domingo, 16 de novembro de 2014

O que dizer dessa tal Lola Benvenutti, que nem conheço, mas considero tanto?



Agora há pouco tava passando os canais e vi uma entrevista da famosa Lola Benvenutti.

A Lola é uma quebra de paradigma social imenso, não por ela ser garota de programa e mostrar a cara, mas por ela admitir publicamente que curte sexo.

Acho engraçado como ela, sendo atualmente a prostituta mais famosa do Brasil, é diferente da que até então era a mais famosa, a Bruna Surfistinha. Eu li o "Doce veneno do escorpião" há uns oito anos, eu era adolescente cheio de hormônios, e óbvio que achei aquilo o máximo. Mas a Bruna Surfistinha tinha aquele ar de "Pretty Woman", que tinha sido "salva" por um Richard Gere. Ela mesmo admitia que tinha sido sortuda em arranjar um cara que tirou ela dessa vida.

Aí aparece Lola Benvenutti. Um golpe no machismo.

Lola gosta é da Audrey Hepburn em "Bonequinha de Luxo", não da Julia Roberts em "Uma linda mulher". E isso muda completamente a coisa! Não é a prostituta que sofreu, nunca conseguiu estudar, tinha problemas na família, até que chega um ricaço e vai se declarar na escada de incêndio com um buquê (mas eu ainda choro nessa cena toda hora).

Ela é a Holly Golightly, independente, que tem bom gosto, frequenta a alta sociedade e não tem vergonha dos seus gostos. Eu gosto muito do filme "Bonequinha de luxo" pois é um erotismo subjetivo (no sentido original, eros = desejo). Não por ser a Audrey Hepburn, que é linda e todo homem gostaria de casar com uma dessas, mas porque é um erotismo que mexe com a imaginação de nós homens sem mostrar nada explicitamente. Não tem seio, nem bunda à mostra, mas é incrivelmente sensual (aqui, no sentido original de aguçar os sentidos, ver o que não está à mostra).

Lola curte sexo! Eu lembro que, por ter tido uma criação super machista (só tem homens na minha família, não me culpem, ou não tive outra referência, mas tô me tratando) eu não conseguia entender que mulheres tinham, por exemplo, prazer. E o mais estranho, não conseguia entender o prazer feminino. Em palavras diretas, minha concepção machista não conseguia entender que tem muita mulher que gosta de dar. Ponto. E desculpe a franqueza, mas era assim.

Até um belo dia, quando eu há uns cinco anos numa conversa com uma amiga ela me contou que sentia prazer no sexo. E aí, conversando com outras pessoas vi que o prazer feminino era totalmente diferente do masculino, mas que ele existia! E que não era feio, é natural, e bonito. E teve um momento que eu coloquei na cabeça que eu jamais gostaria de namorar uma virgem santinha, e sim, aquela que era mais promíscua. Porquê? Porque com certeza ela só de conhecer o seu corpo, não ter preconceito contra seu prazer, saberia sentir prazer, agradar e ser agradada. E seria o melhor sexo da vida pra mim, e pra ela.

Aí o mundo virou de ponta cabeça: Como assim? Sério? (sim, isso parece idiotice, mas aconteceu comigo, uai. Eu me sinto um extraterrestre descobrindo as coisas do planeta Terra. Quase todo dia)

Afinal, por mais que o homem tenha como ápice a ejaculação, se a mulher não gostasse de sexo e não sentisse prazer, sem dúvida a raça humana teria passado por grandes apuros para crescer e multiplicai-vos. Biologicamente o sexo deveria ser prazeroso pra mulher pra também para que o mundo evoluísse. Eu sei que pode soar "nossa, mas isso é óbvio Alain, seu anta!", mas pra mim isso foi uma surpresa sem precedentes.

A própria Lola conta que goza com muitos clientes nessa entrevista. Que ótimo! Não tem como negar que o fator prazer também caminha junto com a profissão de prostituta, o que torna isso mágico. Quem sabe um dia viveremos num mundo sem machismo onde os que tem pipi verão que as que tem perereca sentem tanto prazer como nós. Esse pensamento da Lola é bem a frente do tempo. E mostrar isso pode colocar a sementinha da reflexão nos cérebros machistas.

Óbvio que estou em construção. E acho isso ótimo pra mim! Tenho grandes pessoas que vão me ensinando como o mundo lá fora é.

E Lola quer ter família. Quer uma coisa mais linda que isso?

Sei que tem prostitutas que tem família. Aqui mesmo na minha rua tem uma garota de programa, do nível da Lola, super de luxo, e acho lindo quando vejo ela buscando a filha dela na escola! Quase uma Fantine protegendo a Cosette. Ela, por ser garota de programa, e com todo o respeito, uma mulher lindíssima, sei que muitos caras na minha rua já pagaram pelos seus serviços. Mas acho isso incrível a maternidade!

Mas acima de tudo a Lola sempre cita: "Porque não, no futuro?", sobre questionada sobre ter família, ou ter um namorado. Afinal as coisas mudam, as pessoas mudam. Atrasado é quem fica trancado nos seus sonhos sem realizar, ou fica idealizando um príncipe encantando húngaro.

Se eu sairia com a Lola? Com certeza! Mas uma pessoa com tamanha bagagem e experiências eu acho que seria mais legal chamar pra tomar uma cerveja e jogar conversa fora, do que propriamente pra um programa (com certeza se fosse programa do jeito que acho ela foda, a última coisa que ia conseguir fazer era justamente foder, por mais que ela seja gatíssima).

Realmente, homens e mulheres tem muito a aprender com esse pensamento da Lola Benvenutti. Quem sabe, né? ;)

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