quarta-feira, 30 de abril de 2014

Doppelgänger - #19 - Agatha, o exército de uma só mulher.

As duas estavam num café, sentadas numa mesinha dentro do local. Fazia muito frio lá fora.

"Terrorista econômico, essa é boa. Fazer o caos em nome do próprio caos, com certeza alguém deve estar levando muito dinheiro nessa brincadeira", iniciou Victoire.

"A questão não é essa. Se eles querem acabar com organizações e afundar economias de países em crise, sem dúvida isso é pra algo mais poderoso quanto. Sem dúvida os governantes muito menos os empresários estão se lixando pro bem estar da população média, isso não é novidade nesse mundo atual. Isso eclodiria conflitos e guerras por aí, e a consequência poderia ser catastrófica", respondeu Agatha.

"E o dinheiro que os terroristas ganham, pode ser usado pra incentivar exatamente esse golpe. Faz sentido nesse mundo onde as coisas só andam ficando mais caras, especialmente nos países de terceiro mundo", disse Victoire.

"Os últimos conflitos começaram por interesse político e logo depois se mostraram por interesse econômico. Governantes não estão interessados na democracia dos árabes, ou na pobreza da América Latina, ou nas insurreições comunistas do leste europeu, ou as crianças sendo estupradas na África. Tem muita grana em recursos, e se você destrói uma renda deles, os empresários vão investir mais e mais. Eu conheço muito o meio da Economia de Guerra, e posso dizer que mortes e conflitos sempre são o maior ganha pão dos empresários bélicos", respondeu Agatha.

As duas tomaram um gole de café. Agatha estava com o braço enfaixado, tinha sofrido uma leve torção no combate no bosque. As duas se olharam, no fundo nenhuma nunca gostou ou odiou a outra. Eram vidas diferentes, experiências diferentes.

"É muito bom a liberdade, né?", diss Agatha, "Só valorizei isso agora, que eu não tenho. Poder sentar aqui, tomar um café. Tudo bem que estamos sendo caçadas, mas sinceramente, é muito bom poder beber um bom vinho, trepar com algum desconhecido, e respirar um pouco de ar puro".

"Agatha, eu te entendo, mas temos valores diferentes", disse Victoire.

"Ah, qual é, Victoire", disse Agatha, num tom de deboche, "Sei que na verdade você ama o Al. Mas ele não sente nada por você. Sinceramente, pra alguém que só recebeu ódio como ele, é impossível ele amar alguém, embora talvez a relação de vocês seja a mais passional - se é que posso chamar assim - que ele tem com alguém".

"Eu o amo, mas ele jamais me amaria. E eu entendo perfeitamente, antes eu era cega de raiva com ele, pensava que ele tinha matado minha irmã, Émilie. Se eu soubesse disso antes, nunca teria feito o que fiz com ele. Al está morrendo, envelhece três anos a cada um. Está cheio de cabelos brancos, seus órgãos já estão dando sinais da idade, e sinceramente, não acredito que ele vá durar por mais dez anos", disse Victoire.

"Sabe, Victoire... Temos que aproveitar a vida. Dar pra quem quiser, beber o quanto quiser, sair pra onde quisermos sair. Al é cheio de problemas, eu acho já estranho um moleque ter crescido e se tornado um homem com tanta gente chamando-o de irmão do traidor. É uma alma solitária. Uma alma que sempre soube viver bem e sozinho. Ele não precisa de uma mulher ao seu lado", disse Agatha.

"Mas nós fazemos amor! E é tão... Bonito", respondeu Victoire, com seus olhos marejando.

"Trepar todo mundo trepa, mulher. Ele tem medo de transar com as mulheres com medo de engravidá-las, e sabe que você é a única pessoa segura que ele pode fazer isso. Não por meios contraceptivos, mas sim pela confiança que ele tem. Sabe... Eu estou presa fisicamente num local, o único sexo que eu sei é com esses meus dois dedos aqui. Já você, está presa psicologicamente, pois acabou com a vida de um homem dando-lhe a sentença de morte, e ainda quer que ele a ame depois do que você fez? Vê se acorda! Eu já fico abismada com o fato dele conversar com você, quem dirá transar com você!", disse Agatha.

Victoire pegou um guardanapo e enxugou as lágrimas.

"Pft... O que mais detesto é mulher apontando o dedo pra mim porque trepo com dois ou três caras ao mesmo tempo, enquanto você fica aí chorando por um amor que só uma tonta como você poderia nutrir. Se as mulheres tivessem um mínimo de amor próprio seriam bem mais felizes. Sinto nojo de você, francesa", concluiu Agatha.

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Nezha achou a mesa. Foi difícil sentar-se, pois ainda sentia muitas dores no seu abdômen. Tudo estava enfaixado, mas as coisas pareciam estar melhores.

"Realmente, é um menino de ouro, Nezha", disse Agatha.

"Nossa... Quanto tempo fiquei desacordado? Puxa... Que dor horrível", disse Nezha.

"Um dia mais ou menos. Não sei como, mas seu anjo da guarda parecia fazer hora extra. Um golpe daquele monstro detonou o crânio do velho Giuseppe, mas em você, quebrou apenas algumas costelas. Não sei também se ele estava com toda a força naquele pistão hidráulico, mas funcionou bem".

"O quê? Impossível. Mas como vocês escaparam?", disse Nezha.

"Agatha sempre carrega armas. Aquela bolsa dela enorme tinha um rifle de assalto e algumas pistolas semi-automáticas. Conseguimos rendê-los, mas acabaram fugindo. A polícia ouviu os disparos, mas quando eles chegaram, todos nós já tínhamos fugido", disse Victoire.

"Minha nossa... E eu, o único homem, não consegui fazer nada...", disse Nezha.

"Larga disso, garoto! Não é porque somos mulheres que não sabemos lutar. A sociedade adora pensar que somos fracas e incapazes, mas eu pelo menos consigo derrubar qualquer cara - seja com armas ou no próprio braço".

"Pois é. The real one woman army", disse Victoire.

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