quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Doppelgänger - #117 - O fera e a bela.

Al não saiu do lugar ao ver Ar empunhando a arma, se colocando por trás de Victoire e apontando a arma pra cabeça dela.

“Mas que merda, Victoire!”, disse Al, quase num sussurro.

Victoire sentia o frio cano da arma na sua cabeça. Por um lado teve medo de morrer, mas por outro lado aquilo pra ela significava outra coisa.

Na sua frente estava o Al. Seu amado cavaleiro. A pessoa que mais fazia seu coração bater. E ela sabia que ele iria salvá-la. Que apesar de tudo o que havia acontecido, e tudo o que ele não sentia por ela, no final seria ele quem a salvaria do vilão. E ela presenciaria o seu Fera virando Príncipe Encantado.

Mas por outro lado havia outra coisa intrínseca nessa situação toda.

Al viu de longe que parecia que Ar não a imobilizava corretamente. Seria impossível pra uma pessoa com experiência na Inteligência como Ar não saber como imobilizar corretamente uma pessoa. Dava pra ver claramente que era apenas com a mão que ele segurava o braço direito de Victoire enquanto ele ficava atrás dela – e isso era muito simples de se escapar e tomar a arma de volta. Toda aquela situação poderia acabar sem o disparo de uma única arma. Aquilo para Al era apenas charme da Victoire pra querer ser salva por ele.

“Chega de asneiras. Victoire, vamos, saia daí. Você já se livrou de situações muito piores do que essa”, disse Al, se aproximando deles.

Nessa hora Victoire viu que ele não estava lá para salvá-la. Al estava a pelo menos uns dois metros deles, estava realmente próximo. E de fato, era apenas a mão de Ar que a estava segurando, era muito fácil dar um movimento e se livrar.

Mas nessa hora Victoire viu como é tolo o coração de alguém apaixonado. Ela, por mais que fosse a mulher forte que era, naquele momento era frágil como uma menininha. Era de propósito aquilo tudo pra ela. É óbvio que ela queria era ser salva pelo Al, e não se livrar, mesmo que aquilo fosse possível e ridicularmente fácil. Parecia até que o Ar tinha feito isso de propósito.

Porém o tempo estava passando. Victoire baixou a cabeça e começou novamente a chorar. Ela não queria se soltar. Ela queria ser salva pelo Al.

“Al! Vamos lá. Estamos aqui de novo. Assim como a garota do cabelo cor-de-beringela de anos atrás você está na frente de mais um dilema. O que você vai escolher? A garota ou a missão?”, perguntou Ar.

Al foi direto ao ponto:

“Mate-a. Não significa nada para mim”.

Victoire ao ouvir aquilo ficou sem chão. Simplesmente queria poder enfiar a cabeça na areia e nunca mais tirar de lá. Tinha vergonha de si mesma, vergonha de ter nutrido por tantos anos tal sentimento pelo Al, e agora estava numa situação onde sua vida estava por um triz e a decisão de Al era clara. Que ela não significava nada para ele.

Se isso fosse um filme, provavelmente Al a salvaria e os dois ficariam juntos para a sempre. Mas essa era a vida real. E na vida real não existem finais felizes quando se ama alguém. Especialmente se a outra pessoa não corresponde. Só existe sofrimento, desilusão, tristeza e frustrações. Isso era a vida real. Esse era o amor cru e seco do mundo de hoje.

Por um momento Victoire pensou na missão. Al saiu para viver um exílio em algum país do mundo com uma outra identidade havia anos, e ela ainda estava lá, trabalhando na Interpol, solucionando crimes, agindo como uma agente da Inteligência. Ele não voltou em Londres em 2012 para ficar com ela. Ele voltou para parar o homem que naquele momento a estava fazendo de refém.

E que, por mais que Al parecesse um grande canalha e cafajeste, infelizmente todas as consequências e escolhas foram culpa exclusivamente dela. Foi ela quem escolheu nutrir aquilo. Foi ela quem escolheu sofrer de amor por alguém que nunca a amaria. Não era Al que estava errado em querer transar com ela. Era ela quem estava nutrindo um sentimento amoroso e se deixando se submeter esperando que houvesse algo do outro lado – mas nunca teve.

E agora o próprio Al havia dado o ultimato. Poderia matar ela, ela não significa nada para ele.

Ficar sem ver o seu amor era a pior das coisas que ela poderia ter que encarar. Mas naquele momento ela, ainda com o rosto cheio de lágrimas, ergueu e olhou para Al nos olhos. Victoire sorriu timidamente.

“Olha só... Você tá sorrindo, Vicky?”, disse Ar, vendo a reação por detrás dela, “Você mesma ouviu, você não significa nada para ele. Esse sorriso significa o quê? Que você vai morrer pela missão?”.

“Não”, disse Victoire, “É que não existe felicidade maior no mundo do que ser morta pela pessoa que mais ama”.

Al permanecia parado, observando tudo e tragando seu cigarro. Ele parecia realmente calmo, apenas vendo o desenrolar dos fatos.

“Ok, meu irmão! Hora de fazer o último pedido...”, disse Ar, engatilhando a arma.

O que aconteceu a seguir foi muito rápido.

Ouviu-se um disparo. Al sacou a pistola dele, a mesma que ele havia usado pra torturar Andrada no Zoológico de Londres mais cedo e simplesmente disparou ele mesmo contra Victoire.

Sangue da francesa jorrou e se espalhou pelo ar em forma de gotas vermelhas. O impacto fez Ar recuar e o corpo e Victoire foi caindo ao chão.

Al ainda tinha duas balas. Nessa hora Ar viu que sua refém já havia sido baleada e simplesmente se virou e começou a correr. Al mirou nele e atirou, mas com a confusão toda os tiros passaram bem perto, mas nenhum acertou Ar.

No chão estava o corpo de Victoire, todo ensanguentado. Ar havia fugido.

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