quinta-feira, 16 de julho de 2015

Doppelgänger - #86 - A lealdade de Agatha van der Rohe.

Era realmente muito dinheiro.

Agatha se aproximou, sem deixar de apontar a arma para o árabe. E sem hesitar, fechou a pasta com violência. O silêncio dominou o local, enquanto Agatha olhava fixamente para Fareed Al Abed.

"E então?", disse o árabe. Ele suava frio.

"Sinto muito, mas quando eu estou jogando em um time, eu prefiro perder nele do que o trair. Se você pensou que ia conseguir me fazer trair, eu sinto muito, mas mesmo que o mundo esteja com o Ar e contra nós, vou ficar do lado do que escolhi, pois traição é um ato covarde, além de imoral", disse Agatha, com firmeza.

Mas que merda..., pensou Fareed.

"Eu estou pouco me lixando pra você. Na verdade, vou pegar isso aqui e pegar as coisas que preciso", disse Agatha, tirando um HD portátil do bolso.

Ela conectou no laptop do empresário e rodou um programa que Neige havia criado. Um backup de todas as conversas, e-mails, planilhas e qualquer informação relevante estava sendo baixado.

A tela do computador apontava 10%.

"Não sei se vocês são corajosos ou se são loucos. O Ar já tem domínio completo da mídia, do sistema econômico, das empresas, dos políticos. Não dá pra fugir do cara! Ele vai achar vocês, vai estar sempre um passo na frente, vai buscá-los a todo custo", disse Fareed.

Agatha parecia ignorar. 23% e contando...

"Minha nossa, ele vai me matar! Ele colocou uma bomba em mim! Ele vê tudo, ele ouve tudo, ele sabe onde vocês estão e o que vão fazer. Ar sabe como ninguém apagar as provas e tudo mais, ele é invisível, ele é a sombra do sistema que manipula todo ele! Não dá pra fugir dele!", dizia Fareed, aumentando o tom de voz.

Nessa hora as garotas de programa que estavam trancadas no banheiro aproveitaram a brecha e saíram correndo. Agatha arriscou um tiro, mas pegou na parede. O computador continuava contando, 52%.

"Então me proteja, me use como prova! Eu posso não ter muitos dados de onde o Ar está, mas as poucas informações que eu tenho podem valer de alguma coisa no tribunal, mas por favor, não me deixem trancado na prisão! Eu sou apenas um empresário, eu dou emprego pras pessoas, nós que movemos a economia, somos nós que distribuímos os pães ao povo!", suplicava Fareed.

Agatha quebrou o silêncio. O computador apontava 68%.

"Pode deixar que usaremos você sim. Você e sua barriga gorda vão valer de alguma coisa, idiota", disse Agatha.

"Minha nossa, que ótimo! Isso me deixa feliz. Muito feliz", disse Fareed. Seus olhos marejavam e sua fala estava ficando confusa. Parecia estranho. "O pessoal da própria Inteligência vai me proteger, e eu vou ficar bem. Talvez nem pegarei tanta prisão, mas pelo menos aquele reino de bosta do Ar vai acabar. Ai, ai, ai, ai... Será que eu conto que eu sei como o Ar conseguiu reunir tantos agentes pelo mundo?", Fareed parecia falar sozinho.

Agatha ouviu. O computador apontava 86%. Ela deu um tiro pro alto pra chamar a atenção e olhou atentamente para o homem.

"Como o Ar conseguiu reunir tantos agentes? O que você sabe sobre isso?", perguntou Agatha.

"A Dawn of Souls sumiu na época em que o Al estava atrás dela, antes dele se casar com aquela menina, lembra? Pois ela foi pras mãos da própria Émilie, o documento valioso com os nomes verdadeiros e localização de todos os agentes da Inteligência pelo mundo. E Émilie passou pro seu filho, o Ar. E ele usou a Dawn of Souls para recrutar pessoas ao redor do mundo inteiro para a Neo Chrysalis", disse Fareed.

"Mas que merda...!", disse Agatha, abismada. A Dawn of Souls estava desaparecida há anos. E ela está nas mãos do próprio Ar!

O computador apontava 97%.

"Mas humanos não poderiam proteger a Dawn of Souls. Você sabe porque aquela lista tem esse codinome, não?", perguntou Fareed.

"Sim. O 'alvorecer das almas'. É um documento que abriria os olhos de toda a humanidade e iria expor todos os agentes ao público. Seria como se as pessoas que vivem na escuridão que a Inteligência os dá fossem levados à luz, ao alvorecer, à aurora", disse Agatha.

"Isso, isso! E como você bem sabe o documento tem um valor incalculável", disse Fareed. Ele estava suando frio, e começou a desabotoar sua camisa. Parecia estar passando realmente mal. O computador apontara 100% e Agatha puxou o HD portátil do plugue USB.

"Mas o que você quer dizer que humanos não poderiam proteger a Dawn of Souls?", perguntou Agatha, nervosa.

"Ahhh...", Fareed caiu no chão de joelhos. Sua respiração estava difícil, "Todos querem ir pra luz. Todos querem o dinheiro incalculável que essa luz traria...", o árabe colocou a mão no peito.

Mas que merda! O que tá acontecendo aqui?, pensou Agatha.

"Ar criou um computador... Inteligente... Um A.I. (Inteligência Artificial) super poderoso... Capaz de proteger... Tomar decisões... E juntou isso ao Dawn of S...", disse Fareed. Caindo depois, asfixiado.

"Merda!!", disse Agatha. Fareed Al Abed estava morto.

Agatha pegou uma seringa e puxou um pouco de sangue do árabe para Victoire analisar. Começou a revistar o corpo dele e não achou nada demais. Pegou a pequena seringa e saiu do prédio disfarçadamente.

A polícia chegou segundos depois de Agatha deixar o prédio e pegar um táxi.

"Neige, já saí do local. Consegui encher o HD com provas que podem nos levar ao Ar", disse Agatha.

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