sábado, 18 de abril de 2015

Doppelgänger - #68 - Sugiro que você reze.

O furgão da polícia londrina balançava pouco. Na frente de Al estava apenas Rockefeller e mais um policial. O carro alternava no anda-e-para do péssimo trânsito de Londres.

"Enfim consegui te pegar, Al. Seu irmão, aquele traidor, ficaria muito feliz em eu tê-lo pego", disse Rockefeller.

"Você chamando meu irmão de traidor? Parece que você não se viu no espelho. Quer dizer que você é um agente duplo, trabalhando pra Interpol e pro Chrysalis? Sabe, agora tudo começa a fazer sentido. Até mesmo aquele acidente de carro em Newmarket... Aquilo tudo foi obra sua?", disse Al.

"Genial, não acha? Até mesmo você caiu", disse Rockefeller.

"Não. Eu diria 'insano'. Aquele incidente foi real, e você poderia muito bem ter morrido", disse Al.

"Nós estamos em todos os lugares, Al. Pelo visto você já deve ter até mais informações que pensávamos. Mas temos o maior e melhor exército do mundo. E todos os nossos alvos estão sendo mortos, um a um. Nós sabemos o que você quer fazer. Está arranjando provas e tentando ganhar força pra poder incriminar o Ar de vez, mas já eliminamos uma das peças-chave que tinha muitas provas contra nós", disse Rockefeller.

"Saunders... Eu ainda não acredito que vocês foram capazes. E daquele jeito", disse Al.

"Seu irmão foi um idealizador. Ele lutava pela nossa liberdade, para que nós conseguíssemos lutar pelo que acreditamos. Mas num mundo de hoje é necessário que o poder esteja nas mãos das pessoas que realmente irão lutar por igualdade. Exatamente como o Ar faz. Muitas empresas no mundo inteiro cedem recursos para a Neo Chrysalis. Todos nós vivemos numa irmandade, pois Ar é a ponte até Arch. Em outras palavras, nós somos todos filhos do Arch, nosso maior legado", disse Rockefeller.

"Pft... E eu sou quem? O irmão malvado que quer destruir o que seu ídolo criou? Realmente vocês não conheceram meu irmão... Nem mesmo o Ar conheceu o pai dele. Vocês acham que conheciam meu irmão mais velho, mas eu ainda duvido que o objetivo dele vai de acordo com o que o Ar prega", disse Al.

"Não sei porque discutir com você. Você foi pego, Al. Você está indo pra prisão e nada poderá mudar isso. Você sabe", disse Rockefeller.

Al respirou.

"Sim. Bom, mas estou curioso com uma coisa. Você disse que Saunder era apenas uma das peças-chave. Quer dizer então que existem outras pessoas que vocês estão atrás?", disse Al.

"Exato".

"Escuta, Rockefeller... Se seu objetivo era silenciar a Saunders, tenho que te dizer que seu plano foi por água abaixo", disse Al, deixando Rockefeller surpreso, "Pois antes de morrer a Saunders passou tudo o que sabia para o Nataku. O próprio Nataku tem todas as informações e provas contra o Ar, e não tenho dúvida alguma que ele vai ser quem vai decidir essa guerra".

"Impossível. Não fale tolices. Nós reviramos toda a casa e todos os locais que Saunders frequentava. Não achamos nenhuma pista conclusiva", disse Rockefeller.

"Engano seu. Eu posso estar sendo preso agora, mas o Nataku sabe tudo e, embora não esteja mais no meu grupo, também não está no seu. E como você sabe, o ódio por mim é o mesmo que ele tem pelo Ar. Mas ele está buscando a verdade, e você sabe bem qual verdade que ele vai escolher. Parece que o Nataku conseguiu todas as informações de uma fonte bem confiável, que até mesmo vocês tem medo", disse Al.

"Eu não acredito... Insiders?", disse Rockefeller.

"Isso mesmo", disse Al.

"Não vou dizer que existe uma chance dele entregar as pessoas pra vocês, seja uma, duas ou três. Assim como a chance dele entregar pra mim, pode existir também, e eu farei questão de proteger essas pessoas que ele entregar. Mas independente da escolha, uma coisa é certa: Nataku está buscando a verdade. Provavelmente até mesmo nesse momento. Minha questão é: até quando vocês acham que vão esconder a verdade dele?", disse Al.

Nessa hora, Rockefeller ligou para alguém. Estava furioso.

"Alô, Schwartzman? Como estão as investigações do nosso alvo? Sim, sim. A Vogl. Não, eu sugiro que cancele a busca pela Vogl. Ela mora em Haringey, não deve ser tão difícil. Agora o foco é pegar o Lucca! Quero que busque-o e mate-o custe o que custar!", disse Rockefeller.

"Você é fácil de provocar, Rockefeller", brincou Al.

"Tudo o que você conhece está prestes a ruir. Schwartzman nunca falha num serviço", disse Rockefeller.

"Sabe, Rockefeller, vou te confessar uma coisa. Eu esperava desde o começo que você fosse me trair. Acho que você achou estranho entre tantos agentes bons eu escolher logo você a Victoire. Mas na Victoire eu confio, e eu sei que ela jamais me trairia, ela é muito fiel. Mas você, não sei porque, algo me dizia que você ainda iria puxar meu tapete", disse Al.

"Sim. Nós nunca nos demos muito bem mesmo", disse Rockefeller.

"Pois é. E eu sei que você era rival do meu irmão também. E eu sempre soube que você, especialmente por vir de uma família muito abastada, não aceitava que um pé-rapado como eu e meu irmão conseguíssemos ser o que seu dinheiro nunca te deixou ser. A maior prova disso tá aí. Você foi uma das primeiras pessoas a tomar lugar no expurgo e assassinato do meu irmão, há mais de vinte anos. Porém, quando eu entrei, acho que nunca engoliu que eu em tão pouco tempo havia chegado e te superado. Eu vou ser sincero, eu não sabia absolutamente nada sobre o Ar no começo dessa missão. Mas de uma coisa eu tinha certeza", disse Al.

"E o que é essa coisa?", disse Rockefeller.

Nessa hora, Al deu uma risada alta, cheia de ironia.

"Eu tinha certeza que você iria me trair! E que seria exatamente com essa traição que eu ia conseguir que você fizesse o que você eu mais precisava de você: me ajudar", disse Al.

"Não diga tolices!!", disse Rockefeller, se erguendo, pegando Al pelo colarinho da camisa.

"Você caiu como um patinho. Como você disse no telefone, vocês estão atrás de uma pessoa chamada Vogl, moradora de Haringey, que vocês não encontraram ainda, mas possuem algumas pistas. Eu só preciso do nome, você sabe que eu tenho meios de achá-la muito mais rápido que vocês podem", disse Al.

Nessa hora, Rockefeller desferiu um soco no rosto de Ar, que caiu no chão do furgão.

"Você ainda bate igual uma moça. Eu sugiriria que você tivesse umas aulas de combate com a Victoire ou a Agatha. Aquelas duas podem parecer bonitinhas por fora, mas são capazes de derrubar um urso...", disse Al, levantando-se. O soco foi tão fraco que nem machucou a gengiva. "Você tem fé em alguma coisa, Rockefeller? Pois eu sugiro que você reze. Reze para que eu nunca consiga sair da prisão".

"Seu idiota! Você está diferente... O que você fez no tempo que esteve fora? Como conseguiu me manipular desse jeito?", perguntou Rockefeller.

"Limpe bem os ouvidos e ouça. Aproveita e diga pro Ar também: eu fui atrás do meu mestre. E ele enfim concluiu o treinamento comigo", disse Al.

Nessa hora, Rockefeller suou frio. Momentos depois enfim chegaram no distrito policial.

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