quarta-feira, 22 de abril de 2015

Com 007 Viva e deixe Morrer (1973)


Depois de ver dois filmes que eu não sou muito fã, hora de ver um que eu sou fã de carteirinha! Com 007 Viva e Deixe Morrer foi o primeiro filme com Roger Moore no papel de James Bond. E começou com pé direito! O filme tem algumas diferenças com o livro (que eu já li, e tem até em português), mas é um filme bem legal e muito bem produzido!

Eu gosto tanto desse filme que eu nem sei por onde começar. O filme começa mostrando três mortes, de três agentes britânicos que investigavam traficantes de drogas. A morte do segundo carinha é a mais legal, como visto na introdução do filme:


Começa num cortejo fúnebre, e depois do agente ser morto, vira festa! Hahaha. O filme é um super retrato da cultura negra norte-americana, é um filme muito divertido nessa parte porque isso o faz muito original. Mesmo quando trata do racismo, que óbvio, é sempre uma merda, trata de uma maneira que vemos que infelizmente depois de tanto tempo a coisa não mudou tanto.

A canção tema é talvez pra mim a melhor, exceto por Nobody does it better, de 007 - O espião que me amava. Muita gente conhece a canção tema na voz do Guns 'n roses, mas na verdade a canção foi escrita por ninguém menos que Paul McCartney e sua esposa Linda (o nome, não adjetivo), e, com o perdão ao Axl e ao Slash, mas a versão do Paul continua insuperável:


Me dá calafrios de emoção só de assistir. É a introdução e uma das canções mais fudidas de toda a série!

Eu já falei aqui que normalmente a primeira cena que um novo ator no papel de 007 faz acaba sendo icônica. Com Roger Moore não é algo tão elaborado quanto o poker em que Sean Connery jogava em Dr. No, ou Timothy Dalton subindo a montanha. É uma cena dum pós-sexo na cama deitado com uma francesa que tem cara (e peitos) de uma espanhola:


Bond acorda 5h48 pra ir abrir a porta pro M, seu chefe, que veio lhe entregar o briefing e falar dos três agentes mortos pessoalmente. É um filme onde o Desmond Llwelyn (Q) não aparece. O próximo filme que ele não apareceria seria 2006, pois Llewelyn estava trabalhando em um seriado em 1973, e inclusive ganhou uma folga de três episódios para poder participar de Viva e Deixe Morrer mas ainda assim os produtores cortaram ele disse filme, dizendo que essa coisa de bugigangas do Q já tinha dado.

Mal eles sabiam que ele voltaria contudo no próximo e continuaria no papel até sua morte!


Bond vai então investigar no Harlem o reduto de um dos suspeitos de distribuir as drogas. E Felix Leiter, seu amigo de longa data da CIA está lá prestando assessoria. Sim, é David Hedson, que voltaria anos mais tarde no mesmo papel de Felix Leiter, em 007 Permissão para Matar. Ele aparece bastante, embora muitas das suas cenas seja aí, de boas, só falando no telefone com Bond.

O filme é cheio de gírias da negada americana. Tipo "honky", que é algo como "branquelo", uma forma racista dos negros americanos chamarem os brancos. E Bond é chamado disso várias vezes. Especialmente quando está no Harlem, que ao entrar num bar que era chefiado pelo Mr Big, um traficante aliado com Kananga, um premier de uma ilha que estava sendo investigada por produzir drogas, Bond acaba tendo uma recepção nada amistosa:


Dizem que é assim que até hoje eles reagem quando vêem um branco entrando num bar deles.

Tem uma piada engraçada que fazem quando Bond senta na mesa do Fillet of Soul, esse bar aí do Kananga. Quando sua bebida chega ele oferece umas vinte pratas pro garçom dar informações pra ele, mas nem precisa disso, pois a parede falsa vira e engole Bond, levando direto pro tal Mr Big:


E lá, ele tem o primeiro contato com Solitaire, a BondGirl desse filme. Ela tem um papel muito interessante, pois ela é muito hábil em previsões, especialmente usando tarot. E ela sempre acerta, tem uma capacidade de adivinhação insuperável!


Bond dá em cima da menina, e justo quando ela pede pra Bond tirar uma carta do baralho sai a carta "Os enamorados", deixando a menina ouriçada de tesão (isso é ficção, né?). Bond tem um contato visual com Mr Big mas é expulso do bar e quase morto, sendo salvo por um amigo outro parceiro da CIA.

Embora Kananga seja o vilão principal é nesse começo de filme que somos apresentados a mais dois vilões coajuvantes (que na verdade são MUITO mais legais que o vilão principal!).

O primeiro é Tee Hee, um negão imenso e muito forte com um gancho no lugar do braço que havia sido comido por crocodilos. Como se não bastasse, ele tem uma criação desses bichinhos adoráveis numa fazenda, que ele próprio os alimenta:


O segundo vilão é um bruxo vodu imortal, que usa sua magia negra para fazer muitas loucuras na sessão da tarde, e toda vez que aparece é um show à parte. E sua risada diabólica é outro item memorável que dá todo um carisma e assombração a esse personagem. Tanto ele, como Tee Hee trabalham pro Kananga. Eu lhes apresento Vera Verão Barão Samedi:


(êêêêêpa! Bicha não, meu amor!)

Como o Mr Big é o líder do Harlem, todos os negros de lá pertencem a quase que uma irmandade com ele no papel de uma espécie de Vito Corleone. Até mesmo uma agente da CIA, que durante um pedaço do filme se pensa que ela está do lado do Bond, acaba também num dilema entre escolher ficar ao lado de Bond ou de Kananga.


Ela tem uma morte bem impactante. Acontece que a própria ilha-mansão do Kananga onde a Solitaire é guardada por muitos espantalhos que possuem câmeras e atiram (hã?). E acaba pegando essa agente do black power.

Esse é o Kananga, só pra constar:


Nessa cena é uma das muitas consultas que ele faz com a Solitaire. E também é numa dessas cenas que revela que a Solitaire tem o dom da adivinhação pois é virgem e pura. E que a mãe e a avó também tinham esse dom da adivinhação, e perderam quando se entregaram ao carnal.

O Kananga é um dos meus vilões favoritos! A única coisa chata é o racismo meio chatinho por ele ser negro e mexer justo com drogas. Mas tirando isso, ele não é tão clichê chato, é um dos vilões com mais personalidade e inteligência. Só que mesmo ele sendo fudido, ainda tinha outros dois capangas que eram muito mais legais, o Tee Hee e o Barão Samedi. Aí acabou meio apagado.

A cena em que Bond enfim descabaça a Solitaire é sensacional:


Bond faz realmente de tudo pra conseguir uma transa, hahaha. Essa sacada de tirar a carta "Os enamorados" é clássica, e o mais engraçado é depois mostrar que o baralho de tarot tava já bichado, hehehe.

No outro dia Bond escapa com Solitaire e descobre as plantações de papoula do Kananga pro Mr Big. 007 pega um ônibus de dois andares e temos uma cena de perseguição. No final, eles se deparam com uma ponte baixa que o ônibus não passaria, só que ainda assim Bond acelera com todo e decepa certinho a parte superior do ônibus, parando a polícia que seguia em seu encalço.


Essa é a minha cena favorita do filme!

Bond foge com Solitaire, mas é pego de novo, só que dessa vez em um aeroporto. Inclusive a Solitaire acaba voltando pro lado do Kananga, e resta só Bond fugir sozinho, sem armas.


Tem uma cena de perseguição meio chatinha com o Bond num avião e uma senhora, que pensava que ele era seu instrutor de voo no dia. O avião nem acaba saindo do chão, Bond fica com o veículo só andando por aí escapando nos caras do Kananga.

Engraçado é que um dos agentes da CIA, que está ao lado de Bond aparece numa cena similar a do começo, do funeral. Só que os assassinos não matam o cara por ele ser negro, hahaha, por mais que ele fosse um agente da CIA que está obviamente, indo atrás do Kananga:


E mais uma vez Bond vai ao Fillet of Soul, o bar do Mr Big, e mais uma vez é engolido por uma alçapão escondido indo parar nas mãos do tal Mr Big.

Aí que tem um plot twist! Bond está conversando com o Mr Big, que está puto com o Bond porque ele comeu a Solitaire, tirando os poderes da menina. Bond não entende porque Mr Big está tão preocupado com a Solitaire, e aí descobrimos a verdade:



Mr Big = Kananga. :O :O :O

Isso não tem no livro. No livro apenas Mr Big é o vilão, Kananga nem existe. E engraçado que o ator era tão bom que além de usar uma máscara que mudava todo seu rosto, ele ainda falava de outra maneira, outro sotaque, enfim, era uma outra pessoa, tanto na aparência como nos trejeitos. Por isso Kananga é um dos vilões mais fudidos da franquia. Genial.

Essa é a cara da Solitaire, não mais virgem quando viu que estava apaixonada por mim:


Êta prazeres da carne, hahaha! Ela é muito linda, pqp... Mesmo com essas maquiagens e esse cabelo que é um meio termo entre Leia Organa e Padmé Amidala, ela é uma das BondGirls mais lindas, e mal vejo a hora de falar dela no final do post!

Como punição por ter "tocado" (leia-se "comido") a Solitaire, Bond é levado para a fazenda. Com uma "plantação" de jacarés do Kananga e Tee Hee. Se você jogou Donkey Kong Country 2, essa é a sua cena! Diddy Kong e Dixie Kong faziam isso de uma maneira tão natural e fácil...


Essa cena precisou de muitas tentativas e claro, coitado do dublê. Tiveram que colocar nele sapatos de pele de crocodilo, porque talvez fosse o único material que iria aguentar as mordidas do bichano. Tem até vídeo no youtube mostrando as tentativas falhas de fazer essa cena. Dá pra ver que em uma das tentativas quando o dublê pulou no primeiro crocodilo o último já esperava de boca aberta. Tenso!

Vi uma vez Roger Moore falando dessa cena. Ele confessou que não via a hora de tirarem ele daquela ilhota no meio do riacho do meio dos jacarés. Cagaço!

E olha quem temos! J.W. Pepper, o xerife trapalhão, em sua primeira aparição. Lembram dele de 007 contra o Homem com a Pistola de Ouro?


É muito comédia! Ele, depois de toda a cena de perseguição com barco que Bond protagoniza, o pobre xerife aparecer e soltar a pérola: "What are you? Some kind of doomsday machine boy? Well we got'a cage strong enough to hold animal like you here!". Aí explicam que ele é um agente britânico e aí tá tudo bem, tudo bom!

Bond vai então até a ilha do Kananga, San Monique, no Caribe, para dar um ponto final nessa putaria. A primeira luta é contra o Barão Samedi, que "ressuscita" de uma tumba usando seu poder vodu é pra jacu:


Vou deixar a risada dele pra vocês, HAHAHAHA.

Bond o mata jogando o cara num túmulo cheio de serpentes após salvar a Solitaire e mandar pros ares as plantações de papoula do Kananga/Mr Big. Eu li umas coisas da trivia que o ator morria de medo de cobras, e foi uma cena bem tensa pro ator que faz Barão Samedi fazer.

E aí temos a luta final com Kananga. Kananga faz uns cortes em Bond para sair sangue e decide mergulhar o espião num lago cheio de tubarões (porque não dá uma droga dum tiro na testa de Bond, pô? Sempre adoram complicar). E pra variar Bond escapa, e numa luta acirrada dentro dessa piscina com os tubarões, Bond faz Kananga engolir uma pílula com ar pressurizado usada para explodir coisas, e bem... Nem preciso dizer o que aconteceu. A cena é até meio chocante (acho que é por isso que embaçaram):


Sim, o cara explode como uma bexiga, literalmente. Pra não tornar a cena mais chocante, não tem sangue, nem víceras voando (que seria o mais realista), pois o boneco lá já é um bocado chocante inflando.

Bond vai então pegar um trem de volta. Felix até questiona o cara, afinal são dezessete horas de viagem. James dá uma olhadinha maliciosa pra Solitaire e diz que terão muita diversão nessa viagem. Deve ter rolado muita rola na buceta, sendo bem direto.

Solitaire danadinha, e isso porque começou o filme virgem, quem diria, hehe! Agora só quer saber da fruta do pecado. Parece namorados em começo de relacionamento, só pensam naquilo! Tudo bem, tudo bem! Seria um desperdício com essa beleza toda! Mas quem estava no trem atrás de Bond? Ele, Tee Hee, pra um acerto de contas final. Bond não consegue bater no cara, mas usa a cabeça (e um alicate de unha):


Bond corta os fios de aço do braço do Tee Hee e prende o cara na janela, tirando os movimentos do braço de metal dele. Depois joga o negão pra fora, que perde o braço mecânico e a vida. Pronto! Hora de voltar e aproveitar a Solitaire, que tá lá esperando, no ponto! Hohoho. Solitaaaaaaire, meu amorzinho, chegueeeei!

Falando em Solitaire (Jane Seymour), vamos falar rapidinho da nossa BongGirl!


Solitaire e seu cabelão. Sua cara de virgem imaculada, trabalhando para o vilão fazendo as previsões. Solitaire é o tipo de personagem que cresce durante o filme. Começa malvadinha e depois fica do lado dos mocinhos.

É uma atriz muito boa, que soube mostrar bem o psicológico da personagem, toda a dúvida, incerteza, a franqueza e pureza. Acho que não preciso dizer que o nome "Solitaire" é um apelido, baseado no jogo de cartas famoso presente no Windows até hoje, o "Paciência". No filme não mostra o nome dela, mas no livro o nome dela é Simone Latrelle.


Solitaire é séria, não sorri no filme inteiro, é uma BondGirl tímida, que não sabe direito que lado escolher. Entre ver que o Kananga realmente só a usava pra tirar a sorte, e Bond que simplesmente a "usava", ela escolhe Bond ainda assim.

Mas isso não a deixa pra baixo, nem nada. Solitaire é uma personagem essencial pra Bond chegar em Kananga, afinal, com Kananga vivo ela nunca poderia ter uma vida livre. Mas se fosse ao lado do Bond, poderia ao menos sonhar em ter liberdade, uns namorados e, porque não, umas boas noites com muito sexo?


E olha, mesmo hoje a Jane Seymour tá gatíssima. Mas ainda assim no filme ela era deslumbrante, um sonho de mulher!

Todos nós amamos Solitaire!

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