terça-feira, 15 de julho de 2014

Doppelgänger - #30 - O fim.

"Arghhh!", eu acordei num salto, gritando.

Lembro que ao meu lado estava Agatha. Estava lendo um livro ao lado da cabeceira.

"Ora, bom dia, Al", disse Agatha, "Parece que aquela médium te botou pra dormir mesmo. Bem vindo de volta!".

Eu sentei na cama, ainda estava entendendo nada. Aquela sensação era similar a quando acordava, ainda meio pedido. Estava sem meu relógio, mas vi que estava junto das minhas coisas. Parecia que eu havia dormido por uns dois anos.

"O que aconteceu? Onde está a Ravena?", perguntei.

"Ravena está morta. Seu mestre parece que recobrou os sentidos e a matou. Mas você não acordava nunca, não entendíamos. Por mais que levássemos você em médicos parecia que você estava era imerso numa espécie de coma. Como um sono muito pesado. Mas agora parece que você acordou", disse Agatha, colocando seu óculos de leitura na pequena mesa, "Se passou quatro meses desde que você dormiu. Feliz ano novo, Al".

"A-ano novo? Merda...", eu disse, "E onde diabos está o Ar?".

"Preso. O 'n' entrou na equipe de investigação e nós fomos atrás dele. Pegamos ele ainda antes do Natal, prestes a dar mais um golpe econômico. Conseguimos provar nossa inocência, e conseguimos uma gorda quantia do governo como agradecimento", disse Agatha.

Eu não acreditava que eu tinha dormido todo esse tempo. Então a hipnose da Ravena era mesmo poderosa. Estado similar a um coma? Nossa. Agora sei como as pessoas em coma se sentem. Você acorda e parece que passaram uns dez anos, mas só se foram quatro meses. Vi o calendário na parede: 13 de fevereiro de 2013. Agradeci a Agatha e me levantei da cama. Tirei as sondas que me alimentavam e tiravam minha urina e fezes. Em uma hora estava com roupas prontas e saí do apartamento pra dar uma volta.

Agora eu tinha uma vida comum. Parece que eu não tinha sido muito útil no final. Os três haviam conseguido tudo com a ajuda de "n". Ainda precisava ver com meus próprios olhos, e agendei uma visita à prisão de Ar, dias depois que despertei do coma hipnótico.

Quando eu e o encontrei, Ar estava todo cheio de ferimentos. Parece que havia acontecido um combate bravo antes dele ter sido detido. Quando eu cheguei próximo à cela ele ergueu a cabeça e me viu entre as grades.

"Hunf... Como vai, irmão?", iniciou Ar.

"Eu não sou seu irmão, Ar. Sou o seu tio, corta essa", eu disse.

"Não acredito que me pegaram... Aqueles idiotas. No fundo o sortudo foi você que ficou dormindo e nem apareceu".

"Ar... Por que isso tudo? O que diabos você queria fazer manipulando o sistema econômico desse jeito?".

"Eu queria era acabar com essa merda toda. Achava que se eu fizesse isso, meu pai viria atrás de mim. Eu perdi minha mãe ano passado... Meu pai, Arch, era minha única família que restava".

"Ar!", eu gritei, "Quando você vai entender que o seu pai, meu irmão está morto! Nada do que você fizesse o faria vir te parar! Você causou isso tudo pensando que meu irmão viria como um paladino montado em um cavalo e te parar?!".

"Eu tinha poder, irmão! Eu estava acima do bem e do mal!", gritou Ar.

"Pft... Deixa pra lá. Você é um doente! Me arrependo de ter salvado sua vida. Espero que apodreça na cadeia!", gritei. E depois me virei e foi embora.

Sem dúvida esse não era o final que eu esperava. Mas aconteceu. Fui pego e fiquei fora de combate por um bom tempo. Dias depois fui retirar alguns documentos na sede da Interpol e comprei um bilhete só de ida para o país que vivo refugiado. Dessa vez, pelo menos, espero que eles não me encham o saco tão cedo.

E dessa vez, quem sabe, poderia enfim ser... Feliz. E ter uma vida normal.

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