sábado, 16 de agosto de 2014

Doppelgänger - #33 - Trigger.

Essa casa à sua direita com a porta aberta. Eu estou aqui.

As duas passaram pelo jardim e viram que a casa estava com a porta aberta. A casa era um sobrado com pé direito muito alto, mesmo sem precisar subir muito era possível ver ao longe o monte de policiais na frente da casa de Löfgren, pois estava no topo de uma ladeira.

“E ainda tem esse andar no topo... Tem uma janela aberta ali. Será que era de lá que ela observou tudo?”, questionou Victoire.

Mas Agatha estava um pouco apreensiva. Nunca tinha tido interesses por mulheres antes, exceto uma vez quando tinha uns treze anos e brincou de beijar na boca as meninas que estudavam com ela. Não gostava de mulheres, nem mesmo pra amizade. Sempre fora a menina que surrava os meninos na escola. E mesmo depois de adulta, sempre fora muito ativa sexualmente – mas nunca se interessou por mulheres.

Por outro lado, estava tendo que lidar com uma psíquica. O uso de pessoas com telepatia é um tabu em diversos países da Europa sobre seu uso dentro da Inteligência. No regulamento interno de países como a Espanha, a Inteligência do país vetara o uso de pessoas com telecinese inclusive dentro da própria polícia. Ler mentes de criminosos, basicamente, e assim auxiliar os promotores de justiça a conseguirem incriminar as pessoas com maior eficiência, afinal a justiça deveria ser feita – de uma maneira ou de outra.

Assim como o uso de médiuns, os governos sempre tentaram mostrar que isso era ficção. Que não existem pessoas mediúnicas, nem com poderes psíquicos, e que todos os méritos de um serviço de Inteligência se dava pela capacidade dos seus próprios agentes. E por mais óbvio que isso pareça, admitir o uso deles continua sendo um imenso tabu.

As duas subiram os degraus da casa, foram até o andar mais alto. E lá encontraram... Sara.

Sara era uma mulher bonita. Cabelo curtíssimo e feminino, loira, um tom loiro quase branco. Seus olhos eram azuis, e tinha uma maquiagem carregada e preta nos olhos. Sua pele era branca, e vestia uma roupa um tanto casual, um sobretudo marrom escuro, uma calça preta bem justa e uma botina sem salto. Estava sentada junto da janela, segurando um binóculo – provavelmente o mesmo que ela usara pra observar toda a ação na mansão de Löfgren, algumas quadras dali.

Hã? Cadê o Nezha? Merda... Será que ele se perdeu?, pensou Victoire.

“Vamos acabar logo com isso, Sara”, disse Agatha, determinada, apontando a arma para Sara.

“Eu consigo ler sua mente como um livro aberto, Agatha. Você nunca vai conseguir me acertar”, disse Sara.
“Não se eu atirar antes!”, disse Agatha, puxando o gatilho.

O tiro passou rente ao lado esquerdo da cabeça de Sara. Como ele pôde errar um tiro nessa distância?

“Eu disse, você nunca vai conseguir me acertar, Agatha”, disse Sara, caminhando lentamente na direção de Agatha.

Novamente Agatha empunhou a arma, mirou bem na testa de Sara, mas na hora de disparar, o tiro acabou passando pelo lado direito de Sara misteriosamente.

“Não adianta, Agatha. Você é minha. Quero provar um pouco dessa sua... Maturidade”, disse Sara, avançando dois passos.

O que se passava na cabeça de Agatha naquele momento? Seu corpo inteiro estava arrepiado. Vira Sara antes como uma pessoa que estava distante, como se estivesse a quilômetros de distância. Agatha se sentia segura, se sentia capaz de encarar ela e com apenas uma bala acabar com aquilo tudo. Mas naquele momento, o olhar de Sara parecia como a de um animal pronto pro abate. Cada passo parecia eliminar quilômetros daquela distância que a deixava segura. Seu corpo tremia, como se tomado por um medo que ela por mais que pensasse friamente, não conseguia imaginar da onde vinha.

Foi aí que algo aconteceu e mudou completamente a rumo da história. Algo que nem mesmo Agatha imaginaria. Ela sentiu algo gelado ao lado da sua testa, na altura dos olhos, e antes que conseguisse entender o que estava acontecendo, ouvira um clique.

Era Victoire, com a arma engatilhada.

“A-Ag-Agatha...!”, disse Victoire, como se tivesse sendo tomada por uma força tremenda, “Eu não consigo me mexer...! Meu corpo está... Se mexendo... Sozinho!”.

Nesse momento Sara estava na frente de Agatha.

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