deveria desmembrar logo toda a gangue de Ar. Pela morte do seu companheiro, Al.

Rockefeller havia perdido o irmão mais velho e o mais novo.

Parecia karma.

Ele foi dar um abraço de consolo em Victoire, e não pode deixar de ver o rosto de Al. Foi aí que Rockefeller levou um susto. Cutucou Victoire, que o ignorou e continuou em prantos. Ele se aproximou e cochichou algo no ouvido da mulher que levantou e olhou pro rosto de Al naquela janelinha. Ela ficou abismada e parou de chorar. Olhou para Rockefeller e ficou com aquele ar de dúvida na cabeça.

Foi aí que seu telefone tocou.

Depois que falou nele, o desligou. Aquele era um sinal mesmo do que acabara de ver.

"Vamos, Victoire. Amanhã embarcaremos para uma nova missão".

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