terça-feira, 12 de maio de 2015

Doppelgänger - #72 - Troca de almas.

Agatha apertou o botão.

Nessa hora, a pessoa que aguardava o sinal estava no andar superior do estacionamento. E o sinal havia sido recebido sem problemas. A hora de acabar com isso era agora!

Agatha caiu no chão, praticamente morta, carbonizada pelas chamas. Sara ficou de olho dela. Havia algo diferente que estava acontecendo. Estava ligada na alma de Agatha, e naquele momento tentou ler a sua mente.

A primeira coisa que Sara viu pelos olhos de Agatha era uma praça. Um local aberto, ao ar livre. O sol estava brilhando forte. Aquele mês de novembro em Londres havia feito sol quase todos os dias - uma raridade, dado ao fato de que é um local que chove muito.

A segunda coisa que reconheceu foram vários prédios. Prédios comerciais, de bancos, de diversas instituições financeiras.

Quando Agatha virou seu rosto, viu que estava sentada num banco, e ao lado havia um rapaz, aparentemente jovem, pele branca, óculos, barba rala e cabelo loiro escuro.

Nessa hora, Agatha colocou a mão no seu ombro, assustada. E viu que suas roupas estavam diferentes. Mas ainda assim, tomada pelo susto, sua respiração estava ofegante e muito frenética, como se tivesse levado um susto.

Por outro lado, Sara não entendia aquilo. O corpo de Agatha estava ali na sua frente, inerte.

Parece que o rapaz ao lado de Agatha na tal praça se virou pra ela e disse algo:

"Tá tudo bem com você, Victoire?".

Nessa hora Sara reconheceu o local. Era o mesmo local que ela havia passado antes pra entrar no prédio. E que inclusive Agatha estava assistindo tudo do lado de fora. "Mas como isso era possível", ela se perguntava. Aquele local que Agatha estava vendo era Triton Square, em Candem Town!

Como se isso não bastasse para assustar a psíquica, o corpo real de Agatha na sua frente começou a se erguer.

"Uau, como você conseguiu derrubar a Agatha sem dar um arranhão nela, enquanto você aí tá toda baleada e furada?", disse a pessoa, com um estranho sotaque francês.

Dessa vez foi a vez de Sara sentir medo.

"V-você não tá queimada? Era pra você estar morta!", gritou Sara.

Nessa hora o corpo Agatha, erguida na frente de Sara, apontou a arma para a psíquica. Sara se desesperou.

"PORQUÊ? Porque não consigo ler a sua mente?", gritou Sara, que ia recuando um passo depois do outro, parecendo fazer força pra conseguir ler a mente, sem sucesso.

"Bom, vamos acabar logo com isso. Realmente o plano do Al funcionou direitinho", disse o corpo de Agatha, dando o primeiro tiro na coxa direita de Sara próximo ao joelho, derrubando-a no chão.

"Pare! Pare! Pare!!!", gritava Sara de despero.

A arma estava apontada pra sua cabeça. Sem hesitar, o corpo de Agatha deu mais um tiro em Sara.

Mas o tiro passou de raspão, deixando um corte sangrando na bochecha, abaixo da orelha.

"Droga. Bem que o Al insistiu pra gente treinar mais. Não consegui corrigir, esse braço dela é diferente, é mais longo que o meu, sem contar que é um pouco mais alta. Tô acostumada com meu corpo mesmo", disse a entidade no corpo de Agatha.

"Quem diabos... O que diabos é você?", disse Sara, aterrorizada, chorando e implorando clemência.

"Ah! Desculpe, não me apresentei. Sou eu, Victoire. A tal francesa que você não foi muito com a cara, lembra?", disse Victoire, no corpo de Agatha.

"Mas como você...?", perguntou Sara.

Nessa hora Sara olhou pra detrás do corpo de Agatha, e viu ninguém menos que Ravena, a mediúnica do grupo.

"Ravena... Porquê?", perguntou Sara.

Com a arma apontada pra cabeça o fim de Sara era inevitável nas mãos de Victoire no corpo de Agatha. Mas dizem que o destino tem planos maiores para nós mesmos, e talvez nós mesmos sejamos pequenos demais pra entender o que existe planejado para nós mesmos dentro dessa grande corrente de acasos que é a nossa vida.

Quando Victoire puxou o gatilho e arma emperrou. A chance disso acontecer era próxima de zero porcento, mas por um acaso do destino aconteceu.

"Merda. Parece que a dama da sorte tá do seu lado mesmo", disse Victoire. Depois disso ela deu uma pancada na cabeça de Sara com a arma, fazendo a psíquica cair desacordada.

Victoire virou-se para Ravena, no corpo de Agatha.

"Nossa, meu mamilo tá coçando... Ai, ai", disse Victoire, olhando para o seio de Agatha, que estava com marcas de mordidas, talvez ocorridas durante as noitadas de sexo dela, "Minha nossa, isso tá coçando demais! Eu não deixo ninguém morder meus peitos assim. Enfim... Ravena, pode fazer o favor de nos trocar de volta? Quero de volta meu corpo limpinho, por favor".

- - - - -

"Nossa. Quer dizer que aquele fogo nunca aconteceu?", disse Agatha, já de volta ao seu corpo.

"Não. Seu corpo tá inteirinho. Sem nenhum arranhão. Exceto aquilo nos seus seios...", disse Victoire, olhando com nojo pra Agatha, "Quando você sair pra uma noitada dessas selvagens passa alguma coisa pra essas feridinhas, tá? Nossa, isso tá coçando horrores, e você parece que tá sentindo nada!".

"A Sara não consegue produzir fogo, nem usar os poderes telepáticos dela de uma forma que mexa tanto com objetos físicos. Todo esse fogo era uma ilusão que ela projetou na sua mente, Agatha", disse Ravena.

"Parecia bem real. Mesmo", disse Agatha.

"A mente humana é um negócio fascinante mesmo", disse Ravena, "Inclusive tem a força pra parar de lutar pela vida quando percebe que a mesma chegou no fim, mesmo que isso seja apenas uma ilusão. Muitas pessoas que Sara matou ela sequer encostou num fio de cabelo deles, mas projetou de forma realista tantos danos no corpo por meio das suas ilusões que depois de um momento as próprias pessoas perdiam a vontade de viver acreditando que haviam sido feridas mortalmente, por mais que, fisicamente, nada daquilo havia acontecido".

"Esse plano foi excelente mesmo. E ainda bem que você conseguiu vir a tempo lá da América Latina, Ravena. Tivemos pouco tempo pra treinar, mas no final deu tudo certo", disse Victoire.

"Sara estava controlando psiquicamente a Agatha. Mesmo quando troquei a alma, ela continuou fixada na alma da Agatha, só que dessa vez estava no corpo de Victoire que não estava vendo ilusão alguma. Como Victoire não entrou em transe com Sara, quando ela acordou no corpo de Agatha nenhuma ilusão a estava afetando. Ainda bem que ela apertou o botão de pânico a tempo, pois ela poderia ter perdido de vez a vontade de viver e teria fatalmente morrido dentro da ilusão da Sara. Quando o botão apertou nós três meditamos e entramos em sintonia, e eu só fui o canal que trocou as almas umas das outras", disse Ravena.

"Você conhece a Sara bem pelo visto, não?", disse Agatha.

"Sim. Na verdade nós duas temos histórias diferentes, mas similares em um ponto: cruzamos nosso caminho com o Arch, anos atrás", disse Ravena.

"O quê? Sara também?", disse Agatha, abismada.

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