terça-feira, 26 de julho de 2016

Quando a saudade aperta.


Esses dias minha mãe tava vendo uns papéis antigos enquanto eu tava descascando uns alhos na cozinha. Do lada ela pegou e disse "Olha só o que tava aqui no meio!" e era uma foto do Beto, meu cachorro que faleceu ano passado.

Na hora ela pegou a rasgou, sem pestanejar. Ainda bem que tenho outras fotos guardadas aqui, hehe.

Ano passado eu tive duas grandes perdas. Em fevereiro foi o Bidu, o poodle aqui de casa, e em setembro foi a vez do Beto. Morte é mesmo um negócio muito estranho. Eu ainda sinto muita falta dos dois, por mais que a Lisa, Meggie e a mais nova integrante, a Magali, estejam aqui. Durante muito tempo pensei que eles ficariam meio que pra sempre, e que nunca precisaria temer pela morte deles, ou algo do gênero, mas quando a morte chega, ela chega de maneira muito repentina ás vezes, deixando a gente numa espécie de estado de choque, por mais que a coisa já tinha passado.

Minha mãe sempre posou de "durona", mas talvez por ela ser uma pessoa que não aceita ser fraca, tenta por meio dessas demonstrações mais "brutais" se mostrar forte, quando na verdade não tem problema nenhum se emocionar, ou sentir saudades de algo. É melhor se desmanchar mesmo, mesmo que isso acarrete derrubar o seu castelo e ter que construí-lo de novo do que ficar se segurando, vivendo sob um teto rachado que pode cair a qualquer momento.

Hoje peguei e dei um beijão na Lisa, minha cachorrinha, e disse pra ela: "É bom que você demore muitos anos pra morrer, ok!", brincando, hehe. No último dia 18 ela completou um ano de vida. É um bebêzão ainda!

Talvez isso reflita esse medo de perder novamente. Ok, sei que espiritualmente estão todos bem, mas a saudade é algo sempre muito forte, né. Gosto de abrir as fotos e manter viva essa imagem que tenho do Beto e do Bidu. A morte mostra como a gente é fugaz como a chama de uma vela. Extinguiu, já era. Provavelmente será lembrado um, dois dias, ou eventualmente uma semana. Mas depois disso virão gerações, pessoas, dezenas de milhares de coisas que vieram depois de você ter partido que nem ouviram falar de você, nem nada do gênero. Simplesmente pois você já partiu. Algo assim.

Viver um dia a mais, pra ter a chance de fazer o bem a uma pessoa a mais. Pois se talvez você já estivesse morto, não poderia fazer nada, pois já não estaria aqui. Esse sentimento é uma das coisas que sinto que mais me seguram aqui, apesar de tudo.

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