sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Romances Disney e minha infância


Minha mãe praticava um pouco de lavagem cerebral da Disney comigo quando eu era moleque.

Esses dias tava passando "A Bela e a Fera" no Disney Channel e fiquei assistindo. Engraçado que eu lembrava de resquícios de falas do filme, e minha mãe me viu assistindo e disse: "Ah, você assistia direto esse filme quando era criança!".

E aí eu retruquei: "Bela e a Fera? Pensava que era a Dama e o Vagabundo".

"Esse também!", ela completou.

Eu quando era moleque eu achava aquilo mágico. Pouca gente dá atenção pra filmes como "A Dama e o Vagabundo". Muita gente curte sim "A Bela e a Fera" com todo aquele simbolismo da renascença Disney, mas ambos são grandes análises comportamentais que, se for vista muitas vezes, pode causar uma ligeira lavagem cerebral, talvez até ditar comportamentos dessas crianças quando crescerem, deturpando valores e comportamentos (olha eu sendo o cara apocalíptico!).

Em suma a Dama e o Vagabundo é um romance entre uma menina rica (ou nem tanto) que se apaixona por um cara que é um pé-rapado (ou nem tanto), mas a questão não é a ascensão social de uns e queda de outro, mas aquela crença de que o amor pode acontecer.

Sendo o rapaz um cara pobre e a menina rica, logo podemos concluir que: ela também deseja um cara rico, afinal, quem em sã consciência trocaria o Cal super rico pelo Jack Dawson-calça-furada (que tira seu sustento desenhando mulher pelada!)? Só a Rose mesmo (por isso que a única coisa factível no Titanic é o navio ter afundando, e olhe lá!).

Mas a ficção acaba sendo tão enraizada que em algum momento na vida acreditei que aquilo poderia ser possível. "Hora, se o Vagabundo conseguiu conquistar a Dama, eu também posso!", e aí batemos de frente com o muro das lamentações chamado... Realidade!

Esses dias uma pessoa que sigo postou o seguinte: "Preciso casar com um homem rico". Você e 99,9% das mulheres. Trabalhar que é bom ninguém quer né?

E dias atrás, uma outra postou um link do BuzzFeed sobre homens que são BFF (Best Friend Forever, dafuq!) de mulheres. Lembro que eu comentei: "É ruim ser BFF, é?", e ela fez um comentário sensacional: "Não, é pecado, perda de tempo. Mulher é pra comer".

GE-NI-AL. Hahahaha!
(não estou sendo sarcástico, gostei mesmo!)

Aonde eu quero chegar?

Sabe, o mundo trouxe muitas vantagens. Hoje mulheres não estão presas a casamentos arranjados como era com nossos avós. Hoje mulheres enfim conquistaram o direito da escolha, o que é ótimo! Não tem mais aquela de ser escolhida, elas podem escolher.

Porém, como invenção nova demora pra ganhar maturidade, com a nova habilidade veio um novo dilema: perdeu-se a capacidade de ser conquistada. Não apenas a da conquista, mas de deixar se apaixonar.

Hoje em dia tá muito assim: a menina quer um cara, e elege o cara o amor da vida. E só ele é possível. Só com ele que ela tem tesão e amor. Só com ele que ela quer casar e ter filhos. Se o cara der bola, ótimo, afinal como essa amiga me disse: mulher é pra comer. Mas se não der, ela continua metralhando, e não abre caminho para um segundo (ou terceiro, quarto, quinto) lhe conquistar. E isso não vi em uma, duas ou três. Eu vi em praticamente toda mulher jovem.

Falo conquistar mesmo. Não falo "pegar". Afinal é muito complicado ir expor o sentimentos e mostrar seu amor pra alguém.

Muitas amigas falam que eu sou um dos únicos caras hoje em dia que dá a cara pra bater e vai a luta mesmo. Que eu falo dos sentimentos para as mulheres, me declaro, mostro que é possível se relacionarem comigo, agindo como o Vagabundo da "Dama e o Vagabundo". Como elas mesmas dizem, os homens andam muito moles (isso significa que eu sou "duro"? Hahaha!).

Mas não vamos esquecer que o filme, assim como o comportamento das mulheres mudou. A Dama foi conquistada pelo Vagabundo, mesmo ele não tendo onde cair morto, sendo um vira-lata e que come lixo.

Porém, o filme é de 1955.

E isso muda tudo.

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