segunda-feira, 7 de março de 2016

Doppelgänger - #132 - O momento de hesitação.

Frost estava junto de sua esposa andando cautelosamente em uma das grandes salas onde os corretores ficam na bolsa de valores do Reino Unido. Ao longe ele ouve passos se aproximando. Estavam cruzando o corredor e entrando na sala. Eram homens armados portando lanternas, e rostos protegidos por capacete. Pareciam membros das operações especiais.

“Justine, quero que volte e fique por lá. Não vou me perdoar se acontecer algo com você, meu amor”, disse Frost, dando um beijo nela.

“Dave! Não! Eu estou junto de você nessa, lembra?”, disse Justine.

“É exatamente por isso. Tenho que fazer isso, caso contrário nunca mais poderemos ficar juntos”, disse Frost, virando-se e caminhando cautelosamente pro outro lado enquanto Justine voltava.

Não deu certo. Frost acabou sendo pego.

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“Ei, meu querido irmão, olha só! Já pegamos um dos seus companheiros”, disse Ar, apontando pros três guardas que traziam Frost, algemado.

“Frost?”, Al ficou assustado, “Como você foi...?”

“Eu sinto muito, Al. Eu tentei, mas eles foram mais espertos”, disse Frost.

“Sim, e o VOID aqui está apontando que você estava passando arquivos. Arquivos bem interessantes de áudio e vídeo com o papo que eu estava tendo aqui com meu irmão. Bom, agora você vai ter diversão, meu caro David Frost”, disse Ar, apontando a arma na testa de Frost, “É bom que comece a dizer onde estão as escutas que você colocou, ou a querida Justine Frost vai dormir sozinha nessa noite”.

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Momentos antes...

“Ah, puxa vida, que bom encontra-los. Natalya me falou que você estaria aqui. Você deve ser o hacker que ajuda o Al, certo? Muito prazer, meu nome é David Frost”, disse Frost, esticando a mão para cumprimenta-lo.

Neige estava em uma sala anexa daquele salão que Victoire havia praticamente destruído na sua luta contra Olivia, minutos atrás. Ele estava sentado numa cadeira, e Victoire sentada no chão, com a mão na cabeça. Na mesa, com uma corda improvisada com cortinas estava Olivia Carrion, inconsciente e amarrada firme. Atrás de Frost estava sua esposa, Justine.

Neige ao vê-los pediu para entrarem rápido e trancou a porta.

“Sim, eu ouvi sobre você. Era o jornalista que o Al pediu pra ajudar no caso do Ar, certo?”, disse Neige.

“Isso. Exato. Achei que poderia vir aqui pedir sua ajuda. Tenho um contato, é a procuradora geral do Reino Unido, seu nome é Aurora Watson. Eu estava conseguindo enviar um streaming pra ela com vídeos sobre o que o Ar está confessando com o Al agora, mas não sei o que aconteceu, a internet não está mais funcionando... E, bem, não é bem minha área”, pediu Frost.

“Entendo, posso ver o seu laptop?”, disse Neige.

Levou alguns minutos. Neige vasculhou a conexão, e viu que aquele laptop havia sido descoberto pelo VOID, e este havia colocado um bloqueio para que nenhum byte sequer pudesse ser enviado para Aurora Watson.

“Certo. Tenho um plano. Vou deixar esse computador tentando enviar os dados ainda assim. Quero que o VOID pense que você não sabe o que está acontecendo, e que você ache que isso é algum problema de conexão. Enquanto isso, vou começar a enviar os vídeos e arquivos que você tem de outros computadores, vou usar uns cinco computadores aqui nessa sala. Vamos torcer pra sorte estar do nosso lado e que o VOID, embora com um processador poderoso, seja ainda um computador binário e burro como qualquer outro”, disse Neige.

“Minha nossa, o VOID estava nos vendo o tempo todo?”, disse Justine.

“Sim, senhora Frost. Mas isso pode ser o nosso triunfo. Acho que consigo rastrear a localização do VOID, pois tenho aqui uma barreira criada pela conexão dele. Vai dar trabalho, sei que até isso deve estar altamente protegido, mas saberemos onde os servidores do VOID físico estão”, disse Neige.

“Ótimo!”, disse Frost.

“O único problema é que o VOID já sabe de você, e sabe onde você está. Eu tenho uma sugestão: deixe esse laptop em algum local inusitado, tipo sei lá, o banheiro. Depois eu preciso que você pense num jeito de ser pego pelo Ar”, disse Neige.

“Você tá louco! Ele é o meu marido! Não vou deixar ele fazer isso!”, disse Justine.

Frost apenas ouvia o plano. Mas não conseguia esconder sua cara de apreensão.

“Não, senhora Frost. Eu preciso que pensem que pegaram o Frost e que ele vai apontar onde o laptop está”, disse Neige, tomando ar, “Isso vai ser tempo o suficiente pra eu enviar as evidências pra essa Aurora Watson. Enganaremos ao mesmo tempo o VOID e o próprio Ar. Por favor, esse sacrifício será para pararmos de uma vez por todas o Ar. Autoridades honestas precisam saber da sua existência e dos seus planos! E se Natalya Briegel confia nessa Watson como alguém incorruptível...”

“...Eu também confio”, disse Victoire, quebrando o silêncio, “Qualquer coisa eu estarei de olho em Frost. Irei protege-lo”.

Victoire pegou seu sniper. Estava pronta pra detonar, novamente.

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No hospital Agatha estava cochilando assistindo TV ao lado de Lucca, acamado. Do outro lado do leito estava Ravena ao lado de Sara, ainda em estado letárgico.

De súbito as luzes se apagaram. Agatha acordou num salto.

“Merda, até aqui eles chegaram?”, sussurrou Agatha pra si mesma.

Dava pra ouvir os passos de pelo menos uns quinze soldados entrando no hospital. Eles vieram pra executar todos eles.

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