quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Doppelgänger - #121 - Pálido como a neve.

Pelo menos uns dez carros da polícia, comandados por Natalya Briegel estavam nas redondezas da Bolsa de Valores londrina fechando o perímetro naquela noite para pedestres.

“Senhores, por favor, podem fazer o retorno pelo outro lado? Estamos fazendo um treinamento de incêndio, coisa corriqueira, nesse momento. Pedimos desculpas pelo transtorno”, disse Briegel, acalmando um grupo de turistas de passeio na região do Bank. Obviamente era mentira dela.

“Senhora Briegel, o perímetro inteiro está fechado. Nossas viaturas estão de prontidão no aguardo de suas ordens”, disse Weaver, o antigo braço direito de Briegel nos tempos da Inteligência.

“Obrigada, Weaver. É apenas pra evitar que algo aconteça”, disse Natalya Briegel.

Natalya ainda ficara surpresa com o tamanho respeito que as pessoas tinham por ela, mesmo depois de estar aposentada há tempos. Homens e mulheres que haviam trabalhado junto com ela, pessoas que a conheciam, a respeitavam, e que mesmo depois de tanto tempo ainda se lembravam dela. E ainda assim o respeito era compartilhado por todos.

“Briegel!”, disse Bose, se aproximando de Natalya, “O Frost já está lá dentro. Está colocando escutas e câmeras em locais próprios pra gravar tudo. Ele parece bem empolgado”.

Natalya deu um sorriso tímido.

“É. Espero que lá dentro esteja bem mais movimentado que aqui. Aqui está calmo...”, Natalya fez uma pausa, “...Calmo até demais”, desabafou Natalya, que não gostava muito desses momentos de calmaria em missões importantes como essa.

- - - - -

Neige pegou e começou a correr, tentando achar um lugar pra se esconder dentro daquelas ilhas dentro daquele escritório imenso onde os corretores trabalhavam em suas divisórias. Pelo menos estava tranquilo, pois Eliza Vogl não estava à sua vista. Provavelmente ela já estava escondida em algum lugar.

Quando ele enfim conseguiu entrar nas divisórias começou a procurar um local pra se esconder. Talvez embaixo de uma mesa, e esperar até esse grupo de pessoas passar e ir embora. Olhou, olhou, olhou. Levou tanto tempo que ficou rodando o local, indeciso, com medo.

Até o momento em que vira um pointer vermelho brilhando em seu peito. Uma mira a laser.

Neige simplesmente congelou.

“Neige!”, gritou a voz feminina, apontando uma lanterna em sua direção, “Jogue sua arma no chão e venha até aqui, calmamente. É bom que você não tente nenhuma bobagem, senão vou atirar”.

Neige estava branco, mais branco do que ele era realmente.

“E-eu n-não tô armado!”, disse Neige, gaguejando.

“Ótimo. Imaginei que não estava. Venha até aqui então. Não vamos te machucar. Onde está o Al?”, perguntou a voz feminina.

Neige começou a dar a volta e ir em direção daquele grupo de pessoas. Tudo estava escuro, não dava pra ver rosto de ninguém, exceto que havia uma lanterna apontada pro seu rosto, impossibilitando visualizar bem qualquer coisa.

“Eu não sei”, disse Neige.

“Ora, vamos logo, você sabe sim. Ele veio com você não veio?”, perguntou a voz feminina.

“Sim, ele veio sim, mas ele foi pra um lado e eu fui pro outro. Como aqui tinham computadores, pensei que poderia entrar o sistema por aqui”, disse Neige, sem contar nada sobre Eliza ou Rosebud.

E enfim o grupo se encontrou com Neige.

“E você, quem é?”, perguntou Neige.

“O que? Não tá me reconhecendo, Neige? Já trabalhamos juntos. Não tem nem mesmo um palpite?”, perguntou a voz feminina.

Sim, a voz era realmente familiar. Tinha um leve sotaque latino. Ela virou a lanterna pro seu rosto e aí Neige se lembrou que já tinha sim trabalhado com ela.

“Sim, eu lembro de você... Mas como era seu nome mesmo?”, perguntou Neige.

“Nossa, como você trabalha na NSA com essa memória de bosta?”, brincou a mulher, “Fala sério. Sou eu, Olivia Carrion”.

“Carrion! Isso! Mas o que raios você tá fazendo aqui?”, perguntou Neige.

“Olha Neige, nada pessoal, mas estou do lado do Ar. Mas como eu te conheço, vou ser leve com você e só te deixar trancado lá embaixo enquanto o Ar termina as coisas dele. Não leve a mal, sim?”, disse Olivia.

“Tá certo. Game over pra mim então, né? O Ar realmente deve estar feito com pessoas como você no time dele. Você é a agente C, não?”, perguntou Neige.

“Olha só, você tem boa memória! Bom, vou pedir pra vocês dois levarem meu amigo lá pra baixo”, disse Carrion, ordenando pra dois dos seus três capangas levarem Neige, “Você fica aqui comigo pra fazermos a ronda”.

E enquanto isso Eliza Vogl estava escondida, em algum lugar daquela sala, sozinha, com muito medo.

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