sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Dividir o pão.

Dias atrás tinha ido no templo ajudar voluntariamente numa tarefa lá. Depois que a coisa tava feita, uma amiga que trabalha no templo me deu dois pacotes de biscoitos japoneses. Bem gostosos, sempre que ganho um desses acaba aqui em casa rapidinho, todo mundo adora. A gente recebe como uma singela forma de gratidão pela ajuda por parte do templo, quando é uma tarefa mais trabalhosa.

Na volta estava no metrô falando sobre a compaixão e Guanyin com minha amiga Marina, via Hangouts, no celular. No metrô de São Paulo normalmente tem muitos pedintes, e por mais que sempre tenham guardas pra tirá-los dos trens e estações, e também muitos anúncios para não oferecer nada pra eles, é difícil não se sentir tocado com algumas estórias que ouvimos.

E na hora que tava falando justo sobre compaixão veio um homem, bem maltrapilho, dizendo alto no meio do vagão: "Eu não quero dinheiro, só queria alguma coisa pra comer, por favor". Na hora me bateu uma coisa. A gente nunca sabe o dia de amanhã, e eu tinha dois pacotes de biscoito. Os biscoitos são divididos em três compartimentos menores, abri o pacote, tirei dois, e dei pro senhor com fome.

Não sei se ele havia gostado  daquilo, mas era a única coisa que eu tinha ali pra oferecer.

Engraçado que a mesma coisa aconteceu, dessa vez quando peguei o trem. O caminho pra eu ir no templo normalmente é demorado, são quase vinte estações, e baldeação em quatro linhas, eu levo entre 1h30 ou 2h. E novamente uma pessoa veio, e eu ofereci mais daquele biscoito que eu também gostava.

Mas não senti falta, menos ainda mal por ter oferecido! No cristianismo acho que todos conhecem o milagre da multiplicação do peixe e dos pães de Jesus Cristo. Eu não acredito que ele tenha multiplicado literalmente, mas sim ensinado que quando dividido, mesmo que sejam poucos pães e peixes, mesmo que pareça um pedacinho de pão pra cada um, para a pessoa com fome valerá como um pão inteiro. E a comida com essa energia boa, alimentará tanto quanto um banquete, pois é dividido, tem gratidão, tem amor. No budismo é a mesma coisa - não é você oferecer tudo o que você tem pro próximo, e sim você dividir, e oferecer o melhor pra outra pessoa. Assim todos comem, todos ficam felizes, e quando divide a alegria, todos ficam felizes juntos! =D

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