domingo, 18 de setembro de 2016

Conselhos de amor ao Tomaz

Esses dias, aqui no interior, estava no meu quarto lendo quando o Tomaz, meu priminho de 10 anos apareceu e disse que queria conversar uma coisa. Até a porta ele fechou pra ter privacidade.

Tomaz está apaixonado por uma menina de dez anos também, que estuda numa outra sala. Ele comentou comigo que gosta dela desde o pré, mas não teve coragem de ir falar com ela ainda. Que bonitinho!

Quando ele veio me pedir conselhos amorosos, senti como se estivesse vivendo uma máxima budista que diz o seguinte: as coisas ruins que passamos servem para que possamos ajudar os outros que passam pelo mesmo que já superamos. É verdade que meus priminhos pré-adolescentes tem outras dúvidas relacionadas a sexo, e eu sempre tento orientar e tirar todas as dúvidas possíveis, afinal hoje em dia pessoas tem uma vida sexual péssima por achar que pornografia é o jeito correto de se realizar um intercurso sexual, quando aquilo não tem absolutamente nada a ver com a vida sexual. Mas é bom ouvir um pouco as dúvidas e sana-las, nessas horas vejo que todas as vivências, por mais dolorosas que sejam, sempre dá pra se tirar algo.

Eu disse pro Tomaz que isso na verdade é algo bem bonito de se sentir por alguém. E que é verdade que temos medo de chegar na pessoa e falar o que sentimos. Na verdade esse medo vai ser algo que vai provavelmente nos acompanhar pelo resto da vida. Mas uma coisa que a vida ensinou é: vai lá e tenta. É melhor viver com a certeza do "não" do que viver o resto da vida pensando no que poderia ter acontecido.

Na sétima série eu era apaixonado pela Natália. Ela tinha minha idade, era alta e magrela, meio bruta, mas éramos sempre grudados, grandes amigos. E como normalmente acontece comigo (é muito raro eu me apaixonar a primeira vista) a amizade se tornou um interesse amoroso, mas eu tinha apenas uns treze anos, e morria de medo de contar o que sentia pra alguém. E aí o ano passou, e no ano seguinte não continuei estudando com a Natália e perdemos contato. Anos atrás, voltando do serviço, encontrei a Natália numa padaria. Ela estava casada, com dois filhos. Ainda estava bem bonita, mas quando ela saiu não consegui parar de pensar que eventualmente poderia ter sido eu o pai daqueles pimpolhos. Afinal, acho que ela gostava de mim naquela época também. Mas nunca falei isso a ela, e o tempo passou, e hoje ela está feliz com outro.

Na vida muitas vezes a chance da felicidade passa por um segundo por você. E se você não agarra, você vê ela passando pelo retrovisor até perder pra sempre.

Por isso aconselhei ao Tomaz que não havia motivo pra ter medo de contar que gostava da menina. Quando se tem dez anos é muito mais fácil! Apenas gosta da pessoa e quer andar junto, de mãos dadas e abraçado. Quando se é adulto tem questão de dinheiro, emprego, vícios, desejos, sexo, família, IPTU, IPVA, renda... É algo tão complexo que muitos deixam boas pessoas passarem pelo retrovisor pois não preenchem um ou dois requisitos pra depois quando estiverem perto dos quarenta casar no desespero com a primeira mula que encontrar pra ter uns dois filhos e depois se separar pois a convivência era insuportável. Triste, mas conheço dezenas de exemplos assim.

Tenho uma amiga que sempre diz que admira que eu busco alguém quando estou a fim. Ela disse que poucos homens têm a coragem que tenho (e olha que eu, particularmente, me acho super tímido quando o assunto é paquera). É verdade que talvez a taxa seja de nove foras pra um relacionamento, mas desde que aconteceu a Natália, lá quando tinha meus treze anos, vi que prefiro mil vezes viver com a certeza do "não" do que com a dor de ficar remoendo um "e se eu tivesse tentado?"

Se até o Internet Explorer tem coragem de te perguntar se ele pode ser seu navegador padrão, qual sua desculpa pra não chamar a menina pra sair?

Dessa vez que vim pro interior vim querendo conhecer uma menina bem legal que conheci pelo Tinder, há uns três meses. É verdade que começamos super bem, mas aí as aulas começaram e último semestre da faculdade é osso. Mas pelo menos continuamos trocando conversas. E achei que seria uma boa chamar ela pra uma festa que ia ter aqui. Coisa de interior, sabe? Festa na praça da cidade promovida pela paróquia local. Fui sempre lembrando ela da data nessas últimas semanas todas, consegui na dificuldade uma passagem pro interior com meu pai, perdi dois fins de semana de atividade no templo budista (que eu gosto muito) e justo no dia da festa ela se arruma e vai pra outro lugar, me deixando com aquela cara de trouxa por ter esperado e minimamente acreditado que iríamos nos conhecer pessoalmente.

Note bem: marquei isso para nos CONHECER. Não pedi a menina em namoro, nem casamento, nem relacionamento aberto (Orkut? Alguém?). Pois bem, passou. Consegui uma carona, minha tia teve empatia pela minha situação e me ofereceu uma carona pra cidade dela (uns 10 minutos da onde estou) e pensei em chamar pra uma pizzaria, ou bar, sei lá. Só pra nós nos conhecermos. Sem compromisso. Simplesmente deu uma desculpa meio esfarrapada e mais um "não" pra coleção.

Às vezes secretamente acho que os roteiristas de "How I met your mother" me espionavam pra saber tudo da minha vida e criaram o Ted Crosby baseado em mim, hahaha. Vai ser azarado assim no quinto dos infernos!

Talvez essa menina do interior que eu estivesse afim seja dessas super idealizadoras que acreditam no Jack e Rose do Titanic. Eu já fui muito assim também. Mas hoje não sei dizer "não" sem tentar. Nunca se sabe, oras! Pessoas podem surpreender. Pode ser que o relacionamento não vingue, ou eventualmente terminem, mas pode ser que dê certo também! Nunca se sabe. É por isso que na vida é importante arriscar e ter uma mente aberta. A questão não é se vão terminar ou vão viver o resto da vida um do lado do outro. O importante é dar uma chance ao novo.

Nessa situação toda foi boa pra provar isso que acredito. Eu pelo menos tentei. Saí de São Paulo, deixei minhas coisas lá por uma semana, aguentando um avô chato (eu amo meu avô, mas por conta da idade todo mundo reclama que ele anda insuportável), calor dos infernos, picadas de insetos (picadas de borrachudos tão deixando até a pele quente), além de receio de chamar a menina pra sair (que, não adianta, sempre rola), e quando chamo, apenas para nós conhecermos, sem compromisso, afinal pode ser que pessoalmente eu não goste ou vice-versa, ela foge de medo. Como se tivesse uma chance na frente de recomeçar e deixasse passar pelo retrovisor por conta de um medo bobo.

Pois é, Tomaz, vai lá de declarar logo pra menina! A única chance que você tem é de tudo dar certo. ;)

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