quarta-feira, 18 de outubro de 2017

White Nights (2016)


Eu nunca havia assistido a uma novela coreana. Achei no Netflix o White Nights (불야성), que embora tenha ido ao ar na emissora coreana MBC, a Netflix adicionou ao seu catálogo posteriormente.

A história se baseia na vida de três protagonistas: Seo Yi-kyung, uma empresária filha da puta que não vê limites pra sua ganância e quer chegar no topo de tudo, Lee Se-jin, uma pobretona que topa virar aprendiz da Yi-kyung pra subir na vida (mesmo que isso inclua ser usada por ela pros trambiques), e Park Gun-woo, um empresário viadinho todo certinho que está prestes a herdar a empresa da sua família e tem um rolo no passado com a Yi-kyung.

K-drama versus novela brasileira
Eu nunca achei que teriam atores de tão boa qualidade assim. Atores e atrizes coreanos são fora da média, são realmente excelentes no que fazem. O maior exemplo é que apenas pelo olhar você sabe exatamente o que se passa na cabeça deles.


Novelas brasileiras sempre que o personagem tá sozinho ele fica pensando alto (ou falando sozinho, coisa de doido!), virado pra câmera, tipo aquelas cenas da Usurpadora, ou em qualquer novela das oito da Globo. Eu sempre achei ridículo, mas nunca acharam uma maneira que não fosse mais ridícula do que uma voz com eco vindo da cabeça do personagem enquanto ele está de boca fechada pra simbolizar "pensamento".

Não existe nenhuma dessas coisas em novela coreana, mas existe uma coisa que não existe nas novelas brasileiras: o olhar.


Os olhares falam tudo. E eles são incrivelmente expressivos apenas com um olhar! Por isso que eu digo que são atores e atrizes do caralho. As novelas brasileiras tem que ser muito óbvias, é raro ver esse jogo de olhares. Especialmente em White Nights essa coisa existe pra caramba e é muito bom.

Existe uma coisa chata que achei é que são muitos provérbios. Acho que isso é muito coisa de asiáticos, que usam provérbios pra exemplificar algo que vai acontecer, enfim. Acho isso muito estranho pra gente que é ocidental. São poucas vezes, mas quando aparece, nossa, meio estranho pra quem não está acostumado.

E os nomes também é difícil de pegar logo de cara. Nomes coreanos são tão difíceis quanto chineses. Acho que japonês nem tanto porque eu tô acostumado, vivo no meio deles, hehe. Mas depois de alguns episódios a gente se acostuma também.

A trilha sonora é incrível
Eu adorei a trilha sonora! Não tem nenhuma música famosa, mas foi muito bem composta! São umas músicas mais na pegada New Age, lembram muito as músicas da Enya (que eu adoro). Uma das que mais tocam na série é justamente o tema da abertura:


Isso sem contar as outras ótimas músicas da OST, que tem nesse link. Eu já disse que pra eu considerar uma série/filme bons, 80% é a trilha sonora na minha opinião, e White Nights ganhou nota dez nesse quesito apenas considerando sua ótima trilha sonora.

Se-jin, a pobretona em ascensão social
Agora quero falar das personagens. Quando eu vi a U-ie, essa atriz que faz a Se-jin, já me atraiu porque ela é bem gatinha! Acho que é a personagem que mais cresce durante a série, pois ela começa uma pobretona que faz vários bicos para viver (e você achando que a vida na Coréia do Sul era fácil!), e que sonha, ao menos no começo, em ser alguém como a super milionária e fudida Seo Yi-Kyung que ela conheceu numa festa enquanto ganhava uns trocados pra fingir ser namorada de um moleque rico (isso não é meio prostituição?).


Mas como eu disse ela é de longe a personagem que mais evolui na história. Enquanto ela tá sendo "treinada" pela Yi-kyung, para se ter ganância e saber administrar e gerar dinheiro, ela começa a fazer brotar um imenso afeto, até mesmo protetor, para com a senhora Seo. Talvez esse seja o estágio dois da evolução dela.

O estágio final é que para proteger sua chefe da sua própria ganância, ela não vê outra opção a não ser usar tudo o que aprendeu contra ela. Se-jin, que mal tinha grana pra se sustentar, vira um verdadeiro coringa nas mãos, a ponto de chegar dela ter nas mãos a chance de mudar o destino de todos.

Acho que por ela ser pobre ela tem essa questão de uma ética bem forte. Coisa que falta da Yi-kyung e em diversos momentos. E até no próprio Gun-woo.

Gun-woo, o rebelde trapalhão
Park Gun-woo começa vendo seu pai, líder do grande grupo Moojin, sendo preso logo no primeiro episódio, por corrupção, lavagem de dinheiro, etc. Só que ao invés dele ser o herdeiro da empresa do pai, vê seu tio tomar seu lugar. Só que ele percebe que tudo o que acontece ao seu redor tem apenas uma causa: Seo Yi-kyung, que quer manipular todas as empresas, e até o país, se colocando no lugar mais alto de todos.


Mas Gun-woo, que começa como um rapaz super bonzinho, é revelado que ele e a Yi-kyung tiveram um rolo no passado. E em diversos pontos dá a entender que ele ainda sente algo por ela (mas infelizmente não tem nenhum romance nesse seriado). Mas como a Yi-kyung tem uma ganância sem limites, ela quer controlar tudo, empresas, governos, tudo. Isso inclui o grupo Moojin, da família do Gun-woo.

O que mais fode é que ele é super inocente. Acha que talvez a Yi-kyung não mudou nada da época de adolescente, e isso só faz ele se dar mal mais e mais. Uma das cenas mais chocantes é quando a Yi-kyung revela uns segredos pro pai do Gun-woo, que é cardíaco, e o velho quase bate as botas tendo um ataque do coração. É nesse capítulo que a Se-jin vê que a Yi-kyung foi longe demais e resolve se juntar ao Gun-woo para impedi-la a todo custo de continuar com seus planos.


Não dá certo de início. Na verdade passa diversos episódios, por mais que eles achem algo para incriminar a Yi-kyung, ela sempre está um passo à frente (chega a dar raiva!). Mas o que caga mesmo é que o Gun-woo, parece que cansado de ser inocente, vira realmente um cara malvado perto do final. Deixando sua ética e valores de lado, tudo para derrubar a Yi-kyung. Poxa, isso é errado, menino!

Aí não tem jeito. E, ironicamente, é nesse momento que a Se-jin deixa de ficar ao lado do Gun-woo e vai pro lado da Yi-kyung de volta. Ela é meio que a juiz da coisa toda!

Seo Yi-kyung, a que ninguém entende o que quer
No começo essa fixação que ela tem pela Se-jin, parece um amor lésbico discreto. Mas não é preciso muitos episódios para entender o que se passa. Essa mulher simplesmente não tem coração, e a atuação dela é tão boa, que não fica nenhum negócio artificial, muito pelo contrário! Parece tão autêntico que depois fui procurar imagens da Lee Yo-won, a atriz, e ela é super sorridente, é casada e tem até um lindo filhinho.

Não parece a desalmada do seriado. Tirem o Oscar do DiCaprio e deem para essa mulher!


Eu nunca vi uma protagonista tão completa. A gente começa curioso, depois começa a odiar ela. Sente pena do passado do pai rígido e sem escrúpulos, fica assustado pelo monstro que ela se tornou, e indignado por ela ser imbatível em absolutamente tudo. Todo raio de coisa que tentam tramar contra ela, parece que ela sempre tá um passo à frente, exatamente como ela diz estar!

É muito legal a noção de dinheiro que ela tem. Que meio que a gente não pode ter dó de gastar dinheiro, pois dinheiro bem gastado é melhor que um dinheiro gastado com uma obrigação. Essa é a missão que ela tá pra Se-jin logo no começo do seriado, dando um cheque imenso pra ela gastar em coisas pra ela, e depois a obrigando a devolver o dinheiro, não importasse os métodos para consegui-lo. Seja enganando, roubando, matando, ou o que a criatividade permitir.

(ninguém pensou em prostituição?)


É muito legal o jeito que ela manipula outros grandes empresários. Desde o começo a Yi-kyung diz que o objetivo dela é estar no topo de todos os empresários da Coréia do Sul, para "ver as luzes da cidade do ponto mais alto". E durante o seriado obviamente ela tem rivais (foto acima).

Mas é incrível que ela manipula tanto que ela põe o diretor que ela quer na hora que bem entende, derruba até candidaturas pra presidente da Coréia que não vão de encontro com suas ordens, e mesmo quando existe uma represália contra ela, ela sempre tem tudo na mão, pois ela também tem seus assistentes. Ela é a mais overpower do universo, e chega um momento que ironicamente a única que pode parar ela é de fato a Se-jin, mesmo que, sei lá, acho que ela tenha dito pra dar impressão pra Se-jin de que ela poderia superar a mestra dela, mas no final das contas por vários episódios ela fica rodando igual barata tonta sem conseguir fazer nada concreto...

Para ser um bom empresário, deve ter bons funcionários!
Todo empresário coreano tem um braço direito. O pai do Gun-woo tinha o seu tio, que puxa o tapete e toma seu lugar. Outros empresários também tem seus assistentes, que sempre estão lá pra ajudar o chefinho, por questão de honra, familiares, etc.

A Yi-kyung tem também! Talvez seja por isso que ela seja imbatível, ela tem três assistentes, isso sem contar a Se-jin, que do meio da temporada pra frente sai do time. Ainda assim são os melhores. Achei essa foto de bastidores com todos juntos:


Muito bem, vamos dar nomes aos bois. Da esquerda pra direita:

Primeiro a gente tem o senhor Jo, que servia desde a época do pai da Yi-kyung, ele é o que não desgruda e faz tudo o que a Yi-kyung manda, é o mais fiel e também o mais maduro do grupo. É tipo o paizão dos outros também.

Depois a Yi-kyung, mas pula ela.

A terceira pessoa da esquerda pra direita é a Kim, que não revela seu nome real, pois ela é uma super hacker (SEMPRE TEM QUE TER UM SUPER HACKER NESSES SERIADOS HOJE EM DIA, AHHHHHHHH), e ela é bem bobinha, mas incrivelmente inteligente. E tem umas orelhas de abano que dão dó (não era a Coréia do Sul o país que mais fazem cirurgias plásticas?).

E esse moleque no canto direito é o Taka (ou Tak, como é escrito o nome dele). Ele é o guarda-costas da Yi-kyung, é o cara das artes marciais, que desce o couro em todos que estão na frente. Eu pensei que rolaria algo entre ele e a Se-jin, mas ninguém se pega nesse seriado, é um saco essa parte.



Bom, enfim, seriado muito completo, história cativante, trilha sonora espetacular, atuações muito boas e fotografia impecável. Curioso ver esse lado da Coréia do Sul, justo perto da época em que teve toda aquela denúncia que levou o impeachment da Park Geun-hye.

Não tenho nenhuma nota, exceto 10! Imperdível!

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