sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Doppelgänger - #51 - The Lady Saunders (1)

“Vamos, rápido!”, dizia Nataku enquanto puxava Saunders fortemente.

Nataku estava se esgueirando pelas ruas londrinas. Ele sabia que seria no mínimo estranho ver um homem com uma sneaking suit andando com uma senhora vestida com roupas simples, brancas, sem nenhuma proteção contra o frio intenso londrino próximo a zero naquele final de mês de novembro.

“Eu... Eu não sei agora”, disse Nataku.

“O que você quer dizer?”, perguntou a senhora Saunders.

“Sei que o Ar quer você, mas não sei se tenho coragem de te entregar. Tanto o Ar como o Al parecem mentir pra mim... E talvez você realmente seja uma pessoa importante nessa coisa toda. Não sei se posso confiar no Ar agora. Seria como se eu entregasse o ouro pra ele de bandeja. Ao mesmo tempo não quero ficar próximo do Al, porque ele é outro que eu não confio também”, confessou Nataku.

A senhora Saunders tocou sua mão no rosto de Nataku carinhosamente. Mesmo naquele frio sua mão estava quente, cheia de ternura. Olhou nos olhos do jovem Nataku e via nada menos que uma criança sozinha. Uma pessoa que não sabia mais em quem confiar. Que estava com sua própria vida nas mãos, mas agora parecia enfim pensar por si mesmo. Parece que Nataku estava enfim amadurecendo. Se tornando um agente que pensa, questiona. Não apenas uma ferramenta do governo, ou de quem quer que seja.

“Escuta... Se você me deixar ir no banco, posso sacar um dinheiro e comprarmos umas roupas comuns. Pelo menos pra gente poder andar na rua, sem contar que estou morrendo de frio. Já que você não vai me levar pro Ar, posso contar o que eu sei”, disse Saunders.

“Você sabe de algo??”, disse Nataku, abismado.

“Me dê alguns minutinhos”.

- - - - - - - - - - -

Era o mesmo dia 25 de novembro. Mas já passava das 14h da tarde, e eles estavam famintos. Saunders comprou roupas para ela e Nataku, ambos se trocaram, e pediram para as funcionarias da loja jogarem as roupas antigas fora. Estavam elegantes, até. Pegaram o metrô e foram pra uma das muitas unidades do Prêt-a-manger, em Vauxhall.

“Me desculpe, senhora Saunders...”, iniciou Nataku, “Mas parece que a cada momento que se passa menos eu sei do que está acontecendo. Eu ando muito, muito confuso”.

“Imagino que você tenha muitas dúvidas mesmo”, disse Saunders, antes de tomar um gole de café, “Você é como uma criança. Crianças têm muitas dúvidas. Como as coisas funcionam, o que é isso, ou aquilo”.

Nataku resmungou.

“Ahnnn... Quem diabos é você? Você era mantida refém no bunker abaixo de uma das sedes do poder desse país. De todos os cativeiros, esse é o mais estranho. Porquê?”, perguntou Nataku.

“Eu queria antes saber o que te disseram sobre mim”, disse Saunders.

“Ar me contou que você é uma CEO de uma importante empresa. Eu sei que o Ar manipula empresas, então faria sentido... Deve ser uma empresa extremamente estratégica pra você ter chamado a atenção de alguém como o Ar”, disse Nataku.

Saunders deu um riso discreto. Pegou o sanduíche natural que havia comprado e deu uma mordida. Antes de engolir deu uma outra risadinha.

“Não tenho empresa nenhuma, Nataku”, disse Saunders.

“O quê?! Maldito Ar...”, disse Nataku, se sentindo um idiota.

“Nataku, você é a pessoa que deve buscar a verdade. Sei que foi muito sofrido você ter sido alvo de todas essas reviravoltas e traições. Mas isso te levou pra um outro patamar. Antes você era apenas um simples agente da Inteligência. Você sabe que não existe glamour nenhum nesse trabalho. Não tem direito a uma identidade, não recebe honrarias, e muita gente nem sabe que vocês existem, ou quem realmente são. E se são descobertos, são mortos, torturados, trucidados, e morrem como um cão”, disse Saunders.

“Mas... Por quê? Se você teve que ser resgatada, tinha um motivo!”, disse Nataku.

“Sim, exato”, disse Saunders, “Mas eu não sou empresária, nem nada. Eu sou uma insider. Não é uma espiã, mas uma pessoa que vamos dizer... Sabe demais. Eu tenho informações que valem ouro. Tanto sobre o Ar, como sobre o que ele quer fazer com o Vanitas”.

“Entendo. Então por isso que você era mantida cativa?”, disse Nataku.

“Não, Nataku! Acorda! Pensa bem. Onde eu estava era o local mais seguro do Reino Unido, talvez um dos locais mais seguros do mundo. Eu nunca fui mantida cativa. Tampouco era uma presa política. Eu estava sendo protegida pelo governo, pois se eu saísse de lá eu só teria um destino”, disse Saunders.

“Só um destino? Qual? Revelar o que você sabe?”, disse Nataku.

Saunders riu. Ela achava engraçado a inocência de Nataku.

“Não, querido! Eu seria morta!”, concluiu Saunders.

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