domingo, 12 de abril de 2015

Doppelgänger - #67 - A arma mais perigosa que já existiu.

"Um exército na forma de uma mulher...", disse Sara, com a mão sobre o ferimento na barriga.

Agatha virou-se e a encarou. Percebeu o deboche na fala da psíquica.

"Eu também tenho um apelido que o Ar me deu. Quer saber?", disse Sara, tomando ar pra respirar, virando o rosto com os olhos tomados pela fúria em direção de Agatha, "Meu apelido é 'a arma mais perigosa que já existiu'".

Agatha sacou a arma e apontou pra Sara. Sara não parava de rir, parecia dominada pela insanidade. A holandesa sabia como manejar uma arma como ninguém, mas naquele momento Sara era mais útil viva, pois poderia levar até o encontro de Ar rapidamente. E pelas instruções de Al, a missão dela era entregá-la viva.

Ele me disse pra entregar ela viva, mas não disse em que estado, pensou Agatha.

A holandesa tinha apontado para Sara uma Heckler & Koch MP5. Uma submetralhadora, não tão compacta como uma Uzi, mas ainda assim uma arma e tanto. Para uma traficante internacional de armas, conseguir uma dessa era fichinha. Seu dedo estava no gatilho pronto para pelo menos dar um tiro no joelho de Sara, mas algo a intrigava naquela cena. Sara estava cada vez mais dando mais e mais risadas, e cada vez mais alto.

E aquela risada dava calafrios em Agatha.

"Agatha, mijn lieve...", disse Sara, em holandês, "Não se lembra de mim?"

O sangramento parou na hora. E parecia haver uma força invisível pressionando o ferimento de Sara. Como se tivesse algum "vidro", algo invisível, apertando a ferida. Agatha permanecia calada, apenas com a arma apontada.

"Então eu vou te demonstrar.", disse Sara, ainda falando em holandês, "Abra bem seus olhos, Agatha, porque a partir desse momento você vai ver porque me chamam de a arma mais perigosa que já existiu em ação!".

Depois do grito algo sobrenatural aconteceu. Muitas pessoas sabem dos poderes que pessoas psíquicas possuem, mas muito daquilo parecia folclore ou coisa de filmes. Quando algo assim acontece na sua frente, a sensação é mais variada possível. Alguns podem ficar surpresos, outros podem achar que é mentira. Outros podem achar que cruzaram a linha da insanidade.

Pois Sara ficou de pé. E momentos depois seu corpo parecia leve. Parecia estar imersa num transe, mas ao mesmo tempo estava muito atenta a tudo e a todos. Abriu seus braços e jogou sua cabeça pra cima. Aquilo não era um pulo. Simplesmente seu corpo começou a flutuar do chão. Aquela era a demonstração dos poderes de uma das maiores psíquicas vivas no mundo. E agora, sem dúvidas, Agatha estava em apuros.

"Você não parece surpresa", disse Sara, em holandês.

"Dat spijt me", disse Agatha, em holandês, "A questão não é eu ficar surpresa, e sim alguém acreditar se eu contar que vi isso...".

Sara riu. Bem alto.

"Realmente você não se lembra de mim. Pois vou te fazer recordar agora...", disse Sara, paralizando o corpo de Agatha.

Ah, merda! Não consigo me mexer! Quem diabos é ela? Não consigo me lembrar, pensou Agatha.

Sara aproximou-se, flutuando. Fechou o punho e desferiu um soco no rosto de Agatha, derrubando-a no chão. A holandesa, caída, cuspiu um pouco de sangue, tirando o gosto ferroso de sangue da boca. Foi nessa hora em que ela estava no chão olhando pra Sara em pé que enfim a ficha caiu.

"Feliz depois de dar o soco, então? Se quer saber, doeu nada em mim comparado ao que doeu em você, quando éramos adolescentes", disse Agatha, se erguendo, "Eu sabia que conhecia essa sua cara de algum lugar, então o meu prazer de te esmagar será duplo: e esmagar você que virou uma mera assassina, esmagar essa merda de feminismo que você acredita".

"Você, me chamando de assassina? Justo você, uma traficante internacional de armas, que patrocinou morte de pessoas no mundo inteiro! Quem é você pra dizer que eu devo pagar pelos meus atos?", disse Sara.

"Calada. Uma desqualificada como você é muito baixa pra dirigir qualquer palavra pra mim", disse Agatha, impondo medo.

Por algum motivo desconhecido, Sara calou-se, como se estivesse baixando a cabeça.

"Eu sou uma criminosa como você. Eu só estou livre porque o Al me tirou de lá, e... Quer saber? Estou me divertindo muito. É bom sair pra tomar um ar de vez em quando", disse Agatha. Seus olhos pareciam estar sedentos de sangue, "E já que vou apodrecer na cadeia pelo resto da minha vida mesmo, dar um tiro na sua testa vai ser um prazer todo meu. Se você quiser queimar sutiãs, vai queimar sutiãs no inferno!".

A MP5 estava engatilhada na mão de Agatha. Era tudo ou nada.

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