domingo, 30 de julho de 2006

Que eu sempre fui briguento com o meu irmão, isso até hoje. Até mesmo hoje, eu cm 18 anos e ele com 13, ainda temos nossas discussões feias, mas só ficamos nas discussões. Cada dia que passa esse moleque fica mais difícil de manipular...

Bom, se eu ligasse tanto pra isso, daria um jeito de manipula-lo mais ainda. Afinal, foi algo que eu sempre fiz foi fazê-lo meu fantoche, afinal ele sempre foi o filho mais amado e o mais obedecido pelos meus pais, pelo fato de ser caçula. E eu por meios um tanto ilícitos, fazendo o que eu chamo carinhosamente de 'joguinhos mentais' conseguia manipula-lo a fazer o que eu bem entendesse, uma vez que seria atendido com prontidão pelo meu pai e minha mãe.

Desculpe leitor. Sempre fui a ovelha negra, e sei que continuarei sendo. Talvez poucas pessoas, pouquissimas, lembro de ter contado isso apenas para duas pessoas na minha vida, mas vejo que o meu fim se aproxima e preciso compartilhar isso com o meu "universo" antes que ele morra comigo. Talvez você imagine que eu sempre fui uma pessoa honesta e tudo mais, mas eu gosto de me comparar com o Tarot. Nele eu sou duas cartas: A Morte e O enforcado.

Sou o sacríficio, a morte que eu tenho consciência do que estou fazendo, e mesmo assim meu desejo é morrer. Sou inocente, sou o abandono. Sou o suicídio, sou a pessoa que se mata pelos outros, mesmo sabendo que isso me trará tristeza. Mas ao mesmo tempo sou a morte, a que mata os outros, a que flagela, a que faz os outros sofrer, a que traz 'mudança'. Exatamente por eu ter esses dois lados bem antagônicos entre si, isso faz de mim alguém no mínimo despresível. Pois bem, vamos voltar ao assunto.

Pelas nossas mais que constantes brigas, eu e meu irmão quando ainda mais crianças, sempre divemos discussões terríveis, que acabava sempre nele chorando no colo da minha mãe. Afinal, eu não tinha tanta culpa, eu juro. Na maioria das vezes ele queria se fazer de mais esperto do que eu, e me provocava, afinal ele gozava da proteção divina dos meus pais. Eu como era destemperado também não suportava isso e batia nele. Ele sempre foi mimado e odeio isso.

E sempre na maioria das vezes meu pai, o vilão da história, dizia que iria me mandar pro exército, pra que eu sofresse, levantasse cedo, fizesse minha comida, ficasse sozinho e morresse. Estranho ver que meu pai sempre nos criou a base da ameaça e do "coloco comida no seu prato, obedeça-me até a morte, caso contrário...". É uma atidade totalmente de alguém que não sabe ter as rédeas, e tenta mesmo assim pega-las a força.

Por isso mesmo eu criei esse trauma de exército. Um medo terrível, que a cada aniversário que eu fiz desde então, tinha medo, afinal era um ano a menos que chegava até o dia D, o dia em que eu me alistaria no exército, fosse chamado, e sofresse e morresse. Ouvia ainda pra piorar aquelas mil-histórias que todos contam sobre como é o exército, como você se alista e tudo, e... Isso só piorava a minha ansiedade.

No dia eu tive vontade de não acordar. Estava frio e nunca tinha acordado tão cedo, às 4h da manhã. Me arrumei depressa e fui, ainda na neblina que não me deixava ver nem mesmo o que tinha a alguns metros a frente. Peguei o ônibus, que por sinal chegou atrasado e fui até a subprefeitura com um cara que eu conheci no caminho. Ficamos na fila durante um bom tempo, e enfim entramos. Nos organizaram, e lá estavamos em pé mais um longo tempo.

Minhas mãos tremiam, mas eu tentava disfarçar. Tinha gente que fazia piadinha, e eu ainda me perguntava: "Porquê?". Lembrei do meu pai e seus discursos... Como alguém tão mau pode existir e ficar 'impune' na face da Terra? Por fim veio uma moça dizendo que estávamos dispensados... Na hora não acreditei. Meus 18 anos de espera se foram assim, rápidos. Toda a ansiedade de um 'sim' tornou-se um 'não' tão fácil quanto veio. Peguei meu papel de inscrição, até me encontrei com o Fábio, que estudei com ele ano passado, e fomos embora.

Fui pro CNA, e lá já tinham alguns alunos me esperando. Pedi licença pra ir ao banheiro e... Chorei. Chorei de felicidade, porque eu havia esperado muito tempo pra receber aquela dispensa, e agora eu havia renascido. Um novo caminho havia começado na minha vida, sem medo de morrer com meus 18 anos, sem nada do tipo. Antes disso eu queria morrer antes de fazer 18, agora a idéia de morrer está cada vez mais amigável, mas não por causa do exército mais.

Enfim, estou realizado porque foi um trauma que o vilão da minha vida colocou em mim. Pessoas dizem que um dia irei agradecer pelo que ele me fez, mas talvez tenham pais que dê lições de vida, lições de moral, mas meu pai só soube dar lições do medo, que a vida é algo ruim, que viver em si é algo ruim, que todos querem fazer o mal com você e que você está sozinho no mundo. Já tenho 18 anos, e creio que já tenho uma mente um tanto madura pra saber o que é bem e o que é mal. Espero não mudar esse conceito com meu reumatismo, mas infelizmente nunca tive um pai herói. Apenas um pai vilão.

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