quarta-feira, 4 de maio de 2016

May the forth be with you!


Hoje é o dia 4 de maio. Dia em que por conta do som de "May the forth be with you" soa como "May the Force be with you" foi escolhido pra ser o dia do Star Wars. E porque não comemorar falando sobre Star Wars? :)

Eu sou super fã. Mas na hora de eleger o melhor, tento deixar o coração e a nostalgia infantil de lado pra fazer um julgamento mais preciso. É como se fossem me perguntar qual meu anime favorito: com certeza eu diria Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco), mas ao mesmo tempo sei que é um anime tosco, com história péssima, extremamente clichê e mal desenhado. Mas possui um espaço no meu coração, oras! E isso nenhuma técnica, roteiro elaborado ou personagem tira o lugar. ;)

Por isso que pra eleger o meu filme que acho que foi mais bem feito, é melhor distanciar o coração e ver o filme pelo filme mesmo. E por que não, partindo dessa admiração, nascer um favoritismo e deixar o filme na lista dos melhores?

Embora eu fosse criança e, obviamente, tenha uma paixão imensa pela história do Luke & Sua Turminha, convenhamos que são filmes bem clichês. Basicamente o mito do herói, com todo o heroísmo dos embates, e elementos desse mito clássico que é praticamente um arquétipo do ser humano. É bom, clássico e nostálgico.

Porém, muita gente não consegue ver o que existe de bom na trilogia do Anakin (e isso era desde aquela época que foi lançado no cinema...).

Se você analisar de maneira bem fria, sem nostalgia ou sentimentalismo, vai ver que os filmes da trilogia do Anakin são muito bem construídos. Enquanto na trilogia do Luke é o clássico clichê da luta entre o bem e o mal, no Anakin existe toda uma construção política e filosófica entre os protagonistas e antagonistas. O embate é uma consequência, e não o objetivo como era com o Luke.

Existe, por exemplo, um amor que nasceu lá atrás no episódio 1 quando o Anakin soltou aquela cantada de pedreiro na Padmé. E ele mal tinha dez anos:


(Vou tentar chamar gatinhas de "anjo" pra ver se pesco uma também! DEVE FUNCIONAR)

Portanto eu vou eleger como o meu filme favorito/melhor construído o Episódio 2: Ataque dos Clones. Acho o filme mais sóbrio e realista de todos os Star Wars. Sem essa apelação toda, é um filme bem "realidade nua e crua", que nos fazem questionar o mundo, e completo com doses boas de heroísmo, antagonismo, amor, humor, conspirações, fotografia (é um dos filmes mais lindos na tela!) e claro, a melhor parte: os mocinhos se fodendo.


Existem várias coisas que eu gosto nesse filme. Mas vou citar apenas as principais e alguma cena-chave que traduza isso. A primeira coisa que eu vou citar são as referências políticas desse filme.

Primeiro que o filme mostra o poder do movimento separatista, e sua influência pra derrubar a democracia. Só isso já faria a trilogia do Anakin dezenas de vezes superior à do Luke. E toda essa conspiração fez não apenas criarem um exército de clones (inicialmente para a República se defender do exército dróide dos separatistas) que seria tomado pelos separatistas um filme mais tarde, como também o golpe de estado que o Palpatine faz no filme tomando todo o poder e declarando um estado de sítio na galáxia pra proteger ela dos separatistas. SABE DE NADA, INOCENTE!

Mas a melhor parte é o discurso de apoio ao Bolsonaro à ditadura que Anakin diz pra Padmé:


Padmé: You really don't like politicians, do you?
Anakin: I like two or three, but I'm not really sure about one of them. (smiling) I don't think the system works.
Padmé: How would you have it work?
Anakin: We need a system where the politicians sit down and discuss the problems, agree what's in the best interests of all the people, and then do it.
Padmé: That is exactly what we do. The trouble is that people don't always agree. In fact, they hardly ever do.
Anakin: Then they should be made to.
Padmé: By whom? Who's going to make them?
Anakin: I don't know. Someone.
Padmé: You?
Anakin: Of course not me.
Padmé: But someone.
Anakin: Someone wise.
Padmé: That sounds an awful lot like a dictatorship to me.
Anakin: Well, if it works...

Pior que é basicamente isso que os apoiadores de Bolsolixo e Trump da vida têm na cabeça mesmo. Não entendem que a beleza da democracia não é todos olharem pro mesmo ponto, e sim discutirem as ideias livremente. Obrigado Padmé por salvar a pátria!

Aproveitando o gancho da Amidala, o filme é, de longe, o que mais tem romance em toda a série. Protagonistas jovens, um amor proibido, e uma vontade louca de fazer nheco-nheco e desabrocharem sua sexualidade. Falas memoráveis como quando a Padmé enfim aceita seu sentimento pelo Anakin, quando estão prestes a serem executados:


Cara, sente só: "Eu não tenho medo de morrer. Eu tenho morrido um pouquinho a cada dia desde que você voltou pra minha vida". E o Anakin esperto usa aquele tática que nós homens usamos muito, de jogar a isca (negando o amor dela pra fazer um charminho) e esperar ela morder, hahaha. E ela CAIU no truque mais velho que homens usam, hahaha! Esse moleque nunca me enganou desde o primeiro filme, mano!

Mas todo o jogo da sedução e conquista do Anakin e a Padmé é extremamente superior ao outro casal, o Han e a Leia, que meio que no final do sexto filme resolvem ficar juntos, já que não tinha coisa melhor basicamente. O jeito é esperar se o Finn vai dar uns cato na Rey, porque aquela de "Você tem namorado?" quando ela tá arrumando a Millenium Falcon só funciona nos seriados do Disney Channel, negão! Dá ideia na mina, jão!

Enquanto o Anakin tá tentando de todas as formas agarrar a Padmé, Obi-wan protagoniza a parte investigativa do filme, e todas as conspirações que ele descobre, sobre o exército de clones pra República, podem ser montadas numa timeline bem bacana.


Primeiro Obi-wan começa investigando aquela assassina que jogou aquela centopeia imensa pra matar a Padmé no começo. Vai descolar umas informações com o amigo porcão dele, e descobre que o planeta Kamino (aquele que só chove) não existe nos registros e foi apagado. Obi-wan acha onde fica o planeta e vai lá, e descobre que não foi o tal de Sifo-Dias (Zaifo-Vias em português, senão o nome dele ia ficar "se fodias") que havia ordenado a criação do exército de clones, e sim um tal de "Tyranus", que havia acertado os esquemas com o Jango Fett.

Obi-wan segue Jango (o Fett, não o Goulart), mas acaba sendo preso, e aí descobre os planos do ex-padawan do Yoda, o Conde Dookan (no original "Dooku", mas se ele dá o cu ninguém sabe) que arquiteta o início do Império Galáctico.

Mas é claro que um filme de Star Wars não é nada sem batalhas épicas. E o filme é bem morno nesse quesito até bem perto do final quando é impossível não perder o fôlego com dois grandes embates.


O primeiro é uma das lutas que eu considero mais legais da série, que é quando uma caralhada centena de Jedis aparecem pra tocar o puteiro destruir trocentos de dróides inimigos e salvar Obi-wan, Padmé e o Anakin e deter Doukan. Eu lembro até hoje quando eu no cinema assisti esse filme e vi o Mace Windu aparecendo no maior estilo Solid Snake por trás de todo mundo e sacando seu sabre roxo. E a batalha que se seguiu então é uma das mais sensacionais da série, pois é uma das raras vezes que temos a chance de ver Jedis lutando em grupo!

Bem mais interessante do que só o Luke lá, coitado. Teria sido uma época bem legal pra se ser um Jedi...

E a segunda, que conseguiu ser tão incrível quanto, e fechar o filme com chave de ouro é a luta de Obi-wan & Anakin + Yoda versus Dookan.



Coisas que só mesmo uns quilos do bom e velho CG tornaria possível. Afinal, o Yoda clássico, aquele boneco sem pelos do Vila Sésamo dos episódios 5, 6 e 1 (antes de ser remasterizado) nunca iria conseguir fazer isso (exceto se tivesse um ventríloquo excepcional).

E isso sem contar que existe um universo inteiro entre o Episódio 2 e 3. Universo esse que rendeu games, desenhos animados (Guerras Clônicas, o meu favorito) e a sua sequência em CG, onde o Anakin tem até uma aprendiz padawan (Ahsoka! S2). Bons tempos em que Star Wars não havia sido contaminado pelo "politicamente correto" da Disney.


Entre eles pessoalmente o meu favorito era o que o Genndy Tartakovsky (de "O laboratório de Dexter", "Samurai Jack") fez que serviu de prólogo pro episódio 3. Sim, quem assistiu conheceu antes de todo mundo vários personagens, entre eles, o General Grievous. Bons tempos que Star Wars era da Lucasfilm, e não da Disney.

Em suma, por essas e outras a trilogia do Anakin, em especial o Episódio 2: Ataque dos Clones pra mim são os melhores e meus favoritos filmes de Star Wars! E o seu?

Que a Força estejam com vocês! Vai, Capitão Planeta!

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