Juntos, somos completos. E quando me deixa, leva um pedaço de mim.


Por que toda vez que te encontro eu tenho que vir escrever? Como se a cada encontro eu tentasse te exorcizar de mim através das palavras, te esquecer, pois toda vez que te vejo eu me abalo profundamente de novo. E fico com vontade de te envolver em meus braços. E fico igual um bobo apreciando seu sorriso como se tivesse luz própria. E me perco em seu olhar cheio de doçura que me puxa, e me prende a ti, toda vez.

Eu estava com muito medo de te encontrar hoje. Mas eu sabia que havia a possibilidade. Como durante toda a cerimônia não vi nenhum sinal de você, nem dos nossos amigos em comum, achei que você não estaria lá. Mas eis que durante uma apresentação, vi você.

E a partir de então foi aquele imenso conflito interno acontecendo dentro de mim. Um lado de mim te vê como a mulher que tanto esperei nessa vida, que quer te puxar de canto, e te dizer como minha vida é vazia sem você. De como seu sorriso faz tudo ao redor ficar mais colorido. De como eu quero ter você aqui comigo, pra sempre do meu lado, e que por mais que eu tente viver sem você, é apenas com você que me sinto completo. Que sua voz me acolhe e me diverte como nenhuma outra. Que seu olhar me paralisa, querendo apenas me render pelo sentimento que tanto luto para suprimir.

Mas outro lado me afasta de você. Que sabe que esse amor é impossível. Mesmo que eu nem saberei quando te encontrarei de novo, afinal já deve ter acumulado umas mensagens ali na sua caixa de entrada em 2019 que você nunca me respondeu — e eu também nunca mais enviei nada.

Esse lado constantemente fica me dizendo que eu não quero nada. Que não tem como dar uma chance para algo que nem essa possibilidade existe. Então antes de almoçarmos hoje, você ali quando estávamos prestes a sair, você disse que não tinha como se perder em São Paulo, pois eu era o melhor guia para andar nessa cidade.

E isso me levou para aquele dia. Aquele nosso dia, que escrevi sobre isso há anos. Aquele dia que éramos como um casal de jovens namorados, comprando quinquilharias na Daiso, e andando na 25 de março, naquele dia feio, carrancudo, mas que foi talvez um dos dias mais felizes da minha vida.

E eu comentei que faziam sete anos desde aquele encontro.

Eu vivo sem ela. Quando ela viaja de volta eu sei que em alguns dias nem vou estar pensando nela. Mas toda vez que eu a encontrei, de maneira bem esporádica nesse intervalo, novamente me lembro como sou feliz só de ter sua presença perto de mim.

Que talvez sejamos mesmo dois corpos e um só coração. Que sempre que nosso olhar se encontra, você sempre abre um sorriso, ou brinca comigo. Que você me cutuca, muitas vezes sem querer, outras com carinho. Como até o timbra da sua voz fica mais doce quando conversa comigo, e novamente caio nesse seu olhar.

O olhar dela é a armadilha que está sempre armada, irresistível, que mesmo eu sabendo o que vai acontecer, eu pareço querer cair de propósito. Mas cair para quê? Pra ficar assim, como estou hoje, tentando colocar em palavras esse estranho amor que sinto por você, que me faz tão mal, que vai me fazer ficar abalado pela semana inteira, até que eu aceite que novamente ficarei sem te ver — e sabe lá deus até quando.

Na mesa do almoço me sentei longe de você. Mas na saída, como você é sempre demorada para almoçar, fiquei com alguns amigos te esperando. E quando um amigo nosso te perguntou seu sobrenome, fui eu quem foi na frente, e contou da relação com os sarracenos. E você ouvia minha explicação, e eu morrendo de medo de você achar que eu era um esquisitão por saber tanto sobre seu sobrenome francês, mas a verdade era apenas uma:

Eu sinto que combinaria. Um nome francês que eu tenho, junto de um sobrenome francês dela. Era algo seu que eu queria ter. Mais do que isso, essa razão seria algo muito raso. A única forma de conseguir um sobrenome seria com a desculpa de contrairmos núpcias, e sermos o casal de marido e mulher que eu sempre sonho há anos.

Uma amiga nossa em comum deu uma balinha, dessas com chiclete, uma pra cada um do grupo ali. Como eu fui o primeiro a receber, guardei no bolso, e brinquei que eu ainda não havia recebido a minha. Essa amiga brincou dizendo que eu havia ganhado, e naquele momento você pegou seu doce e colocou na minha mão: "Aqui pra você, fica com a minha então".

Por que você cuida de mim assim? Era óbvio que era brincadeira, eu acabei com duas balas, enquanto você ficou com nenhuma. E mesmo depois que eu as comi, guardei o papel, pois foi nele que você tocou. Como se houvesse ali um pedacinho da sua alma, algo que carregaria comigo, 

Pois eu nunca sei quando te verei de novo. 

E quando sei que você virá, tenho medo de te encontrar.

Mas quando te encontro, fico tentando te evitar.

No entanto você sempre dá um jeito de se aproximar, e ficar do meu lado.

E meu coração bate forte toda santa vez.

E eu fico assim no final. Escrevendo, tentando tirar essa coisa de dentro de mim para colocar em algum lugar. Textos que sei que você nunca lerá. E tentando levar a vida. Sem pensar em você. Sem ficar imaginando cenários em que seríamos felizes juntos, mas a verdade é que quando estou com você me sinto completo. E quando você me deixa, sinto falta do pedaço que você leva de mim.

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