quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

2015, o ano que custou a terminar.

Esses dois últimos meses de 2015 foram sem dúvidas os piores de um ano que por si só foi horrível.

A começar pelo que aconteceu dia 11 de novembro, desencadeando de volta minha velha amiga depressão. Me fez abandonar (mesmo que temporariamente) minha fé, a coisa que eu mais amo nessa vida.

Mas desde aquele dia, várias coisas aconteceram de horrível comigo. A começar pelos atentados em 13 de novembro na França. Ok, detesto franceses, e tenho uma verdadeira bronca com pessoas de lá, mas um atentado é um atentado. Ainda mais com tanta gente inocente morta.

No final de novembro meu pai tirou férias forçadas do serviço. A firma não anda bem das pernas (tem alguma que está bem nesse país?) e, para evitar ainda mais demissões, deram férias coletivas. Porém, minha vida inteira, sempre que ouvia que meu pai iria tirar férias, eu sempre ficava péssimo, porque se já é difícil conviver com ele vendo-o apenas nas noites quando chega cansado do serviço, encarar ele todos os dias com o temperamento igual é algo péssimo. Pois era uma pessoa em casa criticando tudo, dizendo que eu era um lixo, dizendo aquelas coisas "lindas" que ele sempre me disse, mas tinha um agravante: Meu pai estava na lista dos que seriam demitidos.

E isso pra um cara que trabalhou trinta anos na mesma empresa, que tinha um cargo de confiança e grande sucesso na carreira foi um duro golpe que, pra variar, nós em casa que devíamos aguentar o mau humor dele elevado ao cubo. Ver esse homem me encarando, como se tudo na vida dele fosse culpa minha, aos berros gritando com tudo e com todos, nos agredindo verbalmente, era demais pra mim.

Junte isso à depressão. Junte isso a pior desilusão amorosa da minha vida. Junte isso à dificuldade enorme em conseguir emprego. Junte isso aquele sentimento de não ter pra onde correr e ter que encarar isso tudo de frente. Junte isso à vontade imensa de colocar uma corda no pescoço e torcer pra que na próxima vida eu tenha mais sorte.

E aí meu avô, no começo de dezembro, contraiu uma infecção gravíssima, que junto com a diabetes dele, fez com que uma picada de inseto em três dias evoluísse e praticamente comesse a perna esquerda dele inteira.

Eu amo demais o meu vô Chico. Adoro ouvir as histórias dele e conversar com ele. E quando ouvi isso decidi ficar um tempo por lá, dar uma força pro pessoal e me mandei pro interior. Era um rehab também, pra me afastar desses problemas imensos que estavam engolindo minha vida. Eu nunca consegui correr dos meus problemas. Conheço tanta gente que corre dos problemas, mas eu nunca consegui. Sempre quando eu tinha problemas eu estava preso numa gaiola onde a única opção era enfrentar - por mais duro que pudesse ser.

E óbvio que a família inteira tava abatida. Mas ainda assim não perdia a fé nos Budas e pedia todos os dias pela saúde do meu avô. E quando cheguei lá, em quatro dias, ele teve alta do hospital. Fiquei até dia 29 lá, e quando saí, ele estava praticamente curado. E isso pra quem estava praticamente com a perna na fila da amputação (pra não dizer coisa pior, como a infecção chegar na corrente sanguínea).

Mas 2015 ainda tinha coisas que iriam me deixar ainda pior.

Dia 31 meu irmão acordou muito tonto, e meu pai o levou pro hospital achando que era uma labirintite. Ele foi internado com princípio de AVC. Foi, sem dúvidas, a pior passagem de ano que eu tive.

Depois da bateria de exames, do desespero, e da promessa de que eu voltaria ao templo se ele ficasse bem, dia 01 pela manhã recebemos a confirmação de que não era derrame coisa nenhuma. Era uma vertigem. Graças aos Budas, é claro, e no mesmo dia fui participar de uma cerimônia no templo - o mesmo lugar que eu não gostaria de ir. Pelo menos não tão cedo.

Mas talvez tenham coisas que eu precise refletir sobre. Respostas essas que virão apenas num futuro próximo.

Mas que esse ano não deixará saudade alguma, ah... Não vai deixar não.

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