Doppelgänger - #101 - Nada.

“Venha cá, Eliza! Para de fugir, sua maldita!”, disse Schwartzman, depois de tanto subir a escada, ficando sem fôlego.

“Socorro! Alguém me ajuda!!”, gritou Eliza Vogl. Mas era tarde demais. Schwartzman havia pego seu braço.

Mas já perto do topo do Monumento ele estava praticamente sem ar. A menina era uma criança, tinha aquele fôlego infinito que todas elas têm. Ela por instinto pegou e deu uma mordida forte na mão de Schwartzman que a segurava. Porém, nada aconteceu.

“Bela tentativa, menina. Eu não sinto dor alguma”, disse Schwartzman, sério.

Ele, ainda arfando, puxava a menina descendo a escada. Eliza não tinha escapatória. Ela tinha que pensar em algo, e rápido.

Ele não sente dor? Droga... Que cara estranho, será que usou o conhecimento biológico pra fazer aprimoramentos no seu próprio corpo? Pensa, Eliza, pensa... Por mais que o corpo dele não sinta dor, o corpo dele ainda é feito de tendões e nervos. Talvez se eu pressionar no lugar certo, ele abrirá a mão de forma motora e vai me soltar. É isso! Já sei!, pensou Eliza Vogl.

A menina era bem-dotada. Um verdadeiro gênio da sua idade. E além de tudo, conhecimentos em anatomia. Fez toda sua força pra parar Schwartzman, que a puxava com muita força, mas ainda assim o forçou a parar.

“Venha logo, larga disso!!”, gritou Schwartzman, puxando Eliza Vogl.

Nessa hora ela jogou seu corpo, junto com a força do braço de Schwartzman ela praticamente voou em direção ao corrimão, mas o cotovelo do judeu bateu primeiro, e o tendão do cotovelo, aquele famoso nervo que nos dá “choque” o fez abrir a mão e liberar Eliza.

“Ora, sua! Volte aqui!!”, gritou Schwartzman enquanto Eliza voltava a subir as escadas em direção ao topo.

“Ei, Schwartzman!”, uma voz masculina veio de baixo, “Veja se procura alguém do seu tamanho!”.

Era Lucca. Com a Five-seven apontada pra Schwartzman.

Schwartzman estava sem reação. Ele nunca viu ninguém que havia sobrevivido a ele. E na sua frente, sua maior criação estava viva, apontando uma arma. Seus olhos estavam arregalados, e nem mesmo ele sabia o que esperar. Aquilo era algo inacreditável. Impossível que ele teria sobrevivido aquilo!

“Lucca!!”, gritou Eliza, ao ver seu salvador.

“Eliza, continua subindo! Estou com ele na mira. Agora vamos, Schwartzman. Tem vários policiais nos esperando lá embaixo. Eu vou preso, mas você vai junto comigo. Vamos logo, eu estou armado, e não tenho medo de atirar!”, disse Lucca.

Schwartzman desceu dois degraus e olhou pra Lucca. Ainda parecia mentira pra ele. Por um momento lembrou de tudo o que tinha feito com Lucca. Ele havia colocado também diversas modificações para fazer com que a vida da sua criação fosse prolongada, que ele fosse resistente a envenenamento, drogas mentais. Pelo menos um bom número delas. Pra que Lucca fosse um guerreiro tão invencível quanto o próprio Schwartzman.

Olhando pra Lucca, vivo, na sua frente, só havia uma coisa que ele poderia perguntar:

“Você por acaso é imortal também?”, perguntou Schwartzman.

E Lucca não tinha uma resposta melhor:

“Não. Eu apenas não tenho medo da morte”, disse Lucca.

E Schwartzman deu um golpe desajeitado, batendo no braço de Lucca e jogando sua arma escada abaixo. O judeu sacou sua faca de combate e foi pra cima de Lucca, mas todos seus movimentos eram inúteis, já que Lucca conseguia se esquivar de todos e devolvia diversos golpes em Schwartzman.

E os dois se engajaram um combate descendo as escadas em caracol de dentro do Monumento. Lucca sempre se desviando e dando golpes, Schwartzman não conseguia dar um único golpe, e seu corpo estava cada vez mais machucado – por mais que ele não sentisse dor alguma.

Ainda assim, o corpo dele poderia em algum momento poderia entrar em colapso depois de tantos golpes. Ele tinha que revidar. Dentro do seu jaleco tinha diversas drogas alucinógenas. Algo tinha que funcionar!

Schwartzman sacou um spray comprimido que tinha depois de levar um soco de Lucca bem no rosto.

“Surpresa!!”, gritou Schwartzman, mas Lucca desviou o rosto.

Porém, quando Schwartzman apertou o spray, não era pra envenenar Lucca. O gás todo foi apertado e, aparentemente por engano, acabou mirado no rosto do próprio Schwartzman.

O que? Ele injetou a droga nele mesmo? Deve ter se enganado. Esse cara é maluco!, pensou Lucca.

Mal o spray havia sido tragado pro Schwartzman e Lucca fechou o punho e foi em direção a Schwartzman.

Porém, inexplicavelmente, o judeu simplesmente desviou.

E Lucca sem entender nada de novo sem perder tempo cerrou o outro punho e novamente deu um golpe. Schwartzman não apenas desviou, como segurou firmemente o punho de Lucca. Aquele homem estava inexplicavelmente mais forte e ágil!

“Eu chamo isso de Acelerador Neural e de Reflexos. Todos os meus nervos e músculos do corpo estão em seu máximo. Eu sou muito mais forte e consigo ver todos os seus movimentos. Tudo parece em câmera lenta, é tão fácil lutar assim!”, disse Schwartzman, dando um riso irônico.

“Incrível o que a droga certa pode fazer com a pessoa! Realmente agora ficou mais difícil!”, disse Lucca, ainda com o braço em poder de Schwartzman.

“Você vai voltar a ser o que você sempre era quando eu te encontrei Lucca”, disse Schwartzman.

“O quê? Você vai me matar, é?”, disse Lucca, ainda sem conseguir tirar seu braço que estava sendo segurado por Schwartzman. Ele tinha ficado realmente forte.

“Não. Você vai voltar a ser um NADA”, disse Schwartzman, dando um potente soco no rosto de Lucca, jogando-o pelas escadas abaixo.

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