quinta-feira, 19 de março de 2015

Doppelgänger - #64 - Cinco porcento.

Al e Neige estavam a alguns quilômetros dali, em Waterloo. Dava pra ver a estação de trem da janela do prédio de onde estavam. O celular de Al tocou, era Victoire.

“Acabei de chegar em Candem, Al. Devo ficar aqui sentada na praça mesmo?”, perguntou Victoire.

“Sim, Vicky. Parece que teremos mais uns nove minutos durante a troca dos seguranças no prédio. Temos que dar espaço pra Agatha agir”, disse Al.

“Certo. Ficarei de olho. Qualquer coisa eu dou um toque”, disse Victoire.

“Sim. Tome cuidado, ok?”, disse Al.

Al desligou a chamada e se virou pra Neige, que continuava de olho no computador. Contou para ele que Victoire havia chegado em Candem, estava próxima de Agatha para dar um eventual suporte.

“Acha mesmo que é uma armadilha?”, disse Neige.

“Neige, não pense que eu estou jogando sua pesquisa no lixo, meu caro amigo. Ar sabe que nós iríamos rastrear isso, e não duvido que está nos esperando naquele prédio. Ele sempre parece estar a um passo na nossa frente porque ele solta o queijo e nós somos pegos na ratoeira. Dessa vez, por mais que a pista seja quente, melhor acharmos outras pistas, mais complicadas”, disse Al.

“É complicado trabalhar com o Ar e a polícia vindo ao nosso encalço. Se pelo menos a polícia estivesse ao nosso lado, poderíamos ter invadido lá”, disse Neige.

“Não é essa a questão. Temos a ajuda da Briegel que vai tentar mudar a cabeça dos caras da Interpol. Mas de nada vai adiantar se não entregarmos o Ar de bandeja, com muitas provas contra ele. Precisamos dessas provas, se ele for preso, até ele ser julgado, ele vai escapar de algum jeito com todo o poder que ele tem”, disse Al.

“Por isso quer pesquisar sobre os Doe?”, disse Neige.

“Os Doe é uma pista muito quente. Não tenho dúvidas que vai nos levar para o Al. Só que achar quatro pessoas no meio das milhões desse país é como procurar uma agulha no palheiro. Löfgren foi o mais fácil pois ele parecia querer ser pego. Era um plano de Ar sem dúvidas, e os três caíram fácil nele”, disse Al.

“Precisamos então eliminar as opções equivocadas. Löfgren era um acionista, certo? Consigo puxar uma base de dados das pessoas que são acionistas”, disse Neige.

“Não... Vamos pensar. São quatro pessoas, não acho que as pessoas que recebam as mensagens não dessem um voto de confiança se eles não fossem de fato pessoas. A ideia de que eles são bots criados pelo Ar é infundada. As pessoas sabem que eles são pessoas de fato, senão jamais poderiam confiar nelas”, disse Al.

“Buscar associação com Vanitas ou Legatus é complicado. E isso não garante que eles sejam ligados ao Legatus, que é a que existe como organização real. Mas uma pessoa para dar esse tipo de assessoria sobre economia pode ser qualquer tipo de pessoa, de um bancário, até mesmo um especulador. Teria que ser alguém que inspirasse confiança”, disse Neige.

“Um consultor financeiro?”, disse Al.

“Sim. Existem registros que o Löfgren prestava serviços nisso também”, disse Neige.

“Quantas instituições financeiras existem no Reino Unido?”, perguntou Al.

“Existem cinco principais. HSBC, Lloyds, Royal Bank of Scotland, Barclays e Standard Chartered. Existem mais quinze menores, dá um total de vinte instituições”, disse Neige.

Al pensou por um momento, acendendo um cigarro.

“Não acho que todos eles sejam necessariamente ligados a todos ao mesmo tempo. E eles sabem que nós estamos atrás deles, eles seriam descobertos pelo modo mais complicado. E acho que o modo mais complicado é usando suas habilidades, um pouco do processamento dessa máquina aí, e cruzar alguns dados”, disse Al.

“E quais seriam as variáveis?”, disse Neige.

“Temos vinte instituições financeiras. Quatro pessoas para encontrar. Nenhuma delas estão ligadas a todas as instituições – isso é desnecessário, eles são um grupo, cada um se complementa. E isso seria muito suspeito. Mas no mínimo cada uma dessas pessoas deveriam estar ligadas a cinco instituições cada, no mínimo. E seu cargo deve ser no mínimo como consultor de economia. O que acha?”, disse Al.

“Faz sentido. Mas poderiam ser mais de quatro pessoas como resultado na pesquisa. Como conseguiria peneirar quatro pessoas corretamente?”, disse Neige.

“Isso é o mais fácil. Se tiver os nomes você consegue pesquisar número de telefone e buscarmos acessar os computadores das pessoas, certo?”, disse Al.

“Eu consigo. Mas podem ser centenas de pessoas!”, disse Neige.

“Precisamos dos dados das últimas reuniões de Löfgren antes dele ser morto. Você teve os dados do computador dele, é só checar os e-mails. Se ele se reuniu em hotéis é só invadir o computador do hotel e buscar o nome das pessoas. Mesmo se for em outros tipos de prédio, é só buscar quem se identificou junto com ele. Virão muitos nomes, não duvido que ele era uma pessoa bem ativa. Mas aí depois é só peneirar”, disse Al.

“Acho que estou começando a entender...”, disse Neige.

“Isso. Se a pessoa se reuniu com Löfgren no dia em que ele e o grupo dos outros Doe mandaram os e-mails com as instruções para empresários e bancos, você conseguirá os nomes das pessoas que entraram nos prédios que ele marcou a reunião pelo e-mail pessoal dele. Cruze os nomes das pessoas com essa lista das centenas de pessoas que são no mínimo corretores de economia no Reino Unido e ao mesmo tempo estão ligados a no mínimo cinco dessas vinte instituições financeiras. Existe uma grande possibilidade de sair exatamente quatro pessoas, as quatro pessoas que estamos buscando”, disse Al.

“Uau. Realmente você é um gênio, eu nunca teria pensado nisso. Mas você disse ainda que existe a possibilidade de sair as quatro pessoas... Qual a real porcentagem dessa chance?”, perguntou Neige.

“São 5%”, disse Al.

Neige ficou abismado. A chance era muito pouca.

Mas Al parecia ter 95% de certeza disso.

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