Se perdessem TUDO caso não trouxessem o hexa, será que jogariam?


Eu não vou mandar um "eu avisei", afinal isso é uma coisa que eu sempre faço desde 2010. Mas essa Copa teve tanta coisa de errado, mas tanta coisa errada, que nunca foi tão certo que a derrota aconteceria — e acho que foi até bom que tenha sido um magro 2x1 pra Noruega, pois de pegasse a Argentina do jeito que ela tá roubando jogando desse jeito, o 7x1 perderia o posto de maior humilhação da seleção brasileira masculina de futebol.

Acho que toda profissão tem sua "carreira bosta". E dentro do jornalismo, onde você pode ser jornalista político, repórter, colunista, fofocas, acho que o mais bosta é ser jornalista esportivo. Não apenas é um trabalho fácil — se o time está fazendo gol, é o melhor time do mundo, mas se toma gols vira o pior time da face da Terra — e raramente alguém dá algum comentário relevante, ficam sempre culpando técnico, a comissão técnica, o árbitro, a Lua e o Sol, mas nunca os jogadores. Isso sem contar os que tem o rabo preso.

E esses mesmos jornalistas adoram vir com o papo de "o mundo tem que respeitar o Brasil, o único pentacampeão". QUE BABOSEIRA.

Passa décadas do 7x1 e os problemas continuam os mesmos: acham mesmo que o "Robertinho do Corinthians", ou o "Jorginho Acriano do Flamengo" são capazes de jogar numa copa do mundo sendo que são um bando de jogadores medíocres que se acham porque ganham um campeonato ralé como o Brasileirão? Esses jogadores que só atuam no Brasil a primeira coisa que fazem quando jogam com europeu é amarelar, como foi aquele Santos x Barcelona de 2011. 

São em partidas assim onde a gente vê que o "Bruninho Jojoca" craque do Grêmio é só um zé ninguém que se acha porque ganha um campeonato bosta como a Copa do Brasil aqui.

E isso deixa o futebol brasileiro eternamente refém de pegar jogadores que atuam na Europa: eles não jogam um campeonato de pontos corridos que tem jogo toda quarta, sábado e domingo de toda semana até o Natal, onde não conseguem descansar direito, vivem com um bando de bandido de torcida organizada ameaçando matar eles se não entregam resultado, e outras mazelas que tornaram o futebol brasileiro essa coisa chinelinha que é hoje (e o povo bate o peito pra defender seu time).

Times brasileiros são tão ruins que até nos videogames os parâmetros (corrida, força, vigor, etc) dos jogadores de um SPFC ou Palmeiras é muito abaixo dos parâmetros dos bonecos do Paris Saint-Germain, Real Madrid, Barcelona, etc. Até no Pro Evolution Soccer o Flamengo tomaria um baile do Real Madrid, o que só ressalta o óbvio.

Então parem com isso de achar que Brasil é a Terra do futebol. É melhor escalar brasileiro que joga na Europa pois ele estaria (teoricamente) com um nível próximo dos caras que ele vai jogar contra na Copa do Mundo. Se o "Wellersom Capixaba" que joga pelo Vasco numa copa do mundo encarar o MBappé, ele vai amarelar e pedir um autógrafo, e não jogar bola.

A copa no país mais corrupto do mundo, os Estados Unidos, só escancarou o que há de pior nesse esporte: a própria corrupção. Quanto de dinheiro, supostamente, não foi pro bolso deles ao escalarem o Neymar, com todo aquele patrocínio: de marcas de chuteira, até casas de aposta? Isso sem contar os outros jogadores, que são muito mais influenciadores de bets do que alguém que realmente possui técnica futebolística.

As tevês (e streamings) que lucravam rios de dinheiro na audiência, tinham que fazer seu papel de propaganda fazendo o povo acreditar que essa seleção fuleira vinha trazer o hexa — coisa que fizeram o povo acreditar do mesmo jeito, em 2006, 2010, 2014, 2018, 2022, e agora 2026 — e pra surpresa de ninguém, não veio de novo. Nenhum canal era nem doido de fazer críticas reais mesmo, de falar que escalaram mal, que tinha que treinar mais, ou qualquer coisa: lembre dos jornalistas esportivos, se o time ganhou, ninguém nem é doido de criticar.

Jornalistas esportivos precisam vender essa esperança: é atraindo a audiência que se vende comerciais e o dinheiro entra. Mesmo se alguém ali tiver cérebro — o que acho que é muito difícil, já que é a carreira mais bosta dentro do jornalismo — vai faltar culhões para fazê-lo. Afinal é muito fácil fazer jornalismo quando a única coisa que você tem a compartilhar é alguma estatística tosca, do tipo: "Em jogos em dias ímpares, de lua crescente, vestindo azul, o Brasil sempre venceu a Escócia, então temos chance!".

E assim fizeram a gente acreditar que a cada jogo a seleção estava subindo um degrau. A única coisa que nenhum jornalista esportivo teve a coragem de falar é que a gente subiu sim: mas mal passou do térreo, quando as outras seleções já haviam subido muitos andares.

Essa Copa foi uma vitória pro Brasil sim. Ganhou a carne maturada que custa uma fortuna pra incentivar povo a fazer churrasquinho pra ver o jogo, ganhou as casas de aposta com um streaming que incentivava seu público a fazer apostas a cada cinco minutos, ganhou a CBF e a FIFA com rios de dinheiro de patrocínio, ganhou os jogadores, pois se ganhasse a copa seria apenas um extra, pois o deles sempre é garantido, as marcas de cerveja, e até a marca de desodorante ali na plaquinha de substituição.

Sabe quando o Brasil ganhará uma copa? Quando a seleção for de talentos excepcionais, como foi em 1994 e 2002 (com menções honrosas a 1998 e 2006). Ser convocado para uma copa do mundo faz o ego dos caras irem lá na estratosfera, todos eles jogam de maneira individual, e quando esse talento for uma coisa elevadíssima, a copa vem.

Agora se for uma seleção de estrelas cadentes, como é a seleção desde 2010, o ego continua mesmo, mas a técnica é muito baixa. E quando a técnica é baixa, o que você faz? Você treina, você estuda o adversário, você ensaia jogadas, se empenha na concentração, faz todo o treino para quando chegar na partida o time entrosado faz o que tem que fazer — e não fica dependente do futebol individual.

Quantos Ronaldos, Ronaldinhos, Rivaldos, Romários —  e só pra não falar que só citei jogadores com R — Bebetos, Kakás, e Taffaréis apareceram desde 2010? Ficam idealizando Neymar, sendo que desde o Santos ele era muito mais propaganda do que realmente alguém que jogava alguma coisa, pra mim sempre foi um "mediano bom", e nada mais.

O que me dá dó mesmo são as crianças. O primeiro jogo contra Marrocos eu fui com minha família na casa de uns amigos do meu pai assistir, e embora eu não desse a mínima para aquele jogo que tava acontecendo ali, e fiquei apenas me entupindo de churrasco enquanto a bola rolava, achei bonita a empolgação das crianças gritando e torcendo na frente da tevê.

Isso me lembrou em 1998, quando eu também era uma criança, e ficava lá assistindo e torcendo, e lembrei também do sentimento péssimo de derrota naquela final contra a França, com o Ronaldo dopado, a perda da esperança, o trauma e a tristeza que veio depois de tanto vibrar e torcer pro penta vir. E olha que, modéstia a parte, os ídolos ali da minha geração eram mesmo ídolos, e não um ex-jogador em atividade que é muito mais conhecido por divulgar bets e as vezes que ele traiu sua esposa.

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