terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Adeus, Bidu.


Hoje o Bidu se foi.

Lembro até hoje o dia que ele chegou. Era 2003, e eu era um moleque ainda no primeiro colegial. Lembro que ele era pequenino, estranhando ainda o local, e eu na época gostava muito de uma menina da minha sala. Lembro que o Bidu nessa época cabia na minha mão. Peguei ele e disse: "Quem sabe você vai acabar com as dúvidas do meu coração".

O Bidu sei que ele possivelmente era fruto daqueles criadores de cachorro. Tinha pedigree e tudo, foi comprado numa famosa feira de animais aqui em São Paulo. Mas desde o começo ele parecia ter a saúde frágil. Engordou muito, só tinha um testículo, e mal conseguia fazer muita coisa. Minha maior lembrança era quando minha mãe vinha da padaria de manhã e gritava: "É meu menininho!" e ele balançava o rabinho de felicidade.

Bidu era asco com todo mundo. Mas com a minha mãe, ele era todo amor.

Até hoje tenho uma cicatriz no meu indicador direito de uma mordida que ele deu. Hoje eu olhei essa cicatriz e lembrei que mesmo apesar do seu temperamento, ele era um bom cachorro. E agora, próximo do fim da vida, ele havia mudado. Não mordia mais, e sempre que eu deitava no sofá ele vinha com a cabeça dele, pedindo carinho. Quando meu quarto ainda era no térreo da casa ele ficava na porta deitado me ouvindo enquanto eu orava os sutras budistas.

Bidu era especial. E como todo cão, tinha um espaço grande no coração dos donos.

Ele era cardíaco, e tinha outros problemas de saúde. Mas minha mãe não queria saber, pois ele não poderia ser operado, devido aos seus problemas de coração. Mas há uma semana ele começou a vomitar. Ninguém imaginava que aquilo seria o princípio do fim dele. Talvez seria apenas um mal estar, mas a coisa só piorava: Bidu não estava mais bebendo água, menos ainda comendo. E como ele comia!

E levaram ele no veterinário. Fizeram uma bateria de exames. Ontem mesmo no dia final do Treinamento Anual ele estava respirando com muita dificuldade, e minha mãe disse que ele havia passado a noite em claro. A respiração dele tava muito difícil.

Hoje de manhã ele estava lá, deitado na cama. Vomitou um pouco, mas como estava sem comer nada há muito tempo, o vômito era mais saliva mesmo. Eu lembro que passava a mão nele enquanto orava "Namu shinnyo, namu shinnyo, namu shinnyo", e ele parecia olhar pra mim. Mas eu odeio despedidas.

Subi pra tomar banho e minha mãe o levou enrolado numa toalha pro veterinário. Já passava do meio dia quando vi minha mãe voltando do veterinário... Apenas com a toalha.

Bidu teve que ser sacrificado.

Sabe... Por mais que eu seja budista, e acredite no Buda, morte é sempre uma coisa muito, muito triste. Nesse momento mesmo em que escrevo isso estou em lágrimas, mas ao mesmo tempo sei que isso foi necessário para o Bidu. Que agora, ele está bem. Parece que ele já tinha câncer, e deu metástase, e o corpinho dele estava cheio de tumores. Mal o pulmão funcionava, por isso a respiração dele era tão difícil. Até meu pai que é meio brucutu estava em lágrimas, e eu, segurei o máximo as lágrimas pela minha mãe, que derretia em prantos.

Acho que a vez que eu realmente estou chorando pelo Bidu é agora, aqui na frente do PC, longe da minha mãe. O cachorro era muito apegado à ela, e vice-versa. Mas isso foi o melhor que poderia ser feito. Isso acabou com o sofrimento do Bibi, e sei que agora ele está no céu, e sei que um dia pode voltar para esse mundo na forma de uma pessoa, saudável, e que vai ajudar muitas outras, graças a todo amor que ele recebeu das pessoas na terra nessa vida.

Estarei em preces sinceras por ele. E quando sentir saudades dele olhei para essa cicatriz no meu indicador direito, que mesmo apesar de todo o gênio difícil dele, foi o amor que o curou. E espero que ele carregue esse amor para o além vida, e nos espere, que um dia logo estaremos com você, Bidu.

Vá em paz, meu amigo!

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