sábado, 10 de outubro de 2015

Doppelgänger - #104 - Trust me.

“Lucca! Lucca! Você tá me ouvindo? Por favor, não morra!”, a voz de Eliza Vogl era ouvida por Lucca claramente enquanto os médicos levavam ele pra fora do Monumento.

A menina simplesmente não desgrudava dele.

“Eliza, sou amiga dele, meu nome é Agatha. Você precisa deixar ele entrar na ambulância!”, disse Agatha, puxando a menina.

“Não! Não!!”, gritava Eliza, aos prantos, achando que Lucca estava morrendo, “Eu quero ficar com ele!!”.

Lucca usando todas as suas forças virou seu rosto pra pequena Vogl e disse algo para acalmá-la:

“Eu estou bem. Agora fique com ela e a obedeça. Ela é uma grande amiga minha”, disse Lucca.

Nessa hora Eliza enfim ficou mais tranquila. A maca entrou na ambulância e Lucca enfim foi levado ao hospital, completamente ferido. Já Agatha estava abismada. Olhava pra Eliza e não conseguia acreditar que aquela menininha pudesse ter uma importância tão grande, que fosse detentora de segredos tão grandes assim.

Sequer pode Agatha reparar que junto dos policiais vinha novamente o capitão Dawson. O mesmo detetive que havia preso Agatha dias atrás.

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19h10

A noite já há muito tingia o céu londrino. Victoire estava sentada no sofá, não resistiu ao friozinho confortável do local e adormeceu vendo TV. Estava assistindo um programa culinário na NHK World.

Neige permanecia no computador, vendo as informações que ela havia conseguido no HD. Era realmente muita coisa a ser vista, e resolveu usar um programa pra buscar algumas palavras-chave necessárias dentro dos arquivos nos HD.

Nessa hora ele viu Victoire. Ela estava sentada no sofá do quarto de frente com a porta. Parecia um cão esperando o dono, no caso, Al. Enquanto o computador processava, Neige dava uma olhava no movimento da rua. Tudo estava tranquilo. Tranquilo até demais.

Hum... Conteúdo interessante...Tem vários e-mails de ordens do Ar para todos eles aqui. São ótimas provas. Melhor ir fazendo um backup disso em algum lugar. Acho que tenho um espaço ainda no Skydrive..., pensou Neige.

Neige deixou o computador processando os termos de busca e pegou um cobertor, colocando calmamente em cima de Victoire. Ela dormia profundamente, e parecia ainda mais bonita dormindo. Seu rosto estava sereno. Mas ainda assim ele tinha medo. Não apenas pelo fato dela ser obviamente completamente apaixonada pelo Al, mas também o fato dela aparentemente não dar nenhuma bola pra ele, e junto ao crescente medo que homens têm hoje em dia de se aproximarem de mulheres. Numa era onde não existe mais romantismo, nem paquena, uma singela e educada cantada por mais bem intencionada que seja pode eventualmente ser taxado de algum machismo, ou algo assim, quando uma coisa não tem nada a ver com a outra. Por via das dúvidas Neige deixou quieto. E voltou para o computador.

O café já havia acabado faz tempo. Passou alguns minutos e alguém bateu na porta. Victoire acordou e abriu a porta prontamente, sem nem perceber que estava com um cobertor.

Era Al.

“Al! Nossa. Que alívio”, disse Victoire, “Tudo bem com você?”.

“Oi Vicky. Sim, está tudo bem. Cadê o Neige?”, perguntou Al, falando da mesma maneira que normalmente fala com Victoire.

Nessa hora Neige viu Al. Deu um olhar surpreso pro seu amigo, parecia incrédulo de alguma forma.

“Al? Já voltou?”, perguntou Neige.

“Sim, desculpe Neige, acabei perdendo o celular lá que tinha como contato contigo. Como estão os dados? Já conseguiu alguma coisa?”, perguntou Al.

Neige esboçou tranquilidade, e levou Al até o computador.

“Sim, achei alguns dados já. Coisa bem quente. Acho que poderemos usar isso aqui e denunciar tudo o que o Ar fez. Vocês fizeram um ótimo trabalho”, disse Neige.

“Ótimo. E onde está Agatha e o Lucca?”, perguntou Al.

“Eu não sei. Agatha estava aqui, mas disse que recebeu uma ligação do Lucca e foi correndo atrás dele”, disse Neige.

“Entendo. Talvez Lucca esteja correndo perigo. Sabe se ele conseguiu algo?”, perguntou Al.

“Não. O problema é que tem centenas de policiais vindo atrás de nós agora, e sem contar o Ar que está também nos caçando com aquele exército dele”, disse Neige.

As mãos de Neige estavam tremendo. E Al não conseguiu deixar de reparar nisso.

“Suas mãos estão tremendo. Você está bem?”, perguntou Al.

“Ah, desculpa, Al. É que eu sou um mero assistente na NSA. Essa coisa toda está sendo muito estressante pra mim, acho que estou meio com medo da minha própria sombra, eu nunca fui tão caçado assim na minha vida”, confessou Neige.

Nessa hora Al colocou a mão no seu ombro e olhou firmemente nos olhos de Neige.

“Meu amigo, não há nada a temer. Vamos conseguir terminar isso bem. Confie em mim”, disse Al.

Neige confirmou com a cabeça. Al foi até o cabide e tirou seu paletó, vestindo após colocar no seu pescoço um cachecol. Estava abaixo de zero lá fora.

“Vou descer pra comer alguma coisa e fumar um cigarro. Já venho. Vai querer alguma coisa, Vicky?”, perguntou Al.

“Acho que estou com fome também. Vou descer contigo, pode ser?”, disse Victoire.

Al ficou calado e a aguardou na porta, sem responder nada. Os dois falaram “até logo” pra Neige e fecharam a porta.

As mãos de Neige continuavam a tremer como nunca.

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