quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Doppelgänger - #107 - As ações contra aqueles que se opõe à verdade.

19h50

"E quem você acha que está nos traindo, Al?", perguntou Victoire.

"Pensa bem. Tudo parecia estar correndo bem, até que uma pessoa entrou no nosso time. Até então estávamos sempre na frente do Ar em tudo, e do nada o jogo começou a virar contra nós", disse Al.

Victoire começava a pensar, mas somente uma situação vinha na sua cabeça.

Canary Wharf... Foi depois daquela vez que o Ar nos pegou que todo o jogo começou a virar contra nós, pensou Victoire.

Al deu mais uma garfada na comida. Parecia boa. Era um Carpaccio de Salmão, e estava impecável. Porém, Victoire parecia ainda em choque. Estava branca, abismada.

"Parece que não preciso nem mesmo falar quem é o traidor, pela sua cara", disse Al.

"Não pode ser... O Neige sempre parecia ser de tanta confiança! E isso não parece possível, pois sempre continuamos dando passos em frente na investigação!", disse Victoire.

Al bebeu um pouco o vinho branco que estava servido em sua taça.

"É exatamente essa a questão, Vicky", disse Al, fitando Victoire nos olhos, "Neige me pareceu uma pessoa de confiança, porém ele pensou em tudo. Pode ser que pra você pareça que estamos fazendo avanços nas investigações, mas tudo foi meticulosamente planejado por ele para que parecesse isso".

"Impossível!", disse Victoire.

"Eu sinto muito, Vicky. Sabia que ia ser difícil de você entender, mas pode ter certeza que estou já, com a ajuda da Briegel, mandando policiais prendê-lo. Será uma pessoa a menos no nosso encalço", disse Al.

Victoire ainda não acreditava. Al pegou o celular e teclou algo, como se fosse uma mensagem para uma outra pessoa. Victoire continuava abismada olhando para aquilo. E se perguntou como o Neige tinha feito aquilo tudo? Ele sempre pareceu uma pessoa de confiança. Todos no time, aliás, pareciam pessoas de confiança.

Talvez seria por isso que Neige estava daquele jeito quando viu o Al entrando no esconderijo deles?

Passaram-se apenas uns dois minutos. Mal havia passado o tempo do Al terminar a entrada e a polícia passou correndo atrás deles, na rua. Victoire pode ver as luzes das sirenes por detrás da vidraça.

- - - - - -

"Não vamos publicar isso, Frost. Saia já daqui", disse Tommy Smith, seu diretor no The Guardian.

"Senhor, temos todas as evidências! Muita coisa está acontecendo e está sendo simplesmente acobertada! É um perigo real e eminente essa insurreição de Arthur Blain! Pelo menos devemos ser jornalistas e cumprir nosso dever ético de informar a sociedade que será prestes abalada por algo sem precedentes!", gritava Frost.

Tommy Smith sentou-se na cadeira. Não tinha passado muito tempo desde que David Frost havia trago uma outra notícia igualzinha. Mas não tinha jeito. Aquilo sobre a Insurreição de Arthur Blain - uma matéria que poderia ser colocada como capa de qualquer revista do Reino Unido ou mesmo do mundo não poderia nunca ser colocada no ar.

"Vou te explicar como o mundo funciona então, Frost. Já que da outra vez você parece que não entendeu muito bem", disse Tommy.

"Como o mundo funciona? Como assim?", perguntou Frost.

"Se você olhar para a janela lá fora verá a King's Cross St Pancras com seu mundo de pessoas indo de um lado pro outro. Pessoas essas que estão pouco de importando, e sequer poderão tomar decisões sobre o futuro desse lugar que eles vivem. Isso sem contar os imigrantes, esses árabes, latinos e asiáticos imundos que dominaram nossa linda Londres", disse Tommy, que diga-se de passagem, sempre foi um defensor de expurgo de imigrantes do Reino Unido.

"E daí?", perguntou Frost.

"Essas pessoas escolhem pessoas para que possam tomar decisões por elas. Mas essas pessoas não tomam decisões apenas por elas...", disse Tommy Smith, falando pausadamente para destacar os pontos que desejava em sua fala, "...Na democracia damos direitos a todos falarem. E nenhum será ouvido por todos. Todos têm o direito de discordar, e achar que algo não é real, e claro, embora isso pareça algo lindo na teoria, é o que gera o caos que temos na sociedade hoje".

"Onde o senhor quer chegar?", perguntou Frost.

"Eu quero chegar no ponto é que as pessoas saberem disso ou não, não vai mudar nada. Não são elas que tomam as decisões da sociedade. Sempre tem pessoas acima delas que tomam todas as decisões, e elas sabem exatamente disso. Pessoas querem abrir o The Sun e ver fofocas, querem abrir o Metro e ver as novidades sobre o filho da Kate Middleton. Nós não podemos deixar as pessoas saberem a verdade, como o mundo funciona. Senão teríamos guerras, motins, revoltas, todas acontecendo ao redor do mundo, e todas as pessoas entrariam em histeria coletiva! É melhor mantê-las nesse torpor de serem meros assalariados dentro da democracia do que cabeças pensantes anarquistas!", disse Tommy.

"O senhor está dizendo então que sabe que isso tudo o que eu digo é verdade, e mesmo assim, deliberadamente não vai publicar?", disse Frost.

Nessa hora Tommy sentou, e deu um suspiro aliviado.

"Ufa. Fico feliz em ver que enfim entendeu", disse Tommy, "Saia daqui então, Frost. Espero que agora não me venha mais com essas sandices".

Frost não sabia o que fazer. Especialmente sobre essa de serem pessoas assalariadas dentro de um torpor que a democracia causou nas pessoas. Afinal, essa era a sua vida. Acordar, tomar café, ir pro trabalho, trabalhar, fazer um pausa pra comer algo, trabalhar, beber algo num pub, ir pra casa, fazer sexo com a esposa e dormir, para reiniciar o ciclo novamente no outro dia.

David Frost pegou sua pasta com todos os documentos com as provas da Insurreição de Arthur Blain e se retirou da sala, enfurecido, batendo a porta da sala do seu chefe. Com certeza não duraria muito no trabalho depois dessa. Pegou todas as coisas de valor da sua mesa, foi até o setor de RH e pediu sua demissão.

Foi ao estacionamento e entrou no seu carro.

Enfim, paz.

Quando ia colocar a chave no engate um homem indiano apareceu do seu lado. Tinha uniforme militar. Batia forte no vidro pra chamar sua atenção, gritando diversas vezes: "Saia já daí, agora!!".

Frost assustado abriu a porta e foi puxado pelo indiano desesperado. Estava ficando com raiva pois sua roupa agora estava tola ralada e rasgada, pois escorregou no chão, ainda assim o homem parecia que era tão forte que conseguiria carregar dois dele.

"Vamos logo!! O carro vai explodir!!", gritou o indiano.

Dito e feito. Segundos depois do indiano dizer isso o carro de David Frost explodiu.

Frost estava completamente mudo. Era pra ele estar lá naquele carro.

Subitamente ralar o tecido de uma calça nova não pareceu tão o fim do mundo assim...

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