terça-feira, 8 de julho de 2014

Doppelgänger - #29 - Milagre.

Agatha e Victoire se abaixaram num pequeno muro que havia na saída dos fundos da mansão de Löfgren. Eles eram silenciosos e sorrateiros, mas ainda assim não eram páreo para o grupo de soldados que vindo em furgões, se espalhando por toda a quadra, altamente armados.

"Agatha, chamaram os SO12", disse Victoire, com sua voz apreensiva, "Os caras da Special Branch já estão prontos pra entrar, e para não levantar suspeitas para a imprensa, acho que já vão entrar logo. Droga... Se eles encontrarem o Löfgren morto, e a Desert Eagle com minhas digitais, estamos ferrados. E pelo visto, o Rockefeller e aquela mulher devem estar é do lado deles".

"Não acho que dê para distraí-los de alguma forma, garotas. E como não temos nenhum armamento, obviamente nem tem como irmos de frente contra eles. Acho que teremos que nos entregar e depois pensar em alguma forma depois de escapar", disse Nezha.

"Nezha, imbecil, em que mundo você acha que vive? Acha mesmo que em pleno século XXI com terroristas e idealistas soltos por aí acham que vão apenas nos fazer algumas perguntas? Nós somos inimigos de Estado, e provavelmente as informações que temos seria confiscada até mesmo pela mais podre da imprensa, afinal ninguém quer se meter com esses terroristas da bolsa de valores. É o dinheiro deles que está em jogo, porque eles denunciaram algo que lhes dariam prejuízo? É melhor ter como manchete o filho da Kate Middleton... Vende mais", disse Agatha, dando um choque de realidade.

Só um milagre pode nos salvar, pensou Victoire.

Ao longe, uma pessoa olhando por um binóculo de um andar superior de um pequeno edifício a três quadras dali via a cena toda. Seus olhos não conseguiam deixar de ver Agatha. A pele branca e macia, os longos cabelos dourados e os olhos azuis. Seu rosto holandês com traços penetrantes, parecia um pequeno coelho sendo visado por um lobo. Um lobo sedento. Agatha era a presa.

Agatha de súbito sentiu uma dor, e caiu gemendo no chão.

Naquele momento a surpresa tomou conta de todos. Agatha comprimia a si mesma sobre seu ventre, como se ficasse numa posição fecal, fechando a boca com muita força para que não a abrisse para soltar um único gemido.

Victoire e Nezha não sabiam o que fazer. O que acontecia? Será que Agatha havia sido envenenada em algum momento? Difícil... Apenas se isso tivesse acontecido quando golpeou a mulher dentro da mansão, mas teria que contar também com que ela mesma estivesse preparada para tal.

Agatha arregalava os olhos e cruzava os braços sobre seu ventre. Havia virado o seu corpo pro lado, e Nezha tentava contê-la, segurando-a pelos ombros, enquanto Victoire, com seus conhecimentos médicos, tentava pedir pra que ela saísse daquela posição para que pudesse fazer algum diagnóstico.

"Droga, Agatha! O que é isso? Você está tendo uma... Convulsão? Você é epiléptica?", disse Nezha, ainda aterrorizado ao ver a morte de Löfgren há momentos atrás.

Uma lágrima escorria dos olhos de Agatha, que fazia apenas gemidos abafados com sua boca fechada. Victoire tentava com toda sua força separar as pernas contraídas de Agatha sobre seu ventre, sem sucesso. Foi aí que sem querer Victoire olhou pra região da pelvis de Agatha, e viu que ali estava muito molhado, mesmo na calça jeans.

"Minha nossa, isso é... Urina? Será que é algo na bexiga?", argumentou Nezha.

Victoire passou a mão na parte molhada da pelvis e cheirou a mão. Aquilo não tinha nenhum cheiro de ureia. Agatha percebeu isso e, mesmo segurando todo o gemido, deu um sorriso pra Victoire, como se ela mesma não tivesse entendendo o que estava acontecendo com si mesma. Os gemidos eram baixos e... Longos. Seus olhos viravam pra cima, sua respiração estava profunda, e seu corpo inteiro estava preso como se fosse por um choque. Estava arrepiada.

Aquilo não era gemido de dor. Agatha estava estranhamente tendo um orgasmo. E dos fortes.

A dor e o prazer são sensações muito próximas. E nós como mulheres somos os melhores seres para descrever esse limiar.

Afinal, a dor de algo entrando em nós ao mesmo tempo é cheio de dor e prazer. Parece que a sensação é de acordo com o psicológico de nós mulheres. Quando quisermos sentir prazer, a dor virará um orgasmo. Mas se quisermos sentir dor, sexo sempre vai ser algo torturante e com gemidos falsos.

Já estava de olho em você há muito tempo, loira. E só de vasculhar sua mente, ver todas essas cenas que você tem aí na sua memória com os mais variados tipos de pessoas me excita muito. Eu quero ter você... Só pra mim.

"Essa voz... Está ecoando na nossa mente. Por acaso isso é... Telepatia?", disse Victoire.

Sim! Telepatia. Você pode ser uma francesa, mas pelo visto é uma das poucas inteligentes que vieram daquele país. Eu sou Sara, sou a psíquica do Legatus. Posso livrar vocês dessa, mas vou querer ver essa loira pessoalmente... Me concentrar e sentir prazer me cansam demais, mas já consegui tirar uma casquinha dela.

Nessa hora, Agatha relaxou seu corpo. Estava ofegante, deitada no chão, com as pupilas dilatadas, transpirando. Pegou a manga do seu suéter e limpou a lágrima que havia caído do seu olho. Estava vermelha, não sabia do que mais sentia vergonha: de ter sentido um orgasmo poderoso de súbito, ou de ter sido controlada por uma das telepatas mais poderosas do mundo.

"Certo, você é Sara, né?", disse Agatha, baixinho, "Se você nos tirar dessa, vou aí encontrar você".

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O capitão Danny Archer estava apreensivo. Não sabia exatamente do que estava tratando, mas por ter recebido uma ligação da Interpol sem maiores detalhes parecia que o objetivo dele era levar os alvos vivos para eles. Nenhum detalhe a mais havia sido oferecido.

Talvez pelo fato de que sua filha, Jackie Archer era jornalista online do famoso tabloide The Sun, e que qualquer detalhe a mais iria com certeza acabar sendo alvo de algum comentário enquanto visitava sua filha em Haringey. Eram outros tempos... Nem todo tipo de notícia vendia arrebatadoramente como era antigamente.

Mas uma dessas sem dúvida venderia, e muito.

Três soldados entraram e encontraram Rockefeller com um saco de gelo na sua nuca. Parece que a pancada tinha sido dolorida, mas nada mais que isso. Ao seu lado estava a mulher que estava com ele, sentada numa cadeira, com os braços cruzados sobre sua barriga, massageando depois do golpe de Agatha.

"Eles foram por aquele lado. Vão em silêncio que vão pegá-los", disse a mulher.

Os três soldados foram andando, com suas armas em punho até o local apontado por Agatha. Podiam ver a mureta que os três estavam escondidos há pouco tempo. Os três de súbito deram um salto, afinal, tudo o que eles tinham eram o elemento surpresa.

Mas surpreendentemente, nenhum dos três estava lá.

"Capitão Archer. Os alvos não estão aqui. Precisamos de mais soldados para fazer uma varredura na mansão. Temos um homem baleado, sem sinais de vida", disse um dos soldados.

"Mas que droga...", disse Danny Archer, "Como eles escaparam?".

O capitão Archer não conseguia entender. Sentiu algo encostando na sua perna, mas quando virou, viu que havia nada.

Talvez eu esteja vendo coisas. Poderia jurar que vi um rapaz passando agachado do meu lado.

O que você diria se conseguisse ver, mas não conseguisse enxergar? Um golpe de mente, confusão cerebral. Tudo o que Sara havia solicitado era que os três saíssem calmamente da mansão pela porta de trás, que por mais que os guardas os vissem, eles não os conseguiriam enxergar.

De fato era uma grande telepata. Muito além do esperado.

E uma lésbica inveterada.

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